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Não há como fugir. Um Benfica-Sporting é um Benfica-Sporting. Em Lisboa, no Algarve e em qualquer sítio do planeta com relva, duas balizas e adeptos. Muito menos pode haver conversa fiada. Um Benfica-Sporting eleva a rivalidade para patamares que só benfiquistas e sportinguistas conhecem: há familiares que se zangam, amigos que dizem mais do que deviam, há gozo e sobranceria durante semanas a fio. A ideia de que “é só um jogo”, de que é um troféu com relativa importância – muita para quem o ganha, pouca para quem o vê fugir, é claro – não tem qualquer cabimento aqui.

A travessia da 2.ª Circular feita por Jorge Jesus tem, para além de muitas outras consequências, o condão de fazer efervescer de novo o eterno dérbi lisboeta. Muito por culpa do salto competitivo do Benfica nos últimos anos (para o qual o agora treinador do Sporting muito contribuiu), o qual o clube de Alvalade não conseguiu acompanhar, o ódio e a guerra do Benfica-Porto tomaram conta do primeiro plano no futebol por cá. De há uns anos para cá, regra geral, um Benfica-Sporting, não sendo apenas mais um jogo, era como que uma formalidade para confirmar a evidente superioridade do vermelho sobre o verde.

As atenções estão viradas para estes dois homens Fonte: Facebook do Benfica
As atenções estão viradas para estes dois homens
Fonte: Facebook do Benfica

Analisando todo o contexto, o jogo de hoje reveste-se de capital importância para os dois lados. O balão de confiança e arrogância com que Jorge Jesus e o Sporting aqui chegam pode ser esvaziado se forem para casa de mãos a abanar. Não admira esta postura, já que é exactamente a mesma que muitos reparos merecera durante a sua estadia na Luz. Muito menos admira o balão de confiança e boa-disposição que navega pela atmosfera do leão. A pré-época é, de há tempos para cá, a única altura do ano em que os sportinguistas podem fazer planos a longo prazo de maravilhosas e tituladas épocas.

A ilusão da pré-época costuma estender-se até ao Natal e a partir daí acabou e até para o ano. Acreditam os sportinguistas que com Jorge Jesus será forçosamente diferente. Eu também acredito. Sempre fui confesso fã do treinador bicampeão nacional e não duvido de que será capaz de colocar o Sporting a lutar novamente por títulos. O sangue que Jesus quis trazer para o jogo através do vital órgão do ser humano não teve resposta. E ainda bem. Além da deselegância para com Rui Vitória, também Marco Silva entra nesta equação. Se Jesus diz que mudou tudo desde a sua chegada a Alvalade é porque tudo o que Marco Silva construiu estava errado. E não me parece que as coisas sejam bem assim.

Rui Vitória chega aqui algo fragilizado. A frouxa imagem que o Benfica deixou na digressão americanizada não traz a confiança que um jogo desta dimensão sempre requer. Há as desculpas do clima, da altitude, das reduzidas condições de treino. Das baixas de Maxi, de Salvio e de Lima. Tudo isso se aceita, sim. Não se aceita é que fazer cinco passes seguidos tenha sido tarefa hercúlea em grande parte dos jogos de preparação. Principalmente numa equipa estruturada – e bem – ao longo de várias épocas. No entanto, lembremo-nos, pois, de que, hoje por hoje, é o Benfica que é bicampeão nacional e a mais forte equipa portuguesa.

Pelo que deu hoje a parecer, o discurso desgarrado e assente em lugares-comuns foi deixado para trás para assumir uma postura mais agressiva e directa. Positivamente agressiva, claro. Deixar Jesus a falar sozinho foi o melhor que o treinador do Benfica podia ter feito. Veremos com que efeitos em campo. Porque é aí que os Benfica-Sporting se jogaram, se jogam e se jogarão eternamente.

Foto de capa: Página de facebook “Ontem vi-te no Estádio da Luz”

Redação BnR
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