A CRÓNICA: EMOÇÃO PARA QUÊ E PARA QUEM?

Não havia público nem havia necessidade. Num jogo desnecessariamente equilibrado, o SL Benfica entra a vencer na presente edição da Liga Europa. Na Polónia, frente ao KKS Lech Poznan SSA, os encarnados triunfaram por 4-2, com um hat-trick de Darwin. Segue-se o Standard Liége e, pelo meio, o B-SAD e segue-se a crónica com as incidências da partida.

Aos oito minutos de jogo, surge o primeiro lance capital. Grande penalidade assinalada a favor das águias, por mão na área polaca, após cruzamento rasteiro de Waldschmidt. Pizzi assume a marcação e, ao estilo de Bruno Fernandes, dá, pela primeira vez na partida, trabalho ao encarregado do placar eletrónico do City of Poznan. Vantagem encarnada e dedicatória a André Almeida.

Dobrado o tempo do golo inaugural, o Lech Poznan chega ao empate. Como? Como se esperava: fazendo bom proveito do bloco alto das águias e procurando e encontrando a profundidade nas costas da linha defensiva encarnada, pela esquerda. Czerwinski é quem encontra essa profundidade e quem serve Ishak para o encosto.

Aos 24 minutos, quase dilata a vantagem… o Lech. Na sequência de um canto, Moder remata em vólei de cima para baixo com o esférico a beijar a relva e de seguida a trave da baliza de Vlachodimos. Grimaldo a marcar o adversário com os olhos da nuca e por muito pouco não se consuma a reviravolta polaca.

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42 minutos e mais uma inauguração: o marcador já o tinha sido, desta feita é o frasco de Ketchup de Darwin que é inaugurado. Bom trabalho coletivo da turma de Jorge Jesus que culmina com um cruzamento milimétrico de Gilberto – talvez o seu ponto mais forte – para um grande golpe de cabeça do uruguaio.

Boa elevação e suspensão a suportarem um bom gesto técnico na estreia a marcar do “9” das águias e vantagem (mínima) no marcador favorável aos visitantes na saída para o intervalo.

Boa entrada do SL Benfica na segunda metade, melhor entrada ainda do Lech Poznan. Aos três minutos, Ishak bisa na partida em recarga no corredor central, após uma interessante jogada combinativa pela esquerda e pelo centro do ataque polaco. Antes, Darwin e Waldschmidt haviam desperdiçado uma dupla oportunidade para dilatar a vantagem das águias.

Quem marca um, marca dois. Uma vez aberto o frasco de Ketchup, eis os golos de Darwin, que, à hora de jogo, bisa na partida. Bem servido por Everton, que encontrou espaço no corredor central vindo da “sua” ala esquerda, trabalha bem – e com classe – e finaliza cara a cara com Bednarek.

O golo parece congelar a equipa de Poznan até aos 70 minutos. Dos 70′ aos 80′, a partida é toda – mas toda – dos polacos. Vale Odysseas. Dos 80 minutos em diante, o SL Benfica equilibra a partida – mais ou menos – e, em período de descontos, Darwin muda a sua Teoria para um provérbio: “não há duas sem três”.

Hat-trick consumado e vitória sofrida assegurada. Valeu pelos três pontos e pelos três golos do uruguaio.

A FIGURA

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Darwin Núñez – Três golos e muito trabalho. É este o resumo da exibição do avançado uruguaio que, na estreia a marcar, apontou logo um (tão necessário) hat-trick, exibindo uma capacidade prolífica, técnica e aérea até então pouco vislumbrada. Respondeu à seca de golos pessoal e ao bis de Ishak e granjeou a importante distinção de Figura do Jogo Bola na Rede.

O FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Grimaldo – Defende mal e ataca bem. Isto é o que costuma definir Grimaldo. Hoje não foi. Hoje, defendeu mal e atacou da mesma forma. Foi o elo mais fraco da equipa até ser substituído por Nuno Tavares. O lugar vai continuar a ser seu, mas Nuno Tavares (que não esteve muito melhor) vai estar à espreita de mais exibições como a de Poznan.

 

Análise Tática – KKS Lech Poznan SSA

Os polacos defendiam com uma linha de cinco, uma de quatro e Ishak na frente a pressionar com o olhar. As três linhas não deixavam muito espaço entre si, apesar das tentativas de as penetrar de Taarabt e Pizzi (este na primeira parte) sobretudo, e o bloco era, regra geral, baixo.

