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Antes que se sintam enganados pelo título, o erro de Bruno Varela não foi o “frango” dado no jogo frente ao Boavista. Ou melhor, não foi apenas isso.

Comecemos pelo início. Bruno Varela, 22 anos, um metro e noventa e um. Chegou a guarda redes num momento em que representava uma equipa com falta de jogadores para essa mesma posição, tendo abdicado do seu imenso talento para avançado.  Quem diria que um avançado ia acabar a defender bolas? Fez quase todo o seu percurso no Benfica, nunca chegando à equipa principal. Acontece que, depois da época 2015/16 ao serviço do Benfica B, chegou-se à conclusão que o melhor seria emprestá-lo, pois não era propriamente o melhor guarda redes de sempre.

Na época seguinte Varela seguiu, então, para Espanha, tendo sido emprestado ao Valladolid, clube pelo qual realizou qualquer coisa como um jogo. De regresso a Portugal, o clube da Luz encontrou uma nova casa para o jovem: o Vitória de Setúbal. E não, não foi emprestado (estranho, eu sei, porque emprestar jogadores ao Vitória até é algo comum), foi mesmo vendido.  Sendo o clube da minha querida terrinha, acompanhei a passada época do Vitória e, consequentemente, de Bruno Varela. Não, não é o meu guarda redes preferido. Sim, eu sentia-me mais segura com Pedro Trigueira na baliza.

Bruno Varela tem, para mim, dois grandes problemas: os pés e agarrar bolas. Isto é, ver este jogador com a bola nos pés não me dá segurança e faz-me sentir que a qualquer momento a vai perder ou colocar no sítio ou jogador errado. Quanto ao agarrar bolas… Varela tem uma perdição qualquer por socá-las, mandar para fora ou fazer qualquer outra coisa que não seja segurá-las com as duas mãos, independentemente do remate ou do perigo. Claro que nem tudo é mau no jovem. Por exemplo, no ano passado, frente ao Benfica, fez uma exibição exemplar! Com isto não quero começar a conversa típica do “todos jogam bem contra o Benfica”, até porque acho perfeitamente natural que, alguém que tenha saído do clube sem chegar ao palco principal, se queira esforçar e mostrar que vale a pena.

Bruno Varela foi emprestado ao Vitória de Setúbal na época passada Fonte: SL Benfica
Bruno Varela foi emprestado ao Vitória de Setúbal na época passada
Fonte: SL Benfica

Acontece que uma cabecinha iluminada, aquando da saída de Ederson, achou que Varela seria o ideal para contratar. É aqui que está o grande erro, erro do qual o jovem guarda-redes em nada tem culpa. Ele nunca escondeu a sua qualidade (que não é assim tanta quanto isso), nunca teve espaço para a equipa principal, não foi o salvador do Vitória, mas mesmo assim, alguém achou que seria o ideal para defender a baliza encarnada.

Como pode alguém achar que, um guarda redes que na equipa B comprometia, seria suficiente para a equipa A? E mesmo que o plano fosse tê-lo como segunda opção, não é segredo para ninguém a facilidade de Júlio César se lesionar.

A culpa é de Varela? Não. A culpa é de quem o contratou e o mete a jogar. Quem é que vai levar com a fúria dos adeptos insatisfeitos com toda uma equipa? Aquele que compromete na baliza e deixa as bolas entrar. Talvez por um hábito de ter alguém que compensava as falhas da defesa: Ederson. Agora, nem há compensação da má defesa, nem há defesa que compense as falhas conhecidas da baliza.

 

Artigo revisto por: Beatriz Silva

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