Muito se tem falado ultimamente numa alternativa a Ljubomir Fejsa no meio-campo do Sport Lisboa e Benfica. A saída de Andreas Samaris deverá ser uma realidade, pelo que Rui Vitória terá solicitado o regresso de Alfa Semedo para ocupar a vaga deixada em aberto pelo grego. Mas, não querendo pôr em causa a qualidade do luso-guineense que na temporada passada representou o Moreirense Futebol Clube, creio que haveria melhores opções a considerar.

E era aqui que entraria Pedro Rodrigues – Pêpê, no mundo do Futebol. Para quem anda atento à Formação do SL Benfica, sabe que este jogador poderá vir a ter um futuro tremendo, caso saibam aproveitar a sua qualidade. Apesar das suas características e estilo de maestro, Pêpê é um médio que actua na posição mais recuada do meio-campo – a vulgarmente denominada posição seis. Trata-se de um jogador bastante culto a nível táctico e posicional e conhecedor dos vários momentos do jogo. Gosta de ter a bola, procura-a quando não a tem – criando constantes linhas de passe – e arrisca no passe longo e curto, acertando na esmagadora maioria das vezes nas decisões que toma. Com Pêpê em campo, o critério e qualidade na primeira fase de construção estão assegurados, pois joga sempre de cabeça levantada e faz valer a sua visão de jogo.

Após duas épocas com um excelente rendimento na equipa B do SL Benfica, na temporada passada esteve emprestado à equipa do Grupo Desportivo Estoril-Praia. Apesar de ter actuado numa das equipas que terminaram relegadas à Segunda Liga, Pêpê conseguiu mostrar o perfume do seu futebol. Em termos de números, estes não foram impressionantes (um golo e uma assistência em 23 jogos), no entanto, o que os jogadores como este médio dão ao jogo tem de ser bem mais valorizado do que os números que vão apresentando. Em vários jogos do GD Estoril-Praia, bem como na Selecção Nacional de Sub-21, pudemos assistir à exibição das características de Pêpê e ao que ele pode acrescentar ao jogo de uma equipa.

Pêpê é, desde sempre, uma presença assídua nos escalões mais jovens da Selecção Nacional
Fonte: UEFA

O que é facto é que os trabalhos da equipa do SL Benfica já se iniciaram e Pêpê não esteve presente, tendo sido, entretanto, confirmado novo empréstimo para o médio de 21 anos, desta vez ao Vitória Sport Clube, onde será comandado por Luís Castro. A meu ver, esta revela-se uma excelente opção, tendo em conta a qualidade com que o treinador transmontano trabalha os jovens jogadores e os potencializa através do seu modelo de jogo.

Jogando no vértice mais recuado do meio-campo ou num duplo-pivot à frente do médio-defensivo, poderá comandar a construção de jogo vitoriano com bastante qualidade. Prevê-se uma época de grande crescimento e valorização para Pêpê nas mãos de Luís Castro, visto que irá estar inserido num contexto competitivo e de qualidade de jogo, onde o colectivo não é dissociado do desenvolvimento pessoal. Uma vez terminado o empréstimo ao Vitória SC, estou em crer que terá todas as condições para assumir um lugar no plantel do SL Benfica. Voltará ainda mais jogador e mais bem preparado para cada momento do jogo.

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Pessoalmente, tenho pena que Pêpê não seja já considerado para alternativa a Ljubomir Fejsa. Não sendo um “destruidor de jogo” como o sérvio, poderia oferecer características que não temos naquela posição, tornando o nosso jogo mais fluido e criterioso e fazendo-nos subir uns quantos degraus na qualidade de jogo. De todas as formas, muito boa sorte para o “Toni Kroos do Seixal” neste novo desafio.

Foto de Capa: SL Benfica

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Alfacinha de gema e Benfiquista por natureza, Bruno é um obcecado por Futebol e foi através da escrita que encontrou a melhor forma de dar a conhecer essa sua paixão pelo desporto-rei. É capaz de estar desde Segunda-feira até Domingo à noite a ver todos os jogos que passam na TV. Terá sido em pequeno que toda esta loucura futebolística foi despertada pelo seu Pai e pelo seu tio que, respetivamente, o levavam ao Estádio do Restelo e ao Estádio da Luz. Bruno não suporta facciosismos e tenta sempre ser o mais crítico possível para com o seu clube.                                                                                                                                                 O Bruno não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.