Foi a despedida do sonho europeu do Benfica. Os encarnados caíram aos pés do Eintracht Frankfurt, na Alemanha, no que considero o maior fracasso de Bruno Lage até ao momento, como treinador da equipa principal do Benfica.

Parece um pouco extremista pensar desta forma, admito, e até podem discordar tendo em conta que o Frankfurt não é uma equipa qualquer, já que tem estado a fazer uma época incrível, na qual ocupa um extraordinário quarto lugar na Bundesliga e esteve até ao embate com o Benfica, no Estádio da Luz, sem perder nenhum jogo no percurso na Liga Europa. Deste modo se percebe que, à semelhança de Ajax, esta equipa joga como gente grande.

Porque considero o maior fracasso de Bruno Lage até então, mesmo depois da eliminação da Taça de Portugal?

Penso que houve falta de ambição, em primeiro lugar. Não digo que a equipa e os jogadores não quisessem ganhar, quero deixar isto bem claro. Mas sinto que a abordagem ao jogo foi pouco ambiciosa. Só depois de deixar de estar na frente da eliminatória é que a equipa recebeu ordens de ataque e fez um jogo para disputar o resultado. Até então, tinha ficado a ver o desenrolar do jogo, na expetativa de que servissem os serviços mínimos.

Por outro lado, Lage não aprendeu com os erros cometidos na segunda mão da Taça de Portugal. Enfrentou o jogo com o resultado da primeira mão em mente e isso é meio caminho andado para fracassar. Tal como aconteceu em Alvalade, na Alemanha os encarnados jogaram com o 4-2 na Luz, em vez de puxarem logo pelo golo fora e facilitar a passagem às meias finais.

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Até pareceu que o apuramento nem era assim tão importante – dada a prioridade à Primeira Liga e a eliminação do FC Porto da Liga dos Campeões. Bruno Lage tirou o melhor elemento em campo, Samaris, e deixou Fejsa que claramente estava fora de ritmo na partida; colocou Salvio, que não jogava há quatro meses, numa partida que pedia rotação elevada para conquistar o apuramento. As poupanças são necessárias, mas pareceu limitar o alcance europeu que esta equipa parecia conseguir.

Depois da eliminação da Liga Europa, resta ao Benfica vencer a Primeira Liga
Fonte: SL Benfica

A junção da aparente falta de ambição, má leitura e abordagem da partida, falha nas substituições e a não aprendizagem com os erros que custaram uma final do Jamor, fazem, para mim, este ser o falhanço da turma de Lage que mais custa a engolir. A final era possível de alcançar, tal como a conquista do troféu.

Sendo assim, agora apenas resta a Primeira Liga, esperando que a Reconquista salve a época, apesar de que a minha confiança no treinador não cairá mesmo que isso aconteça com o campeonato. Se bem que se este último cair, a margem de erro ficará muito limitada.

Se Bruno Lage aprender com estes desaires – quer seja a eliminação na Taça da Liga quando ainda era recém treinador na equipa principal, quer seja a eliminação da Taça de Portugal ou da Liga Europa quando trouxe vantagem da primeira mão – acredito que, com uma época preparada, na sua totalidade, por ele, com um plantel feito à sua escolha e com a mente virada para as diversas competições, um futuro risonho fica à espreita para o Benfica. Só espero não estar enganado.

Agora é Reconquistar o que é nosso.

Foto de Capa: SL Benfica