Há dois anos que digo “o Amaral é o melhor jogador da equipa”. Há dois anos que acompanho ao vivo e a cores as temporadas do Vitória FC. Incrivelmente, a primeira coincidiu com a estreia de João Amaral na primeira liga. Aos 24 anos, o extremo português estreou-se profissionalmente após contratação da equipa sadina. Não era o que mais brilhava, não era o que mais mostrava, mas é o típico “gosto daquele miúdo; vai dar coisa”.

O próprio José Couceiro afirmou que “aos 10 minutos de jogo, o João pensava que já havia 80. Já quase queria ser substituído”. O trabalho foi feito, a massa muscular aumentou, tal como o ritmo de jogo, e o Vitória passou a andar às costas de Amaral. Este ano, aconteceu o mesmo – mas desta vez ele tinha companhia, tinha o Gonçalo Paciência. O Gonçalo rumou ao FC Porto no Inverno e agora chegou a vez do João subir também.

O Benfica anunciou a contratação de João Amaral, depois de uns negócios já adiantados no ano passado. A questão aqui é: um bom jogador num Vitória, nem sempre é suficiente para um grande. Esta é a realidade. Há exceções, como é óbvio, mas é importante ter sempre em mente que nem todos os que brilham nos ditos pequenos brilham num grande.

Será possível inclui Amaral no Benfica? Terá Amaral qualidade para jogar no Benfica? Isto sem discutir sequer questões de titularidade.

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A verdade é que anseio pela pré-temporada, que desejo que não seja mais um “para emprestar” (essa coisa tão típica do clube da Luz). A qualidade está lá e isso é inegável. Arrisco-me a dizer até que, mesmo com 26 anos, o extremo ainda pode ser moldado e potencializado. Creio que pode dar mais do que já deu – desde que caia nas mãos corretas. Em caso de sucesso fico feliz. Numa curta carreira na primeira liga, vê-lo rumar já a um grande é recompensador. Se me dissessem para escolher um jogador do Vitória FC para rumar à Luz, João Amaral seria a minha primeira escolha, sem hesitação.

É preciso, no entanto, ser racional e separar o trigo do joio. Amaral só terá lugar com muito trabalho, raça, querer e ambição. Mas terá toda uma pré temporada para provar o seu valor ao técnico encarnado. Se o conseguir provar, tenho a certeza de que rapidamente cairá nas graças dos adeptos benfiquistas (tal como aconteceu em Setúbal). Caso contrário, e se for para andar na B e fora das convocatórias, prefiro que o Benfica o empreste a um clube onde possa continuar a jogar regularmente.