Já diziam eles: “ano novo, vida nova”. Neste caso a expressão toma uma circunstância diferente: treinador novo, vida nova. Sim vida, porque o plantel do Benfica parece ter ressuscitado da morte certa quando Rui Vitória ainda por cá andava. Estava à vista de todos a má forma dos jogadores encarnados e a falta de motivação para tentar virar o campeonato a nosso favor, mas Bruno Lage chegou, e disse “joguem à bola”. E eles jogaram, ou pelo menos nestas primeiras partidas com Bruno Lage a treinador principal as coisas parecem ter mudado para melhor, só resta saber se é uma mudança temporária ou prolongada.

A alteração tática e a nova pressão alta e constante implementadas por Bruno Lage parecem ter exigido a entrega total dos jogadores, algo que estes deviam fazer sempre, mas com Rui Vitória simplesmente não havia um futebol que demandasse o mesmo esforço físico (e até mental) que a pressão alta de Bruno Lage exige. Talvez seja esta exigência uma das grandes razões para tal, mas houve uma mudança tanto no 11 titular como nos suplentes do Sport Lisboa e Benfica.

No geral, houve uma grande subida de rendimento por parte de todo o plantel do Benfica.

Toda a defesa tem vindo a fazer melhores exibições: Jardel e Rúben Dias parecem ter mais consistência defensiva, e por vezes são eles a dar início a lances perigosos com passes pelo meio campo, deixando de lado o clássico passe para o guarda-redes ou para os laterais que procediam a lançar o “bombo” para a frente. André Almeida faz o seu trabalho, defende como pode e ataca com muita vontade. De vez em quando até safa um passe a rasgar ou um cruzamento perigoso, e já conta com várias assistências para golo. Grimaldo tem feito o que faz de melhor, as triangulações com o centrocampista e com o extremo, a iniciar ataques perigosos pela ala esquerda e a efetuar cruzamentos de qualidade.

Que maravilha! No Benfica de Bruno Lage até a “ovelha negra” André Almeida faz exibições de qualidade tanto na defensiva como na ofensiva
Fonte: SL Benfica

O meio campo teve talvez a melhor subida de prestação no jogo do Benfica. Pizzi, para mim, já era um dos jogadores chave, mas agora parece ter ganho uma maior liberdade de movimento por todo o meio campo, o que leva a praticamente todo o jogo de bola do Benfica passar por Pizzi antes do golo. Ele tem sido uma das peças fundamentais para Bruno Lage. Samaris volta a aproveitar uma (infeliz) lesão de Fejsa, e tem tido exibições consistentes. Tem segurado bem o meio campo defensivo, e até faz recuperações de bola dignas de louvar, mas por vezes falha alguns passes que não se deviam falhar. Já Gabriel é um homem novo. Quem diria que o Gabriel de Rui Vitória seria o Gabriel que temos agora. Quando começou a jogar eu afirmei: “este homem não tem a qualidade para o Benfica”. Engulo agora as palavras, porque Gabriel me provou e a todos os adeptos que merece estar aqui. São vários os passes a rasgar a defesa adversária, as recuperações de bola no meio campo ofensivo, e a consistência nas exibições.

O ataque é outra coisa. Rafa está a jogar como nunca jogou no Benfica. Está a ser, de longe, a sua melhor época de águia ao peito. E a fusão de Haris Seferovic com João Félix tem dado que falar. Mais um jogador que nunca nenhum adepto benfiquista diria ser o ponta de lança titular, Seferovic tem tirado proveito da aposta no 11 titular, e é neste momento o terceiro melhor marcador da liga, a um golo de Bas Dost e Dyego Sousa. João Félix “joga, e faz jogar”. O novo “miúdo maravilha” do Benfica faz exibições de luxo, e parece que escavámos mais uma “pérola do Seixal”.

Por outro lado, há dois jogadores que perderam o lugar no 11 titular: Gedson Fernandes e Andrija Zivkovic. Gedson cede o lugar a Gabriel e passou para o banco de suplentes. Zivkovic parece ter perdido por completo um lugar na equipa, pois já são quatro jogos sem entrar, em que três deles nem sequer no banco de suplentes esteve presente. Alguns adeptos queixam-se desta falta de aposta no extremo sérvio, que realmente tem muita qualidade, mas tenho a certeza que terão de haver razões plausíveis para esta ocorrência.

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