“A glória é agora”, foi com este lema que João Noronha Lopes se apresentou como candidato às próximas eleições do Sport Lisboa e Benfica, marcadas para outubro deste ano, que prometem ser as mais concorridas e, provavelmente, mais equilibradas dos últimos tempos. Surge, assim, como o quarto candidato, já depois dos anúncios de Luís Filipe Vieira, Rui Gomes da Silva e Bruno Costa Carvalho.

Sócio nº 5001 do SL Benfica, João Noronha Lopes apresenta um vasto, diversificado e enriquecedor currículo, marcado por diferentes áreas e etapas ao longo da sua carreira, tanto a nível nacional como internacional, entre as quais se enquadra a experiência como Vice-Presidente do clube, entre os anos de 2000 e 2001, na então direção presidida por Manuel Vilarinho que, na altura, contribuiu para afastar João Vale e Azevedo da presidência do SL Benfica.

O discurso de apresentação da candidatura pautou-se por uma enorme elevação, assertividade, ponderação, racionalidade e objetividade, assente, essencialmente, em três pilares que vigoram como principais objetivos para o futuro do clube: ambição, credibilidade e transparência.

Além disso, o discurso teve um cariz muito emocional, percebendo-se a forte ligação afetiva com o clube, achando pertinente neste parâmetro destacar uma frase que, a meu ver, foi marcante e, posteriormente, bastante citada pelos adeptos encarnados: “Queremos um Benfica que sonha o mesmo sonho dos que não dormem por sua causa”.

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Outras ilações que, eventualmente, poderão ser retiradas desta apresentação são: o reconhecimento do trabalho feito pelo atual presidente, Luís Filipe Vieira, e, simultaneamente, a necessidade de mudança, de novas ideias e medidas, para dar continuidade ao que já foi feito, patente, por exemplo, no desejo de aliar a sustentabilidade financeira a um maior sucesso no plano desportivo, quer no futebol quer nas restantes modalidades.

Esta ambição tem em conta as condições atuais do Benfica, que permitem fazer mais e melhor e, ainda, um clube mais transparente, mais próximo dos sócios e adeptos, independentemente do estrato social, cor, raça, ideologia ou outros pressupostos, afastando-o um pouco da vertente de empresa, negócio, lucro e tratamento dos adeptos como meros clientes, tal como se tem assistido nos últimos anos.

Apesar de a candidatura ter sido divulgada há poucos dias, são já vários e consideráveis os apoios que têm sido tornados públicos a esta figura, alguns dos quais nomes com reputação, significado e peso no universo benfiquista: Ricardo Araújo Pereira, Pedro Adão e Silva, Vasco Mendonça, Pedro Ribeiro, Pedro Norton, António Pedro Vasconcelos, Luís Seara Cardoso, entre outros, e, mais recentemente, mas igualmente revestidos de enorme preponderância, os antigos campeões europeus do clube, nomeadamente Mário João, Fernando Cruz, Ângelo Martins e António Simões (os dois primeiros vieram, entretanto, a público dizer que não apoiavam esta candidatura).

Portanto, a partir disto, podemos perceber que será uma candidatura bastante forte e com legítima aspiração a obter a vitória nas eleições. No mesmo sentido, a enorme mobilização que tem sido feita para a divulgação do manifesto eleitoral, assim como para a subscrição da candidatura é outro aspeto que convém realçar, colocando perfeitamente em evidência a excelente organização, competência e, também, a ideia de que foi algo bem trabalho, com bastante preparação prévia, sustentado e que não surgiu apenas por egocentrismo ou objetivo de chamar as atenções e ganhar algum protagonismo.

Em sentido contrário, é com muita tristeza e preocupação que vejo a pouca cobertura e menção que tem sido atribuída pela BTV às eleições do clube, juntamente com a ausência de debates, ainda mais quando, como canal oficial do clube, deveria ter o bom senso de informar os adeptos e sócios de todos os assuntos ligados ao SL Benfica, permitindo que estes escolham o melhor rumo para o futuro desta grandiosa instituição.

Os relatos recentes de pessoas expulsas das instalações nas imediações do Estádio do SL Benfica e as recusas de algumas Casas do Benfica em permitirem que determinadas pessoas recolham assinaturas a favor de outras candidaturas que não a do atual presidente do clube, são outros sinais de falta de democracia, opinião e liberdade. Como tal, Bernardo Silva, jogador (e adepto) muito querido pela massa associativa, mostrou, igualmente, a sua indignação e descontentamento com a situação atual no que diz respeito ao canal do clube, com a crítica na sua página oficial do Twitter.

Para finalizar, gostaria de deixar um apelo a todos os adeptos e sócios do SL Benfica para que, independentemente do candidato que apoiam, se esforcem para termos uma campanha justa, igualitária, que permita que todos os candidatos consigam ter voz, de modo a apresentar os seus projetos, ideias, constituição das listas e pessoas escolhidas para os cargos, assim como outras opções e diretrizes para o futuro do clube. Com debate, troca de opiniões e possibilidade alargada de escolha, este cenário será possível e, no fundo, quem sairá como grande beneficiado será o Sport Lisboa e Benfica, numas eleições que deverão ser vistas como um sinal de vitalidade, na escolha pelo 34º Presidente do clube.

Artigo revisto por Diogo Teixeira