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Lima, o homem-sombra de que a Luz terá saudade

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O sucesso tem o seu preço e o do Benfica tem sido a enorme cobiça aos seus principais ativos, que têm tornado cada defeso numa autêntica novela e debandada no plantel principal, sobretudo no onze base. Basta recuarmos dois anos para perceber que tudo está diferente e que quase todos os protagonistas já mudaram de ares. Oblak e Siqueira foram para Madrid, Garay está na Rússia, Maxi foi para Norte, Matic é peça fundamental no esquema de Mourinho, Enzo rumou a Valencia para ser companheiro de Rodrigo e André Gomes, Markovic representa o Liverpool, Cardozo está na Turquia para onde Artur foi este ano e, por último, Lima rumou ao Dubai para ganhar a sua reforma dourada. Luisão, Salvio e Gaitán são exceções, embora El Zurdo esteja sempre nas bocas do mundo para uma eventual trasnferência, mas a saída nunca foi consumada. Será este ano?

Com tantas mudanças e alterações no onze base era normal que qualquer equipa se ressentisse, mas o Benfica tem dado provas de uma estrutura forte que não abala com a saída de ninguém e está sempre pronta a responder às adversidades. Esse é um dos méritos de Luís Filipe Vieira, a construção de um clube sólido e estável, e era também um dos méritos de Jorge Jesus, de preparar todos os jogadores para responderem positivamente sempre que chamados a intervir, sendo mais ou menos utilizados. Apesar de todas as épocas existir um 11 base, JJ conseguiu incutir as dinâmicas coletivas em todos os elementos que passaram pelo Seixal e reduzir assim o impacto de saídas de jogadores preponderantes. Saiu Javi e Witsel e muitos anunciaram o fim do Benfica, mas mal sabiam que no laboratório já Matic estava super afinado e pronto a brilhar e que Enzo Perez podia ser um 8 de grande qualidade, em vez de extremo. Os dois saíram e Fejsa, Samaris e Pizzi deram conta do recado. Garay saiu, Jardel afirmou-se e ninguém se queixou. Idas perspicazes ao mercado supriram outras ausências, tendo como maior exemplo a aquisição de Jonas. Alguém se lembra de Rodrigo?

Por fim, dou o exemplo de André Almeida, que, a meu ver, é um exemplo claro de que as dinâmicas coletivas estavam bem incutidas. O internacional português fazia de defesa-direito, esquerdo e a posição 6 (lembram-se do jogo em Alvalade?) de forma satisfatória, sem nunca ser brilhante, mas sem comprometer.

"Vou guardar o Benfica no meu coração! Estou contente pelo trabalho que fiz no Clube. Agradeço ao Presidente, aos meus colegas e o carinho dos adeptos que carregam a mística Benfiquista" - Lima
“Vou guardar o Benfica no meu coração! Estou contente pelo trabalho que fiz no Clube. Agradeço ao Presidente, aos meus colegas e o carinho dos adeptos que carregam a mística Benfiquista” – Lima

Podia continuar a enumerar algumas destas trocas, mas elas estão bem presentes na memória de todos e, hoje, são poucos os benfiquistas que choram e que fazem de uma transferência o fim de uma equipa. É fruto da estabilidade e da solidez que o clube vive, e Rui Vitória só dará continuidade a este facto, também ele habituado, embora num clube de nomeada mais baixa, a dar resposta a muitas ausências e saídas do plantel. É um treinador que valoriza as dinâmicas coletivas e as põe acima de tudo e acima das individualidades.

Ora, este ponto a favor de Rui Vitória e a forma bastante positiva como, num passado recente, o Benfica tem saído dos defesos deixam-me mais tranquilo em relação à saída de Lima, uma peça essencial nos últimos anos na Luz.

O brasileiro nunca foi uma figura de proa, uma estrela, nunca foi o ídolo do Terceiro Anel e foi até criticado várias vezes, inclusive no início da temporada que findou, por escassez de golos e erros gritantes de finalização. Lima sai agora da Luz, sem o “barulho” que outros fizeram, sem o “choro” da maior parte dos adeptos, mas o camisola 11 fará tanta ou mais falta que todos os outros. Não digo com isto que Lima é insubstituível porque não o é, aliás, o Benfica não tem jogadores com esse estatuto, mas o goleador será um dos mais difíceis de substituir por parte da estrutura.

