Glóbulos Vermelhos

“Dumbo” foi a quarta longa-metragem de animação da Disney produzida em 1941. A parábola gira em torno de um elefante renegado e ridicularizado pelas suas orelhas de tamanho exagerado. A certa altura o bicho descobre que pode voar e a coisa acaba por se endireitar. Luís Filipe Vieira é um dumbo de orelhas tão grandes que além de não conseguir voar é surdo. É o nosso presidente, pois claro, aquele que reordenou as fileiras e pôs a carruagem a andar depois de desastrosas passagens pela poltrona maior do Benfica. Quanto a isso estamos de acordo. Quanto ao resto não há nada que bata certo.

Sou um benfiquista doente e incorro muitas vezes em gritos precipitados de revolta para com os jogadores e treinadores que nos representam, porque me custa a entender, em alguns casos, a aparente falta de vontade e atitude demonstrada dentro de campo. Mas, para mim, o grande problema não está aí. Há anos que fazemos opções erradas. O homem percebe mais de pneus do que de futebol. Retirou Rui Costa do cargo de director-desportivo sem ninguém perceber muito bem as razões, chutou treinadores que tiveram muito menos tempo que o actual, faz contratações estranhas, em que depois de adquirir o passe dos jogadores os envia para os Emirados Árabes Unidos, a troco de sabe lá o quê. Roberto foi do Benfica até este ano. Pizzi foi para o Espanhol. Conclusão: não deve pôr dinheiro ao bolso nem nada que se pareça. Além disso, veja-se as contratações. Algumas são boas e transformam-se em dinheiro, é verdade, as restantes são estrelas da equipa b ou correm a América do Sul e a Europa em clubes em que o progresso se vê à distância que vai não acontecer. Portugueses de valor não jogam: Miguel Rosa, André Gomes, Ivan Cavaleiro, João Cancelo, Luís Martins, tantos outros. Já para não falar dos exemplos de jogadores que foram contratados e nunca chegaram a vestir a camisola do glorioso em ocasiões oficiais. Carraça é um dirigente grunho, que desde que estava nas formações apresenta claros sinais de falta de inteligência. E a lista prosseguiria.

Jorge Jesus e Luís Filipe Vieira...em amena cavaqueira Fonte: Record
Jorge Jesus e Luís Filipe Vieira…em amena cavaqueira
Fonte: Record

Que Jesus tem o seu ciclo terminado ninguém deve ter muitas dúvidas, os próprios jogadores parecem senti-lo. Mas não acho justo que se aponte o dedo a apenas um culpado, as suas opções tácticas nem sempre são perceptíveis, mas a gestão de Vieira é, mais do que qualquer coisa, algo que deveria levar todos os benfiquistas a reflectir. A lata com que se pronunciou sobre a arbitragem depois do jogo com o Belenenses é um motivo de vergonha para qualquer benfiquista crítico e sério. As transferências duvidosas devem permanecer na escuridão tal como estão todas as ilegalidades que Pinto da Costa faz pela invicta. A diferença é que este criou um monopólio e uma cultura vencedora – Vítor Pereira foi campeão lá – que assegura títulos e jogadores. Fernando não saiu, Jackson…vamos ver por quanto sairá, Ramires foi oferecido e esperemos por Garay. O Dumbo é mouco e recusar-se-á a levantar o rabo do seu lugar. Enquanto se gritar “Jesus para a Rua” e se evitar dizer o que tem que ser dito, o Benfica pode até num ou outro ano ganhar um título, mas não criará uma identidade própria, fixa e determinada que todos os adeptos deviam exigir. É triste, mas é assim.

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Filho pródigo de Almada e Jornalista no i - não leiam nada meu que isso faz mal às varizes - e um rapaz com medo de alturas. O meu prato preferido é chocos assados com tinta, favas com chouriço, cozido à portuguesa, vou parar. Benfiquista de gema, mas crítico, não cego, da estrutura. Até porque nunca gostei do Dumbo. Bem haja.                                                                                                                                                 O Miguel não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.