No passado fim-de-semana, o Benfica deslocou-se a Santa Maria da Feira para defrontar o Feirense de quem arrancou uma vitória sofrida por uma bola a zero. Além do golo de Pizzi e dos três pontos conquistados pelo Benfica, houve outros momentos que mereceram destaque nos 90 minutos: a claque do Benfica que se apresentava na bancada atrás da baliza defendida por Vana, guarda-redes do Feirense, apresentou vários “espetáculos” pirotécnicos e de hostilidade na casa de outrem.

O jogo começou atrasado devido a um petardo atirado pela claque encarnada para junto da grande área do Feirense. O objeto pirotécnico começou a deitar uma quantidade considerável de fumo e adiou o início do jogo.

Luisão, capitão e veterano do Benfica, foi pedir calma aos adeptos e que deixassem seguir o jogo da melhor forma para ambas as equipas.

Não tinha chegado aos 20 minutos de jogo, um outro material de pirotecnia foi atirado para junto de Vana quando este ia bater um pontapé de baliza. Embora desta vez o fumo que projetou não constituiu perigo para o decorrer do jogo, o objeto explodiu de forma ligeira junto da baliza e do guarda-redes que, com certeza ficou em zona pouco segura dada a proximidade ao objeto.

Com o decorrer do jogo, os ânimos acalmaram e o apoio proveio apenas de gritos e cânticos a empurrar o Benfica para o golo. Foram precisos 42 minutos para este chegar, o que fez com que o entusiasmo atirasse os adeptos nas zonas mais baixas da bancada para o terreno de jogo, partindo a proteção da bancada e magoando um fotógrafo de campo que teve de ser retirado do relvado.

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A vitória ficou manchada pelo comportamento dos adeptos Fonte: SL Benfica
A vitória ficou manchada pelo comportamento dos adeptos
Fonte: SL Benfica

No rescaldo do golo, cadeiras das bancadas voaram para a área do guarda-redes brasileiro que mostrou a sua insatisfação e irritação com as atitudes consecutivas dos adeptos encarnados presentes atrás da baliza pertencente à equipa de Santa Maria da Feira na primeira parte.

Na segunda parte, Ederson mudou-se para junto dos adeptos e os desacatos cessaram.

Como adepto e sócio duma instituição desportiva do tamanho do Benfica e adepto do desporto lindo e entusiasmante que é o futebol, lamento que atitudes como as que se passaram no passado sábado aconteçam após inúmeros avisos e mesmo sabendo que as consequências nunca serão benéficas para o clube.

Atitudes como a pirotecnia junto das bancadas, não apresentando perigo para o jogo, para os jogadores nem para as pessoas que nada têm a ver com isso podem embelezar o ambiente e dar a motivação que é preciso aos jogadores que em campo envergam a camisola que todos nós vestimos o coração. No entanto, estragar e sujar um jogo tão bonito como o futebol, denegrir a imagem do clube glorioso e de enorme dimensão que é o Benfica com atitudes como as do passado sábado acaba por ser triste.

A pirotecnia poderia ser um acessório que, usado da melhor forma, embeleza os estádios e ambiente por todo o mundo do futebol. Contudo, os que cantam “No pyro, no party”, enfatizando que sem pirotecnia, não há festa, são, na sua grande parte, aqueles que não vêm limites na utilização deste material e acabam por, com toda a vontade que têm de apoiar o clube, denegrir a sua imagem, aplicar-lhe pesadas multas e colocar em perigo o apoio nos jogos seguintes. Há que recordar que o Benfica se encontra em pena suspensa na Liga dos Campeões devido a atitudes semelhantes.

Não sujemos o futebol nem o clube por atitudes neandertais. Todos os adeptos que não participam nessas atividades, que são a maioria, não se revêm nestas atitudes, o clube não se identifica em tais atitudes.

“No pyro, no party”? Que seja. Mas com classe e respeito, algo que faltou neste jogo. Somos melhores e maiores do que isso.

Sejamos adeptos. No futebol ganha quem marca mais golos, não quem rebenta mais bombas. Gritemos mais alto, cantemos mais alto e festejemos bem alto para que todos possam ouvir o nosso nome. E se o fizermos para connosco, grandes como somos, já ocupamos um lugar gigante que não necessitamos de incomodar os outros.