Numa altura em que nos encontramos a pouco mais de um mês das eleições no SL Benfica, fica evidente o desgaste e o fim de ciclo do presidente Luís Filipe Vieira e da sua direção, alvo de muitas críticas (a maioria delas, a meu ver, com razão) por parte dos sócios e adeptos do clube encarnado, sendo que uma franja considerável anseia pela mudança e evolução do clube para outros patamares e projetos, alicerçada numa gestão baseada na transparência e ambição.

Os últimos dias ficaram marcados por episódios polémicos, com uma relação existente entre ambos, aos quais se juntaram outras atenuantes. O primeiro deles referente à Comissão de Honra de Luís Filipe Vieira, que contava com os apoios do atual Primeiro Ministro António Costa e do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa Fernando Medina. Foram várias as vozes que se levantaram e acusaram a ligação política-futebol, falando em promiscuidade e conflitos de interesses. Como tal, Luís Filipe Vieira decidiu retirar estes dois nomes da sua Comissão de Honra.

No entanto, novo episódio voltaria a manchar o nome do presidente encarnado e, sobretudo, do próprio clube, arrastado para o meio de problemas que não lhe dizem respeito. Falamos da Operação Lex, em que Luís Filipe Vieira foi constituído arguido, mas também do caso com o Novo Banco, onde Luís Filipe Vieira, segundo determinadas notícias, aparece como um dos principais devedores.

Todos estes episódios têm contribuído para manchar a reputação e credibilidade do representante máximo do clube, dando a entender que este se encontra mais preocupado com episódios da vida pessoal, secundarizando a importância do clube e usando-o, até, como escudo protetor.

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Ora, se fora do campo o cenário não se encontra brilhante, dentro dele a situação não é muito distinta. Apesar do enorme investimento em reforços (reforços esses que já deveriam ter vindo de forma faseada ao longo dos últimos três anos), o SL Benfica não conseguiu ultrapassar o PAOK na 3ª pré eliminatória de acesso à Liga dos Campeões, falhando assim um dos principais objetivos da época e perdendo, ainda, cerca de 40 milhões de euros (algo que seria obtido só pela entrada na prova), valores importantes no contexto atual, mas ainda mais devido ao investimento feito em altura de pandemia, naquele que foi um autêntico ato desesperado de all in e campanha eleitoral.

A não entrada na Liga dos Campeões é mais um elemento a acrescentar aos maus resultados desportivos do clube no último mandato. Numa altura em que os principais rivais se encontram em dificuldades financeiras, o SL Benfica não conseguiu ter o domínio total a nível interno, isto, na minha opinião, em consequência da má planificação das temporadas, com carências e lacunas gritantes na constituição dos plantéis, que, mesmo na atualidade, persistem (evidentemente em menor número devido ao investimento realizado).

Além disto, o SL Benfica encontra-se no limite do Fair-Play financeiro da UEFA no que à carga salarial diz respeito, muito por culpa de uma péssima política de constantes renovações de contrato, oferecendo salários demasiado elevados a jogadores que não têm qualidade, rendimento e estatuto para tal.

A continuidade de Luís Filipe Vieira estará muito dependente daquilo que o Benfica fizer até à data das eleições
Fonte: SL Benfica

Com outubro a chegar, a falta de explicações aos sócios e adeptos do SL Benfica por todas as situações polémicas e desprestigiantes, a intransigência no que diz respeito a debates eleitorais com outros candidatos, a priorização dos negócios e resultados financeiros, esquecendo-se aquela que deve ser a principal meta de um clube (resultados desportivos), assim como episódios passados mal esclarecidos e controversos de um passado bem recente (OPA, agressão a um sócio na AG do clube e incoerência tremenda no discurso) não abonam a favor de Luís Filipe Vieira e da atual direção.

Assim sendo, como sócio do SL Benfica gostaria de deixar a minha opinião final e fazer um apelo a todos os sócios do meu clube. É certo que, nos últimos 17 anos, Luís Filipe Vieira realizou um conjunto de ações e projetos que merecem ser realçados e engrandecidos, tanto no aspeto financeiro, desportivo e material.

Todavia, a gratidão não é um valor absoluto e o que se encontra em causa nestas eleições é o último mandato (2016-2020), devendo ficar patente que ficou muito aquém das expetativas para o potencial e obrigação que o SL Benfica possuía.

É tempo do Benfica mudar, essa mudança não será necessariamente má e acredito que, comas condições existentes, é possível fazer muito mais e melhor, no que diz respeito a todos os níveis. Não acho possível continuarmos a defender um presidente que não vê o SL Benfica como prioridade, com ideias esgotadas (ou falta delas), reinando uma incoerência e desnorte brutal.

Com mais quatro listas candidatas à presidência do clube, é tempo de ouvirmos todas as propostas, informamo-nos sobre a composição das mesmas, os projetos que defendem para elevar o clube e, acima de tudo, debatermos de forma credível, transparente e imparcial o futuro desta grandiosa instituição, sempre com respeito pela sua linda história e tradição.