Já deu para a foto | Benfica 2-0 Villareal

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Depois do festival de competitividade e empenho no confronto com o Flamengo, ao Benfica interessaria acalmar, primeiro, e mostrar outros argumentos, depois. O Villareal, apesar da grande temporada interna e consequente qualificação da Champions, perspectivava-se como adversário mais abonatório – sobretudo menos histérico e com índices físicos mais reduzidos, fruto do atraso na preparação. Notou-se a diferença e o Benfica surgiu mais assertivo, só mudando uma peça do onze anterior.

Marco Silva parece querer resolver prontamente a questão do onze base e montou praticamente a mesma equipa, só preterindo o lesionado Umeh para mostrar o reforço Kamínski. O 4-2-3-1 confirmou-se pleno de ideias, sobretudo sem bola – o bloco sem problemas em subir na pressão e desenvolto na reacção à perda. Em fase atacante, as intenções de grande rotatividade mostraram-se sobretudo do lado direito, com Bah e Rafa a associarem-se constantemente para dar aos encarnados as maiores chances de perigo. Mas, tudo espremido, que deu? Se quem está de férias não se livrou duns valentes bocejos na primeira metade, malditos azarados que tiveram de trabalhar ou que, por uma ou outra razão, tenham dormido mal esta noite. Notavam-se intuitos, mas no cômputo geral, pouco futebol saía; o Villareal estava no relvado por mera obrigação. Era, afinal, o seu primeiro jogo de pré-temporada.

Teve que vir o intervalo e Manu Silva para se ver futebol a sério. O português substituiu Lenglet, entrou para o eixo e compôs com António Silva uma dupla muito mais dinâmica – o Benfica, enquanto conjunto, melhorou com aquela adicção a partir de trás. A bola circulou melhor e quando se impunha verticalidade, a bola saía mais certeira e redonda. Pavlidis e Rafa beneficiaram disso e deram o passo em frente – o grego assistiu e marcou, o supersónico lusitano meteu um chapéu de sol sob a cabeça de Luiz Júnior, o antigo guarda-redes do Famalicão que é por estes dias o titular do Submarino.

Dos espanhóis, sabendo-se de antemão o pouco andamento, não se esperava muito. Não serve isso para tirar mérito ao Benfica; mas, como esclarecimento adicional, de dizer que Iñigo Pérez, o mesmo que levou o Rayo Vallecano à final da Liga Conferência e substitui Marcelino Toral, meteu uma equipa nova na segunda parte – e o Benfica aproveitou a instabilidade, a juntar à falta de ritmo, para mostrar a qualidade que já se exigia.

À medida que os miúdos foram entrando, o aparato técnico melhorou: e que maravilha as combinações entre Prestianni, Banjaqui e Miguel Figueiredo, um médio-centro de finíssimo recorte a quem a bola se coça nas botas para ronronar. Aí já se ouvia no Algarve as demonstrações de euforia tradicionais desta altura, o bruá das bancadas e os gritos dos mais jovens, fosse pelos malabarismos fosse pelas notícias de que o Sankt Gallen, adversário daqui a seis dias, acabava de perder em casa contra o Norwich (ingleses a militar no Championship) por 0-3. Preocupante para os suíços, dado que dia 11 já haviam arrecadado do Lyon de Paulo Fonseca uns esclarecedores… 6-3!

De remate final, a mais memorável peripécia do encontro e pormenor incisivo na compreensão da nova personalidade: Kamínski, reforço encarnado mais caro da janela, mostrou em campo muita vontade, mas pouco brilho. A partir de determinado momento, foram visíveis algumas reacções mais intempestivas ao próprio futebol.

Na flash interview, a mais completa franqueza: «Talvez não tenha sido uma exibição de topo, mas preciso de tempo para mostrar as minhas qualidades. Preciso de me adaptar e conhecer os novos colegas». Muito bem-vindo, Jakub!

Pedro Cantoneiro
Pedro Cantoneirohttp://www.bolanarede.pt
Adepto da discussão futebolística pós-refeição e da cultura de esplanada, de opinião que o futebol é a arte suprema.

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