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Jonas vs. Jiménez: Muito além dos Golos

João Reis · 4 min

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O avançado carrega nas suas costas todo um culminar de ideias e métodos, que por si só deveriam o levar ao sucesso. Mas a verdade é que o futebol não é assim tão linear. E na grande aérea, nada se perde, tudo se transforma.

É nessa zona do campo onde a ação tem de vir colada ao pensamento. Costuma-se dizer que ali, quem joga é a bola. Apesar do foco (a baliza), estar tão perto, a verdade é que a complexidade aumenta.

Ou por dificuldades a finalizar, ou somente porque pisar tal espaço retira qualidade nas decisões, há quem perca competências, o que leva a muitos bons avançados, a não se evidenciarem tanto. E isto tudo porque o “Golo” é o juízo final de contas para o jogador.

Jonas e Raul Jiménez são os prediletos de Rui Vitoria desde há três anos para cá. Os que mais confiança transmitem ao treinador. Jogadores muito diferentes nas suas características, são capazes de oferecer contextos sinónimos ao jogo. O que enriquece o plantel encarnado. Foram em inúmeras vezes, os responsáveis de muitas conquistas. Sempre pelos golos, fosse com regularidade e em número, ou pelos poucos, mas importantíssimos.

Verdade seja dita, que apesar da qualidade de ambos ser reconhecida, existe um Benfica com Jonas e outro com Jiménez. Perde-se e ganha-se com um e com outro. Características diferentes, abordagens diferentes. Mas no final de contas, o que é que realmente a equipa tem a ganhar com um e com outro?

Legenda: Excelente pormenor de Raul, a cruzar de letra para finalização de Jonas
Fonte: SL Benfica

Dentro da aérea Raul, mexe-se como poucos. Sempre muito confiante nas suas ações e na forma como aborda cada lance. Apesar de fora da zona de finalização, não ter tanta capacidade técnica que lhe permita chegar mais perto da baliza e com critério, consegue sempre encontrar caminhos mais objetivos para o golo. Defensivamente, com as suas características físicas, o Benfica ganha a capacidade de pressionar mais alto e controlar os espaços entre os defesas e os médios adversários.

Um verdadeiro trabalhador dentro de campo, que faz qualquer defesa elevar os níveis de intensidade ao mais alto. Por outro lado, o mexicano denota dificuldades quer na sua tomada de decisão, quer na relação com a bola. Apesar de mais hábil do ponto de vista motor relativamente a Jonas, várias são as vezes que demonstra debilidades quando tem que decidir rápido e assertivamente.

Jonas não tem a mesma habilidade física que Jiménez. Não oferecendo á equipa a possibilidade de pressionar alto e constantemente. Neste aspeto defensivo, Jonas perde para Jiménez, no que pode oferecer durante os 90’ minutos de jogo. E não é tanto pela idade (trinta e quatro anos), mas sim pelas suas outras características que fazem sobrepor acima de qualquer outro aspeto físico.

Legenda: Jonas tornava-se o segundo melhor marcador estrangeiro do Benfica
Fonte: SL Benfica

É a bola que entra na baliza e não o jogador. E Jonas sabe disso melhor que ninguém!

O avançado brasileiro, tem sido ao longo destes anos que tem jogado na Liga, um dos mais elogiados de sempre por cá. E não é só pela quantidade enorme de golos que marca, mas também pela forma como marca e dá a marcar. O que joga e faz jogar em campo, faz dele o melhor jogador do campeonato dos últimos quatro anos. A forma como se move e decide no espaço entre os defesas e médios, é notável.

A sua capacidade de decisão e qualidade técnica a aparecer para ligar o jogo por dentro, torna o Benfica uma equipa capaz de criar perigo nos espaços entre as linhas adversarias. Com um entendimento superior ao jogo em relação aos demais na liga, Jonas é o centro de todo o jogar de uma equipa, porque consegue sempre dar ao jogo aquilo que ele lhe pede. Percebe quando tem de pausar e quando tem de acelerar. Isto faz dele um jogador completo no que toca aos momentos de jogo.

É notório a forma como consegue encarar cada abordagem ao lance, estando sempre à frente na linha de pensamento do adversário. E sendo melhor ofensivamente, torna-se também mais seguro defensivamente. Porque tendo mais bola, defende menos, e porque perdendo-a com o jogo mais organizado, estará mais preparado para na transição defensiva anular os contra-ataques adversários.

No jogo anterior para o campeonato, Sporting CP x SL Benfica, que terminou empato 0-0, foi notório a diferença da equipa, quando Jonas entrou. Bastou dez minutos em campo, para mostrar toda a qualidade que pode entregar ao jogo. Desde o seu afastamento dos relvados na 29.º jornada contra o Vitoria FC, que Jiménez agarrou a titularidade, e bem. Não há dúvidas que são ambos dois grandes avançados. Mas a verdade é que com Jonas, o Benfica por esta altura, poderia estar a festejar o pentacampeonato, ou pelo menos, ainda estar na luta até ao fim.

Foto de Capa: SL Benfica

João Reis

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