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Depois de uma segunda metade da década de 90 verdadeiramente desgraçada a nível desportivo, financeiro e organizacional, o Benfica com Vilarinho e Vieira transfigurou-se. Para melhor, admito. E, sendo que considero LFV um péssimo gestor no âmbito desportivo (futebol), pouco me custa admitir que a nível institucional e estrutural há uma grande obra que não pode ser escamoteada, com a SAD a apresentar resultados financeiros interessantes, mas com um passivo galopante.

Atrás afirmei que Vieira é péssimo no âmbito desportivo. Sim, é mesmo. O Benfica é bicampeão? É. Mas o problema acontece quando o Presidente se intromete em campos que não são os seus, confundindo coisas que não podem ser confundidas. Mas isso é motivo de outra crónica. Após a Liga, talvez. Mas outra coisa também é verdade: existiram boas decisões ao nível das aquisições. No século XXI, o de Vieira no Benfica, a História consagrará Simão Sabrosa como o 1.º grande nome do clube. Falamos de um craque de 1.ª linha europeia que tornou o Benfica numa equipa mais temível do que até aí. E no título de 2005, convenhamos, levou a equipa às costas com os seus 22 golos e as suas inúmeras assistências. Não me lembro de um jogador sozinho com tanto peso no sucesso colectivo do Benfica.

Mas no âmbito das decisões de Vieira existiram outras que demoraram mais a vingar. Case in point: Luisão. Quando o central chegou, já Simão tinha dois anos de Benfica, com o ex-Cruzeiro a receber a responsabilidade de ser o patrão da defesa. A ser no sector recuado o que o extremo era para o ataque: decisivo e com qualidade extra. Não foi… Pelo menos desde logo. A primeira metade de 2003/04 foi de uma falta de qualidade confrangedora, quase em níveis “Edcarlianos”. Assustava a facilidade com que era ultrapassado. Mas Camacho persistiu e, apesar das constantes exibições sofríveis, tornou-o no patrão do sector defensivo. No final do ano, o prémio: a subida ao Jamor com a Taça de Portugal, já como titularíssimo. E a partir de 2004/05 nunca mais foi o brasileiro contestado como pilar da equipa. E os títulos sucederam-se. Menos do que aqueles de que eu gostaria, mas vieram, e sempre com Luisão a marcar o ritmo da defesa e mais tarde a capitanear-nos, após o ocaso de Nuno Gomes (jogador e capitão exemplar). Em retrospectiva, se Luisão coleccionou, entre outros títulos, quatro Ligas portuguesas, duas Taças de Portugal, duas Taças das Confederações, uma Copa América e mais de 40 presenças nos AA do Brasil, em grande medida deve-o à persistência de José António Camacho, que manteve a aposta numa fase crítica e viu nele potencial.

Com 13 temporadas de águia ao peito, Luisão é então o rosto do Benfica XXI até agora. Daqui por 50 anos, quando lermos os canhanhos da História Ilustrada do Século XXI do Sport Lisboa e Benfica, o Capitão estará lá, com o nome gravado a ouro. Como um central de qualidade, um capitão com C e com um bom palmarés. Luisão será o Benfica deste tempo em formato de jogador. A representação da Mística, numa linhagem consagrada, com nomes como António Veloso, Humberto Coelho, Toni, ou Mário Coluna. E isso nunca seria fácil, mas, a meu ver, o brasileiro conseguiu esse lugar na História, neste clube de capitães.

Mas ao longo do percurso, apesar de ter uma postura exemplar em campo e de não ficar atrás fora dele, por vezes Luisão teve algumas “variações em Ré Menor” ao longo destes anos. Não raras foram as ocasiões em que persistiu na conversa, em público, de querer sair da Luz. E já como um dos capitães de equipa. E, aquando das últimas renovações, houve sempre algum “sururu”… E esta semana o brasileiro falou em jogar até aos 40 anos. Bom, nada contra. Mas precipitou-se, porque isso dificilmente acontecerá na Luz! O capitão tem 35 anos, com contrato até 2017. No final do contrato terá 36 anos e, pelo que temos visto, dificilmente conseguirá bater os centrais após essa data. E, olhando para o comportamento do brasileiro, temo que ele persista no seu nome e no seu peso dentro do balneário para se eternizar até lá para 2017.

O capitão do SL Benfica está com vários problemas físicos nesta temporada Fonte: SL Benfica
O capitão do SL Benfica está com vários problemas físicos nesta temporada
Fonte: SL Benfica

O início desta temporada já foi algo penoso a nível exibicional para Luisão, mas acredito que ele tem ainda algo mais para dar ao Benfica. Pelo menos na próxima temporada. E não excluo a possibilidade de uma renovação até 2018, mas sempre com alguma redução salarial e numa perspectiva de passagem de testemunho para a geração seguinte. É que Lindelof tem pinta de patrão e Lisandro é bom central também. Obviamente que, se o central estiver bem fisicamente, será opção. Mesmo com 37/38 anos. Mas não podemos ter ilusões: ao nível a que o Benfica pretende estar isso é muito difícil de acontecer… E daí ter falado atrás em precipitação por parte do jogador.

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