Com a janela de transferências já bem no passado é necessário olhar para além das contratações que chegaram ao SL Benfica. Este defeso fica também marcado pelo elevado número de jogadores que saíram emprestados. Yoni Gonzalez, Cadiz, Pedro Pereira, Krovinovic, Alfa Semedo, Florentino e os dois casos particulares de Jota e Tomás Tavares.

Os dois jovens portugueses saíram emprestados para o campeonato espanhol. Jota ingressou no Real Valladolid CF e Tomás Tavares no Deportivo Alavés. É inegável que ambos os jogadores necessitam de minutos para evoluir, mas terão sido estas as soluções ideias tendo em vista o seu desenvolvimento?

O campeonato espanhol é indiscutivelmente um contexto competitivo muito mais exigente do que a liga portuguesa, mas um empréstimo em terras nacionais teria sempre mais vantagens.

Apesar de estes clubes espanhóis não competirem por nenhum título ou qualificação europeia, precisam de resultados imediatos com vista a assegurar a manutenção (estão ambos em zona de despromoção). Isto será sempre negativo para dois jogadores que necessitam de jogar, errar, continuar a jogar e evoluir.

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Até se pensarmos nos encaixes específicos dos jogadores nestas equipas, percebemos que a escolha não foi a melhor. A equipa do Deportivo Alavés joga habitualmente com três centrais, o que obrigará Tomás Tavares a jogar como lateral ofensivo pela direita. Esta posição irá expor as debilidades do jovem português.

Ainda para mais, esta equipa espanhola joga muito nas transições o que novamente prejudica o jovem encarando, que faz da sua capacidade na primeira fase de construção uma das suas melhores características. A meu ver, o FC Famalicão seria perfeito para o desenvolvimento do jovem lateral.

O mesmo se pode dizer sobre Jota. Está inserido numa equipa que tem muito pouca bola, o que vai tornar cada ação com o esférico muito mais crucial. Este tipo de contexto privilegia jogadores muito mais físicos, coisa que Jota não é. Equipas como o Famalicão ou o Boavista FC tinham sido ideias para as suas características.

As duas equipas do país vizinho não abundam em qualidade, mas a verdade é que contam com muitos nomes muito mais experientes, que com objetivos imediatos certamente terão mais minutos. Nem Jota nem Tomás Tavares têm qualquer minuto até ao momento.

Pensemos, nos últimos 10 anos, em todos os empréstimos ao estrangeiro. Quantos é que tiveram sucesso e regressaram ao clube das águias? O único caso de sucesso que me ocorre é o de Rodrigo, que esteve uma época emprestado ao Bolton Wanderers FC.

Muitas vezes, no clube encarando, os empréstimos servem sobretudo para a valorização económica do ativo e nunca para o crescimento desportivo do jogador. Por muito que seja positivo o tempo de jogo (que nem sequer é garantido) que os jogadores terão, a probabilidade de regresso (como opção viável) ao SL Benfica é praticamente nula. O Erasmus em Espanha não será positivo.

A continuar esta tendência de gestão desportiva, serão muitos os jogadores que se irão perder para o futebol português e do SL Benfica.

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