É certo que muitas vezes Lima nos pôs os nervos em franja com os seus falhanços, desacertos ou faltas de inspiração, mas foram muitas mais as vezes em que nos fez levantar da cadeira e vibrar. Como gritamos com aquela bomba frente à Juventus que nos pôs na final de Turim! Alguém se esqueceu? E aquele hábito natural de marcar no Dragão? Foram dois tentos no ano passado quando, para todos, iríamos ser goleados. As saudades que vamos ter tuas quando lá voltarmos…

 70 golos de águia ao peito em 3 anos, com uma média de 23,33 tentos por época

70 golos de águia ao peito em três anos, com uma média de 23,33 tentos por época

Existem poucos jogadores com as características de Lima: trabalhadores, possantes, que conseguem viver na sombra de outra referência sem serem afetados por isso e mesmo assim fazerem golos atrás de golos. São 70 os golos que Lima fez em três épocas de águia ao peito, um número bastante interessante para um avançado que, como tantas vezes ouvi dizer, “se esforça muito mas não marca golos”. Lima marcava, dava a marcar e também salvava golos! Era o primeiro elemento a defender e era fundamental na transição ataque-defesa de Jorge Jesus.

Lima foi quase sempre o homem-sombra do ataque benfiquista, ora com Cardozo, ora com Rodrigo e por fim com Jonas. Os golos, esses, foram sempre partilhados e nunca os números do seu parceiro foram muito superiores aos seus. Tacuara fez 33 golos em 2012/13 contra 30 de Lima, Rodrigo fez 18 em 2013/14, tendo Lima feito 21 e, por último, Jonas fez 31 com o camisola 11 a fazer 19.

O avançado brasileiro é um daqueles jogadores com quem é fácil fazer parelha e que ajuda a sobressair o colega de forma imediata, com a sua tamanha humildade e sacrifício de equipa. Que o diga Jonas, que chegou, viu e venceu!

 Formou com Jonas uma das melhores duplas atacantes dos últimos anos

Formou com Jonas uma das melhores duplas atacantes dos últimos anos

O ex-Valencia foi o jogador que mais brilhou ao lado de Lima e o que melhor interpretou as suas movimentações. Jogavam quase de olhos fechados e basta analisar as estatísticas e perceber que, esta época, o Benfica começou a melhorar quando os dois coabitaram no mesmo onze e se começaram a entender. A partir daí, os golos de ambos não mais pararam.

Jonas formará, agora, uma dupla com outro jogador ou atuará sozinho na frente de ataque, num dilema que Rui Vitória terá de resolver. Jonathan é uma estrela a precisar de ser lançada para a pista e está na linha da frente da sucessão, já que Nelson Oliveira não parece a melhor alternativa. Uma ida ao mercado para trazer um avançado é uma solução bem real, mas confesso que preferia ver o uruguaio como o eleito, tal como escrevi há algumas semanas. É um talento e não pode ser desperdiçado! Para além disso tem características que assentam perfeitamente no 4-4-2 e que deverão combinar bem com Jonas (se este não sair).

Seja o que for que Rui Vitória escolher, Lima deixará sempre saudades para os benfiquistas que gostam verdadeiramente de futebol e do jogo, ao contrário daqueles que apenas querem saber quem empurra a bola lá para dentro. E até desses Lima devia receber um aplauso, ou melhor, 70 aplausos!

Todas as imagens são do Facebook do Benfica

A mãe diz-lhe que começou a ler aos 4 anos, por causa dos jornais desportivos. Nessa idade já ia com o pai para todo o lado no futebol e como sua primeira memória tem o França x Brasil do Mundial 1998. Desde aí que Zidane é o seu maior ídolo mas, para ele, Deus só há UM: Pablito Aimar.                                                                                                                                                 O Luís não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

A mãe diz-lhe que começou a ler aos 4 anos, por causa dos jornais desportivos. Nessa idade já ia com o pai para todo o lado no futebol e como sua primeira memória tem o França x Brasil do Mundial 1998. Desde aí que Zidane é o seu maior ídolo mas, para ele, Deus só há UM: Pablito Aimar.                                                                                                                                                 O Luís não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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