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O Benfica venceu com justiça o Nacional da Madeira num jogo onde até o vento foi protagonista. Pressionado sobre a vitória do Sporting frente ao FC Porto, os encarnados entraram na Choupana com apenas quatro pontos de avanço sobre o 2º classificado e pretendiam, naturalmente, aumentar a vantagem para sete pontos.

Quanto ao encontro em si, a primeira parte ficou marcada pela intensidade de jogo de ambas as equipas, ainda que cada uma delas tivesse atuado com maior veemência em períodos diferentes.

Na verdade, o primeiro grande impato na partida veio do Nacional. Com as linhas muito subidas e exercendo uma pressão alta, os homens de Manuel Machado surpreenderam toda a gente – que o digam os jogadores do Benfica. Os 15 minutos iniciais foram, de fato, totalmente dominados pela equipa madeirense. Domínio esse que se traduziu no primeiro golo do encontro: através de um cruzamento em trivela de Candeias, a bola, depois de bater no joelho de Luisão, ressaltou no braço direito do capitão benfiquista e Manuel Mota não teve qualquer dúvida em assinalar grande penalidade. Na cobrança do penálti, Candeias rematou em força para o canto direito da baliza de Oblak e abriu assim o marcador no Estádio da Madeira.

Curiosamente, o golo do Nacional serviu de tónico para a equipa benfiquista. A partir do minuto 15 o Benfica mudou a sua forma de estar no jogo. Enzo – quem mais podia ser? – assumiu o controlo da partida e os homens da frente do Benfica tinham agora um volume ofensivo digno das suas qualidades.

Ao minuto 21, devido a um remate perigoso de Rodrigo, os adeptos do Benfica gritaram golo, mas a bola saiu ligeiramente ao lado. Foi um aviso que os homens do Nacional não levaram a sério: volvidos somente dois minutos, Lima, através de uma excelente combinação com Rodrigo, dentro da grande área do Nacional rematou para o fundo das redes.

A festa dos avançados de encarnado Fonte: AFP (Gregório Cunha)
A festa dos avançados de encarnado
Fonte: AFP (Gregório Cunha)

O Benfica repunha, desta forma, a igualdade no marcador. Como é óbvio, o empate não servia e o Benfica continuou com o pé no acelerador: a dinâmica e fluidez de jogo encarnada não baixou e durante largos minutos o Nacional da Madeira não teve jogo com bola.

Face a tamanha avalanche ofensiva, o segundo golo encarnado chegou com alguma naturalidade: Rodrigo recebe a bola na direita do ataque benfiquista e, já sobre a linha da grande área do Nacional, puxa a bola para o meio, rematando em força para o canto superior esquerdo da baliza de Gottardi – que grande golo do espanhol!

Mesmo com a vantagem no marcador, o Benfica manteve as suas linhas subidas, obrigando o Nacional a repensar a estratégia de jogo. Manuel Machado deu ordens para os blocos subirem no terreno e, por alguns minutos, a formação alvi-negra voltou a discutir a partida. Porém, aos 42 minutos, Garay, através da marcação de um pontapé de canto, cabeceou, já junto à linha de fundo, para o 1-3 (o forte vento que se fazia sentir na Choupana teve alguma influência no arco que a bola descreveu). O Benfica levava uma vantagem confortável para o intervalo – quem diria!

Se na primeira parte tivemos 45 minutos de alta intensidade e grande disputa entre ambas as equipas, a segunda parte foi precisamente o contrário. O Nacional regressou para o terreno com a ideia de imitar os primeiros 15 minutos do jogo mas o Benfica tinha outras ideias. Jorge Jesus pediu aos jogadores que tentassem controlar a partida e a vantagem de dois golos.

O Nacional não desistiu nunca de dar luta Fonte: AFP (Gregório Cunha)
O Nacional não desistiu nunca de dar luta
Fonte: AFP (Gregório Cunha)

Perante uma segunda parte apática e triste, nada fazia prever que o Benfica fosse sofrer tanto nos 10 minutos finais. A verdade é que a estratégia benfiquista revelou-se acertada…até aos 79 minutos: Candeias, um velocista nato, ganhou espaço no lado direito do ataque nacionalista e cruzou para Djaniny, que, com grande à vontade, reduziu o marcador para 2-3.

Depois do golo do Nacional, foram 10 minutos de coração nas mãos para os adeptos benfiquistas. Coração esse que quase parou aos 86 minutos, quando Goma, através de um livre marcado por Candeias, falhou por milímetros o cabeceamento que ditaria um novo empate na partida. O susto passou mas os adeptos do Benfica só descansaram verdadeiramente ao minuto 88: cruzamento de Sílvio, da esquerda, e Garay, dentro da grande área, cabeceou para o fundo da baliza. 2-4 e o Benfica finalmente metia um ponto final na partida.

Em suma, tivemos esta noite na Choupana uma primeira parte de grande registo, com grande intensidade e personalidade de ambas as equipas. A segunda parte foi totalmente o oposto, exceção feita aos 10 minutos finais que devolveram alguma emoção ao jogo. O Benfica é, sem dúvida alguma, o justo vencedor e dá um passo significativo para a conquista do 33º Campeonato Nacional.

A Figura
Garay – Para além da boa exibição, os dois golos do defesa argentino foram importantíssimos para a conquista dos três pontos.

O Fora-de-Jogo
Jorge Jesus – O treinador do Benfica, se queria mesmo defender o resultado de 1-3, tinha obrigação de tirar um avançado e meter um médio para reforçar o meio-campo. É completamente desnecessário os jogadores do Benfica correrem quilómetros atrás da bola quando podem (e devem) controlar o jogo com ela nos pés.

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