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Nesta época, um dos assuntos de discussão quando o tema é o plantel do Benfica é o brasileiro Talisca. E o brasileiro é a prova de como o futebol é o momento: se há um ano atrás alguém pusesse o mosqueteiro em causa era logo linchado, tal era a qualidade que o brasileiro mostrara no 1.º terço da Liga, com boas perspectivas de um negócio de milhões, a trica Jesus/Mourinho e a inevitável pressa em endeusar qualquer um, no típico imediatismo futeboleiro. E, no Benfica, isto acontece muito. No entanto, hoje, muitos o levariam ao aeroporto e embrulhado num laçarote, quando o tema é a venda, tal é a gritante falta de rendimento do jogador. Falta de rendimento ou de constância do brasileiro. No Benfica é assim: 8 a 80. Ora se defende o indefensável, ora não se tem paciência para aquilo para que se devia ter… E isto vê-se do seguinte modo: tanto Jesus como Vitória tentaram encaixar o jogador no 11. A mando sabe-se lá do quê ou de que ordens. Mas na ânsia de dizer bem, de se ser mais papista que o papa e da demissão de se analisar a equipa, li a incompreensível defesa deste jogador a jogar a 8. Argumento? Pois era só com ele que marcávamos! Sem sequer questionar o porquê da pouca qualidade mostrada… Cá está a defesa do indefensável. E pouca exigência, digo eu…

Quanto a mim, o brasileiro é apenas fruto da típica política de aquisições na Luz: comprar por atacado a ver se cola. Isto sabendo que o brasileiro joga como segundo avançado e que ainda viria Jonas (mais Djuricic). E depois, perante a famosa política de valorização de activos, meteu-se o jogador à força fora de posição, prejudicando a equipa! Ora a 8, ora a 7. Porquê?! Mesmo na era de JJ… Mas até o “cérebro” percebeu a tempo o erro. E Rui Vitória não resistiu, cometendo-o também. A questão é: forçado por quem?

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Talisca tarda em impor-se no 11 titular do Benfica; Fonte: #SLBenfica
Talisca tarda em impor-se no 11 titular do Benfica
Fonte: SLBenfica

Acontece que eu sou fã das capacidades de Talisca. É um jogador inteligente, que domina bem o último terço de terreno, sobretudo a zona central. Remata bem e colocado. Passa com acerto e com qualidade a média distância. Sabe dar profundidade ao jogo, mas consegue criar desequilíbrios com os seus dribles. Quando Talisca joga solto no campo é de facto outra loiça. Outro jogador. Em Moreira de Cónegos, para a Taça da Liga, com Jiménez e o brasileiro na frente, a ideia deu frutos, com o ex-Bahia a abrir o livro da sua qualidade e como que a mostrar que é um desperdício andar a pensar em vendas, empréstimos ou metê-lo a 8 ou nas faixas. E note-se que nesse jogo alinhou bastante tempo no meio campo, mas ante uma equipa partida e a perder por três golos de diferença, logo sem apresentar dificuldades, permitindo que o brasileiro jogasse mais à frente, no apoio ao ponta de lança. E vê-se; quando Talisca está liberto dos rigores da posição 8 transforma-se. Marca golos, mostra técnica exímia e qualidade de passe. Quem o viu nesse jogo não pode sequer pensar na sua saída. Só pode pensar no modo como o encaixar, a bem do colectivo, sem inventar!

Talisca tem um problema. Ou melhor, dois em um: Jonas é imprescindível (primeiro problema) e por causa disso Vitória não abdica do 4x4x2 (segundo problema), sendo certo que o raio de acção do ex-Valência é menor, na finalização é mortífero, jogando também um pouco mais à frente. Talisca podia alinhar na posição de Jonas, mas não é tão forte, sendo que o ideal seria um 4x3x3, num vértice mais avançado. Só que, aqui, Jonas e Talisca não caberiam e o ex-Valência não joga como homem de ataque a solo. A meu ver, Jonas e Talisca são então jogadores diferentes, mas que lutam para o mesmo lugar. Quando muito, pode fazer de Pizzi, que não é o extremo típico no Benfica actual, uma espécie de interior, com liberdade para vaguear pelo campo, mas sempre com um 6 e um 8 nas costas.

Foto de Capa: SL Benfica