Em ataque posicional e numa prova de coragem, a equipa polaca trocava a bola em zonas bem próximas da sua baliza para obrigar o bloco adversário a subir o mais possível. Nessa troca de bola, para obrigar os homens da pressão encarnada a correrem, os centrais abriam bastante, dando os laterais a restante largura – até aos limites laterais do terreno de jogo.

Moder e Tiba preenchiam o meio campo polaco para prender Gabriel e Taarabt e os alas juntavam-se aos elementos mais avançados para formar uma linha de quatro que se colava à linha defensiva encarnada. No momento certo, a bola era por fim lançada em profundidade.

Alheia às movimentações do marcador, a turma de Dariusz Zuraw não perdeu nunca a sua forma e o seu conteúdo, alterando apenas os intervenientes. Ainda assim, há que registar que nos últimos 15 minutos o Lech Poznan apostou numa dupla de ataque mais clara e destacada do que até então.

XI INICIAL E PONTUAÇÕES

Bednarek (6)

Czerwinski (5)

Crnomarkovic (5)

Puchacz (5)

Dejewski (5)

Moder (5)

Ramírez (5)

Pedro Tiba (5)

Skoras (5)

Ishak (7)

Kaminski (6)

SUBS UTILIZADOS

Marchwinski (5)

Muhar (5)

Kravets (5)

Katcharava (6)

Awaed (-)

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

Jorge Jesus não fugiu muito ao XI titular e ao sistema cada vez mais “tipo” ou padrão, apostando num 4-2-3-1 assente na mobilidade e intercâmbio de corredores de Waldschimdt e Pizzi – na primeira parte, Rafa na segunda -, pelo centro e pela direita, respetivamente, com a regular intervenção de Everton na manobra ofensiva que passava muito também pelo quarto elemento da frente ofensiva encarnada, Darwin.

Gabriel e Taarabt alinhavam num duplo pivô de meio campo que funcionava como um sistema de duas estrelas, orbitando-se mutuamente, ainda que não com o brilho necessário. Assim, ambos descaíam para ambas as alas, consoante as necessidades de equilíbrio requeriam.

Em ataque posicional, Pizzi funcionava como médio, abrindo alas – no caso a direita – para Gilberto. Grimaldo subia como sempre e a construção a três ficava a cargo dos centrais e de Gabriel, com Taarabt e Pizzi a permear a (relativamente) boa organização defensiva polaca.

No momento defensivo, Darwin e Waldschmidt pressionavam alto – um pouco “a pedido” do Lech Poznan – os alas e a dupla de médios tentavam fazer o mesmo e a linha de quatro defesas não se desmanchava, fruto dos vários jogadores de azul que procuravam a profundidade.

A defesa à zona imperava nas bolas paradas, não tendo estado suficientemente oleada para travar as ofensivas aéreas – sobretudo – da equipa polaca, que tem precisamente no jogo pelo ar uma das maiores virtudes.

Na segunda parte, notaram-se algumas nuances táticas nos encarnados, fruto da troca de Pizzi por Rafa. Apesar de também aparecer regularmente no meio, Rafa alinhava mais pela ala do que Pizzi e tornava mais evidente o 4-2-3-1/4-4-1-1 do SL Benfica.

Para os últimos cinco minutos, JJ lançou Jardel e passou a jogar com três centrais para tentar por fim dar conta do enorme e árduo recado que se havia revelado, desde a sua entrada em campo, Katcharava.

XI INICIAL E PONTUAÇÕES

Vlachodimos (7)

Gilberto (5)

Otamendi (5)

Vertonghen (5)

Grimaldo (4)

Gabriel (6)

Taarabt (5)

Pizzi (7)

Everton (5)

Waldschmidt (5)

Darwin (8)

SUBS UTILIZADOS

Rafa (5)

Weigl (5)

Pedrinho (5)

Nuno Tavares (5)

Jardel (-)

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

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O desporto bem praticado fascina-o, o jornalismo bem feito extasia-o. É apaixonado (ou doente, se quiserem, é quase igual – um apaixonado apenas comete mais loucuras) pelo SL Benfica e por tudo o que envolve o clube: modalidades, futebol de formação, futebol sénior. Por ser fascinado por desporto bem praticado, segue com especial atenção a NBA, a Premier League, os majors de Snooker, os Grand Slams de ténis, o campeonato espanhol de futsal e diversas competições europeias e mundiais de futebol e futsal. Quando está aborrecido, vê qualquer desporto. Quando está mesmo, mesmo aborrecido, pratica desporto. Sozinho. E perde.                                                                                                                                                 O Márcio escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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