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Nuno Espírito Santo, treinador do FC Porto, elegeu a última semana como adequada para deixar de falar de árbitros e de arbitragens – uma opção que, além de sábia, se veio a revelar muitíssimo conveniente –; agora, já só importa o futebol jogado, os golos marcados e sofridos, e qualquer “grande” que se preze, por muito que se sinta prejudicado, tem a obrigação de resolver por meios próprios, dentro das quatro linhas, os desafios que lhe são colocados. Até mesmo quando os ditos desafios surgem na forma de três golos sofridos, todos obtidos, sem excepção, no completo incumprimento das regras.

Não me querendo arvorar em crítico de arte, parece-me que estamos perante o melhor desenho da (ainda) curta carreira de Nuno; uma obra plástica de interpretação intrincada, complexa na forma e no conteúdo, com elevado espírito de contradição, mas com muito pouco de santo. Ainda assim, mais realista – já não diria honesta (não nos precipitemos no elogio) – do que as anteriores. Pois, a bem da verdade, as coisas são mesmo assim!

Respeitando, portanto, esta linha de pensamento, importa afirmar, sem mais preâmbulos, directa e claramente, para que todos os interessados o interiorizem: O Benfica empatou com o Boavista por demérito próprio e, obviamente, algum mérito do adversário. Qualquer outra explicação para o banho de Sol (e de bola) com que a nossa equipa se deleitou, sem matutar muito nos problemas da existência, durante aquela primeira meia hora, resultaria, muito em breve, noutras desilusões e, exemplos desses, existem bem próximos, e à vista de todos nós. O resultado foi, de facto, surpreendente e frustrante. Porém, não coloca minimamente em causa o que foi conseguido na primeira metade desta época; nem sequer o talento e a competência deste grupo.

E o que foi conseguido, até esta fase, pelo Benfica? A Supertaça Cândido de Oliveira; a liderança no campeonato (com quatro pontos de vantagem sobre o FC Porto e seis sobre o Sp. Braga); os apuramentos para os quartos-de-final da Taça de Portugal e para a final-four da Taça da Liga; e para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões: um percurso extremamente positivo e eficiente, que deve ser valorizado, não só à lente dos bons resultados, mas também tendo em conta as insondáveis limitações físicas que vêm martirizando, sem tréguas, grande parte deste plantel; e consequentemente, as opções do seu treinador.

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