Não deixa de ser curioso que, exatamente um dia depois de Jorge Jesus ter dito que o Benfica tinha capacidade para fazer uma segunda volta melhor do que a primeira – recordo que os encarnados perderam apenas quatro pontos em 51 possíveis -, as águias deram o primeiro sinal de que tal objetivo será, evidentemente, uma árdua tarefa (se não mesmo impossível).

No passado domingo, o Benfica deixou em Paços de Ferreira três dos quatro pontos de manobra que permitiam efetuar uma segunda volta melhor do que a primeira. Das duas derrotas registadas até agora, Jorge Jesus tem culpas diretas na perda dos três pontos. Há um padrão que se vem revelando ao longo da era de Jorge Jesus: o treinador encarnado muito raramente toma as melhores opções durante o decorrer dos jogos (principalmente dos jogos de dificuldade média/elevada). Perante as adversidades e resultados menos positivos no decorrer da partida, como foi o caso dos jogos frente ao SC Braga e frente ao Paços de Ferreira, Jorge Jesus opta sempre por retirar um homem do meio-campo e colocar (mais) um avançado.

Em Braga, com o marcador empatado (1-1) , o treinador português, ao minuto 62, decidiu tirar Samaris e colocar Jonas, obrigando Enzo Pérez  jogar como trinco e Talisca no apoio aos avançados. A aposta revelou-se catastrófica: o Benfica perdeu o controlo do meio-campo, ofereceu espaço a Tiba e a Rúben Micael para colocarem a bola nos rapidíssimos alas bracarenses, perdeu toda a ligação ente setores e sofreu justamente o segundo golo da partida, alcançado por Salvador Agra, que ditou a vitória do SC Braga. Na retina ficou que, mesmo com dois avançados em campo e Talisca no apoio, a bola nunca chegou junto dos homens da frente, e o Benfica não teve habilidade para construir jogadas de perigo (exceção para o último lance da partida, onde Matheus foi protagonista).

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Jorge Jesus continua a cometer o mesmo erro
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Em Paços, tal como em Braga, com a partida empatada a zeros, Jorge Jesus decidiu arriscar tudo retirando novamente Samaris de campo e colocando Derley (82’). O Benfica passou a jogar com três avançados (Jonas, Lima e Derley) e sem nenhum homem no meio-campo de cariz defensiva. À imagem do jogo da “pedreira”, os encarnados deixaram de ter equilíbrio e nunca mais foram uma equipa com personalidade. Pelo contrário, sem ninguém com capacidade para construir de forma criativa os lances de ataque, o Benfica foi uma presa fácil para a organizada equipa pacense. O golo da vitória, alcançado por Sérgio Oliveira na marcação de uma grande penalidade, premiou a paciência e o espírito coletivo da equipa comandada por Paulo Fonseca.

Perante isto, é legítimo questionar o porquê de Jorge Jesus insistir em oferecer, literalmente, o meio-campo ao adversário em situações como as de Braga e de Paços de Ferreira. Ter dois ou três avançados na área nunca significou uma grande eficácia ou percentagem de golos. Sempre que o treinador benfiquista recorre a este tipo de solução, os encarnados mudam a sua identidade, a sua forma de jogar, tornam-se previsíveis e, logicamente, a dificuldade para fazer um golo aumenta exponencialmente. Pior: nas duas situações demonstradas, o Benfica não só não conquistou os três pontos como ainda deixou fugir um, relativo ao empate. Ainda diz o ditado que “quem não arrisca não petisca”…

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Neste momento, as águias podiam ter mais sete, nove, dez ou treze pontos do que o FC Porto. Mas é importante não esquecer que se o Benfica tem mais seis pontos do que o segundo classificado, em tudo o deve ao seu treinador. Jorge Jesus é um dos melhores treinadores do mundo… só não o é em tudo.

Foto de capa: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

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