sl benfica cabeçalho 2Mais uma vitória justa, consistente, sem discussões, sobretudo equilibrada e com muita magia. Ninguém estava à espera que este jogo fosse igual ao de terça, mas mesmo com outros protagonistas, o decurso da partida e do marcador foi semelhante. Embora não fossem seis, fiquei mais satisfeito com este triunfo pela forma como o Benfica foi capaz se impor num terreno adversário para o campeonato, num teste bem mais difícil, já que hoje estavam os titulares do Moreirense.

Este Benfica consegue ser o «senhor» do jogo em qualquer estádio e coordenar as ações da partida. 20 minutos asfixiantes, sem deixar o Moreirense respirar que resultaram num golo marcado, e depois uma segunda parte cheia de magia e com muitos e bons desenhos ofensivos.

É essencial que nestes jogos se marque cedo para não dar confiança aos adversários e deixar que a emoção se sobreponha à qualidade de jogo e hoje foi assim. Gaitán regressou à titularidade para o campeonato e dividiu a batuta com Pizzi, que voltou a ser decisivo para o desenrolar do marcador. Foi dos pés dele que saiu o cruzamento milimétrico para a cabeça de Jonas. O mais difícil estava feito!

O Moreirense reagiu, mas Renato Sanches e Samaris foram controlando as saídas de bola e foram raros os espaços que os pupilos de Rui Vitória deram aos adversários. Iuri Medeiros foi o principal problema, mas foi relativamente bem asfixiado. Há lances em que não dá para o parar porque qualidade não lhe falta. É preciso ter atenção a este jogador…

Mais dois de Jonas... Matador! Fonte: Sport Lisboa e Benfica
Mais dois de Jonas… Matador!
Fonte: SL Benfica

Apesar dessa reação, o Benfica nunca se desequilibrou, esteve sólido defensivamente mesmo com Samaris em vez de Fejsa e isso deixa-me tranquilo para os duelos que aí vêm. A base deste «renascimento» do Benfica foi o equilíbrio defensivo, que deu confiança aos jogadores que agora do meio-campo para a frente conseguem espalhar magia tranquiliamente.

Sim, e falo em magia porque os três golos seguintes do Benfica são geniais. Ao chegar ao intervalo, Renato Sanches liderou um ataque e com uma qualidade tremenda fez um passe a rasgar a defesa, entre o lateral e o central, onde apareceu Eliseu a fazer o cruzamento para Mitroglou. O grego é sinónimo de golo na área.

Os desenhos ofensivos do Benfica são tremendos e isso faz das «águias» um ataque letal. Esta frase comprova-se no terceiro golo, quando Renato começa, entrega para Jonas que simula e deixa para Pizzi. O médio recebe e isola o avançado que se tinha desmarcado mal abriu as pernas. Na cara de Stefanovic contornou-o e empurrou para o fundo das redes. Só visto.

Mas não ia ficar por aqui, os golos e a magia. Já com Jiménez em campo, o quarto golo ia surgir. O mexicano conduziu pela esquerda e esperou que a equipa subisse. Renato fez a diagonal, enganou a defesa, e a bola foi para Jonas, que serviu de pivot e com um toque assistiu Gaitán. O argentino vinha de trás embalado e de trivela fez o golo. Aplausos para o maestro.

Nico regressou à titularidade e aos golos Fonte: Sport Lisboa e Benfica
Nico regressou à titularidade e aos golos
Fonte: SL Benfica

Registo ainda para o golo sofrido no final, tal como contra o Arouca, mas Iuri merecia por tudo o que fez. O Benfica tem que ter isto em conta.

Nota negativa apenas para a lesão de Lisandro Lopéz, central que tem sido uma das grandes figuras da temporada. Esperemos que não seja grave porque FC Porto e Liga dos Campeões estão aí à porta.

Já não há um Benfica em casa e outro fora como existia no início de época, há um Benfica que encara os jogos da mesma forma, que tem mais posse de bola do que noutras épocas como prometeu Rui Vitória e que por este facto raramente concede lances de perigo perto da sua baliza. Há mais equilíbrio e o jogo já não é sobretudo feito de transições.

Novamente uma palavra para Pizzi, que está numa forma tremenda. Duas assistências e muita qualidade em todos os processos. Com ele e Gaitán o Benfica é menos vertical e mais cerebral, mas a confiança é tanta que André Almeida e Eliseu têm cumprido nos flancos. Este é o melhor figurino do Benfica e com jogadores no banco que acrescentam como Talisca, bom vê-lo com esta vontade, e Carcela, apesar de hoje não ter tido minutos.

A Figura:

Pizzi – Injusto só poder escolher um jogador como o homem do jogo, mas a ter que o fazer escolho o médio português. Assistiu para os dois golos de Jonas e é preponderante para os desenhos ofensivos do Benfica. Classe tremenda, entrega soberba, faltou o golo para mais uma exibição brilhante. Renato Sanches também merecia…gigante o jovem!

O Fora-de-Jogo:

A defesa do Moreirense – o Benfica tem um ataque avassalador mas os cónegos foram muito moles no processo defensivo e precisavam de mais dureza para para as «águias». Nunca acertaram as marcações e Jonas andou muito solto porque Palhinha e os centrais não perceberam o que tinham de fazer. Muito espaço e o Benfica não perdoa!

 Foto de capa: SL Benfica

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