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O rendimento de Islam Slimani tem sido decisivo para a boa prestação do Sporting no campeonato. O argelino é – vê-se à distância – um homem de trabalho, o que explicará, em larga medida, a sua notável evolução (tanto técnica como táctica) desde 2013, ano em que chegou ao nosso país, portador de um registo goleador mediano. Slimani tornou-se, aos 27 anos, num avançado (muito) competente, capaz de aliar a sua disponibilidade física – lutando por cada lance como se fosse o último – a uma aperfeiçoada capacidade de finalização, por terra e pelo ar. Não rejeito os bons jogadores e, como tal, confesso que veria com bons olhos o ingresso no Benfica de cinco/seis elementos que integram o actual plantel leonino: Slimani seria um deles, tal como outros, capazes de se tornarem úteis e mais-valias. Apenas a título de curiosidade: André Carrillo integra este lote pessoal.

Islam Slimani é somente um jogador de futebol – e não um criminoso –, no entanto, todos (os que queremos) sabemos o que se passou a 21 de Novembro, no Estádio de Alvalade, em jogo da quarta eliminatória da Taça de Portugal: Slimani agrediu Samaris, no início da segunda parte, num encontro em que o Sporting venceu o Benfica (por 2-1), após prolongamento, com um golo do argelino. O lance capital, aparentemente congelado no tempo, ocorreu nas costas do árbitro Jorge Sousa (e do médio grego), tal como se comprova pelas imagens televisivas – um exemplo que, de resto, poderia auxiliar a causa pelo vídeo-árbitro de Bruno de Carvalho, caso, obviamente, os seus critérios de verdade desportiva não fossem tão selectivos.

: Islam Slimani merece estar presente n’ “o jogo do título”; Fonte: Facebook oficial de Islam Slimani
Islam Slimani merece estar presente no “jogo do título”
Fonte: Facebook Oficial de Islam Slimani

Dois dias depois, o Benfica fez aquilo que lhe competia – uma opção que é, simultaneamente, um direito e um dever –, depositando uma queixa no Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, em defesa do seu jogador e do cumprimento das regras do jogo e da competição. Foi aberto um inquérito, nos moldes previstos na lei, para apuramento dos factos, mas, três meses depois, nada mais se soube ou aconteceu. Em Portugal, a justiça – a desportiva e a outra – é lenta e, vezes demais, inconsequente. Neste caso, o Benfica foi duplamente prejudicado: em campo e fora dele. Bem recentemente, o português Hugo Almeida, agora ao serviço do Hannover da Liga alemã, agrediu um colega de profissão e, instantaneamente, foi suspenso por três jogos – exemplar!

O acto de Slimani justificava expulsão e suspensão. No entanto, não me parece que tal, a acontecer neste momento, faça algum sentido. A falta de poder decisório, em tempo útil, de um órgão federativo, desvirtuou a eficácia da pena (e o seu factor dissuasor) e, sobretudo, alterou a proporcionalidade do castigo – um jogador que agride em Novembro, no primeiro terço da época, não pode ser suspenso mais de três meses depois, num contexto decisivo, à entrada para o último terço do campeonato.

Escrevo este texto antes do Sporting-Benfica, de 5 de Março, e afirmo: não acredito em teorias da conspiração. Espero, todavia, que o bom senso que resta aos nossos agentes desportivos prevaleça. Não posso concordar com a prescrição ou a impunidade, porém, neste caso, qualquer decisão anterior ao dérbi resultará, inevitavelmente, numa nova corrente de suspeição, capaz de alterar, directamente, a verdade desportiva. Como benfiquista, rejeito que o meu clube seja prejudicado uma terceira vez, passando directamente de vítima a réu, apenas e só, por incompetência de terceiros.

Quero ganhar em Alvalade; quero ser tricampeão. Mas com todos lá dentro, no relvado. Quero que Slimani vá a jogo. Não lhe retirem este prémio na melhor época da sua carreira – afinal, assistirá em posição privilegiada, como poucos podem, a uma vitória do Benfica.

Adenda: com o texto concluído e pronto a ser publicado deparei-me com as notícias das possíveis suspensões de Jardel e Eliseu. Não haverá, por esta altura, muito mais a dizer, a não ser que, pelos vistos, alguém procura corrigir um erro, cometendo outros dois. O que disse sobre Slimani neste texto aplica-se por inteiro aos jogadores do Benfica – e nem discuto existe, de facto, matéria para a sua suspensão. Enfim, que se passará nas cabeças de certos dirigentes federativos? É isto defender e dignificar o futebol português?

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