O ciclo de 17 anos de Luís Filipe Vieira ao comando do SL Benfica poderá terminar muito em breve. Há mais contestação do que nunca, havendo já vários candidatos a apresentarem as respetivas candidaturas para as eleições, que irão decorrer em outubro. Pelo caminho fica uma excelente recuperação financeira e inúmeros títulos.

Porém, os benfiquistas já estão fartos da falta de transparência e da má gestão desportiva da atual direção, estão fartos dos escândalos que mancham a imagem do clube, estão fartos das promessas de um Benfica forte na Europa, sem que nada seja feito para que tal aconteça, e, acima de tudo, os benfiquistas estão fartos das mentiras de Luís Filipe Vieira. De resto, o nome de LFV foi abordado por Toy, no Bola na Rede TV. Na altura, o cantor teceu duras críticas ao presidente encarnado, tendo revelado uma situação que coloca em causa o valor da palavra de Vieira.

Atualmente, os encarnados encontram-se a oito pontos do FC Porto que, é bom recordar, chegou a estar sete pontos atrás das “águias”. Um feito notável por parte da gestão de Luís Filipe Vieira, tendo em conta que um Benfica que “apresenta a melhor saúde financeira das últimas décadas”consegue, em três anos, perder o campeonato duas vezes para um FC Porto intervencionado pela UEFA, com um plantel manifestamente fraco (tendo em conta os plantéis que os azuis e brancos já tiveram) e com um treinador, Sérgio Conceição, que em janeiro estava com um pé e meio fora do Dragão.

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A famosa “estrutura”, que Vieira tanto apregoa, tem demonstrado um amadorismo e incompetência gritantes no que diz respeito ao planeamento das últimas épocas. É bom recordar que na época 2017/2018, temporada em que as “águias” podiam chegar ao inédito pentacampeonato, assistimos a um desinvestimento brutal na constituição do plantel principal, com apenas cerca de nove milhões e meio de euros a serem injetados na equipa, face aos 21 milhões de euros gastos pelo FC Porto. Isto depois de os encarnados terem vendido Ederson, Nélson Semedo e Lindelof, jogadores importantes cuja saída enfraqueceu bastante o plantel, sendo que a “estrutura” nada fez para ir buscar jogadores de qualidade de modo a colmatar essas mesmas ausências.

A mesma situação se verificou na presente temporada, desta feita com as saídas de João Félix e Jonas, jogadores fulcrais na conquista do campeonato no ano passado. O sistema de jogo que Bruno Lage privilegiava era o 4-4-2, com um segundo avançado que vinha buscar jogo entrelinhas adversárias, ligando o meio campo com o ataque. Nos últimos anos, esse papel tinha sido desempenhado por Jonas e, na época passada, por João Félix. Pois bem, com ambos os jogadores a abandonar o Benfica, seria de esperar que se fosse buscar alguém para desempenhar essa função.

No entanto, observámos a chegada de Raúl de Tomás, por 20 milhões de euros e de Vinícius, por 17 milhões. Foram gastos mais de 37 milhões de euros em dois pontas de lança cujo estilo de jogo é semelhante, sendo que nenhum deles oferece o que João Félix e Jonas ofereciam à equipa.

Além disso, é absolutamente ridículo o facto de o Benfica ainda não ter ido buscar um defesa direito que acrescente qualidade ao plantel. Desde a saída de Nélson Semedo, em 2017, que o corredor direito está entregue a André Almeida, um jogador que não tem qualidade para ser um titular indiscutível num clube com a dimensão do Benfica.

Outro argumento absolutamente falacioso, e que é usado por Vieira para justificar a falta de contratações que tenham impacto positivo na equipa, é que os reforços necessários para construir uma equipa competitiva estão (quase) todos no Seixal.

Está à vista de todos que o Benfica Futebol Campus tem muitos jovens jogadores de qualidade que, a qualquer momento, podem dar o salto para a equipa principal. No entanto, e se queremos um Benfica hegemónico em Portugal e forte na Europa, é necessário ir buscar jogadores já formados, cuja experiência possa beneficiar a equipa. É necessário ir buscar mais jogadores com créditos firmados, jogadores como Weigl, porque são esse tipo de jogadores que permitem com que o Benfica chegue a níveis competitivos mais elevados.

A atual situação que o Benfica atravessa é exemplarmente abordada por Vasco Mendonça, no programa “Dia Seguinte” de 29 de junho, na SIC Notícias, logo após a derrota das “águias” frente ao CS Marítimo, que ditou a saída de Bruno Lage do comando da equipa. Na altura, LFV foi à sala de imprensa declarar que Lage tinha pedido a demissão, e que ele próprio estaria com dúvidas em relação à sua continuidade como presidente. Dias mais tarde, pasme-se, disse que ia recandidatar-se.

A maior cartada eleitoral que Luís Filipe Vieira tem para as eleições de outubro está assente na escolha de um treinador para suceder a Lage, daí a insistência em trazer um treinador sonante para o lugar. A meu ver, o único treinador de topo que poderá, eventualmente, estar ao alcance de LFV é Jorge Jesus, sendo que este não é um nome consensual dentro do universo benfiquista pelos motivos que todos conhecemos.

Com o passar dos anos, o Benfica tem sido gerido como uma empresa, privilegiando-se o lucro e deixando os resultados desportivos para segundo plano. Pois bem, os benfiquistas começam a ficar fartos deste tipo de gestão que, aliado aos inúmeros escândalos que envolvem o presidente, sendo o último a “Operação Lex”, em nada dignificam a grandiosidade e a história do Benfica.

O Sport Lisboa e Benfica foi, é e será sempre dos sócios, nunca estando ao serviço de um presidente ou de uma direção. É pedido aos benfiquistas que reflitam e que em outubro, aqueles que podem votar, pensem naquilo que querem para o futuro do Glorioso e que exerçam o seu direito com consciência.

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