A época encarnada foi terrível e é hora de apontar baterias à próxima. Na preparação, o Benfica necessita de operar mudanças estruturais, a começar pelo plantel.

Uma das principais causas do insucesso encarnado na época passada foi a indefinição na baliza. Começou logo na pré-época, quando André Moreira, a primeira escolha para substituir Éderson, foi captado com a camisola do Benfica e, dias depois, era apresentado pelo Braga. Face a este imprevisto digno de um clube amador, a solução caiu em Bruno Varela, que havia realizado uma boa época no Setúbal mas não tem, agora e dificilmente no futuro, qualidade para jogar no Benfica.

A incerteza na baliza resultou em pontos perdidos, no campeonato, em jogos com o Boavista ou Tondela, e na Liga dos Campeões, contra o Manchester United, num momento em que Svilar foi inexplicavelmente titular de forma momentânea. Na próxima época, o problema terá de ser resolvido de forma afirmativa – e para já, o prenúncio não é bom, porque Vlachodimos, o reforço recém apresentado, não aparenta estar, ainda, no auge da carreira. O Benfica tem de contratar um guarda-redes de topo, que tenha qualidade e transmita confiança. Petr Cech, que já anunciou a saída do Arsenal, seria uma hipótese a ponderar. Pode não ter os atributos de outrora mas numa liga portuguesa seria, com toda a certeza, uma mais-valia.

Na defesa, é urgente, em primeiro lugar, contratar um central. Luisão já não possui o mínimo exigível, Rúben Dias, depois de um arranque auspicioso, revela alguma imaturidade, e Jardel é o único, de momento, com valor inequívoco para vestir a camisola encarnada. O futuro central contratado, ao contrário do guarda-redes, não tem de ser necessariamente alguém que carregue muito estatuto.

A posição em questão admite um período de adaptação e, no campeonato português, há espaço para errar. Por isso, o perfil que a estrutura do Benfica preconiza – jovem de qualidade que possa mais tarde render financeiramente – pode ser indicado para o lugar, caso, naturalmente, o jogador tenha qualidade. Se Conti for bom, o problema está resolvido.

Na lateral direita, André Almeida, que realizou a melhor época de sempre, pode ser suficiente e não é urgente alguém para aí. No entanto, o futebol moderno encontra muitas dificuldades na procura de espaços, pelo que um lateral ofensivo, que venha de trás e possa, através do cruzamento ou, melhor ainda, do espaço interior, causar desequilíbrios, seria o ideal. Já está confirmada a chegada de Ebuehi, que para já é uma incógnita. Na esquerda, tudo depende da permanência de Grimaldo. Se ficar, e com o regresso de Yuri Ribeiro – que será, daqui a uns anos, o titular – a questão está fechada. Caso o espanhol rume a outras paragens, o lugar tem de ser ocupado por alguém de créditos firmados. Fala-se de Áaron, que seria excelente.

Se voltar ao nível que já apresentou, Pizzi é um dos melhores jogadores do campeonato
Fonte: SL Benfica

No meio-campo, Fejsa, Krovinovic, Zivkovic e Pizzi são garante de qualidade. Se nenhum sair, e partindo do pressuposto que Pizzi volta ao nível que já apresentou de águia ao peito, será apenas preciso contratar alguém próximo do valor dos titulares, para aumentar a competitividade no plantel. André Horta seria uma opção interessante e a sua venda, ainda por cima por 7 milhões, foi um erro.

O regresso de Pelé, a subida de Gedson, Pepê e João Félix ao plantel são hipóteses a considerar e contratar Lucas Evangelista, do Estoril, é algo a considerar. Nas alas, Rafa e Cervi são excelentes e farão, se tudo correr dentro da normalidade, a melhor temporada ao serviço do Benfica. O período de adaptação ao clube acabou e estão prontos para explodir. Se Carrillo regressar e Salvio não sair – mesmo considerando a saída do argentino, há João Félix, que pode jogar numa ala, e Diogo Gonçalves -, não há razão para mexidas. Já se falou de Nakajima e é um excelente jogador mas valores perto dos 10 milhões de euros são demasiado elevados para alguém que tem uma época no Portimonense.

No ataque, tudo está dependente da saída de Jiménez e Seferovic. Antes de mais, referir que ambos têm qualidade para estar no Benfica. Jiménez oferece características únicas que possivelmente com outro treinador seriam melhor aproveitadas. É uma espécie de Marega, mas melhor, do Benfica e só alguém inepto no treino é que ainda não conseguiu potenciar as características do mexicano. Além do elevado perfil físico, é exímio na finalização.

O caso de Seferovic é mais delicado mas o suiço já provou que tem qualidade. É forte a finalizar, tabela bem e movimenta-se com inteligência. Na época finda, depois de um início positivo, a lesão e mudança de sistema tático, que passou a incluir apenas um avançado, prejudicou-o mas as virtudes não desapareceram.

Caso a saída de Jimenez e Seferovic se confirme, o Benfica precisa de contratar alguém para os seus lugares. Não há ninguém na ”casa” com nível suficiente para os substituir e os encarnados, apesar de contarem com o melhor jogador do campeonato, necessitarão de recorrer ao mercado. Na posição de avançado, já se sabe, é obrigatório gastar uns bons milhões mas a seca de títulos tem de terminar na próxima época.

Foto de Capa: SL Benfica

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Mal sabia andar e já ia ao estádio ver os jogos do Gil Vicente, clube da terra natal. A paixão pelo relvado, pelos golos e pelas fintas, agarrou-se como uma doença e não mais saiu. Depois aprendeu a ler e a escrever e como não tirava más notas nas composições, aventurou-se na criação de blogues de bola. Mais tarde, na inconsciência dos seus dezoito, frequentou Ciências da Comunicação. Mantém vivo o sonho de ser jornalista desportivo, de derrubar chavões e fazer parte de uma nova era que pensa o futebol como um jogo para os criativos e inteligentes.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.