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A época foi de sonho. Sim, por muito que o meu interior esteja (ainda) desolado com a final perdida em Turim, a época foi de sonho. Conquistámos tudo a nível interno. Um marco histórico na vida do clube e do próprio futebol português – desde que a Taça da Liga foi criada, pelo menos.

Ouvi, esta semana, um suposto expert em futebol, num qualquer programa desportivo, dizer que o Benfica não fez mais do que a sua obrigação. Afirmou que, no Benfica, ganhar (quase) tudo era uma responsabilidade devido ao elevado investimento efetuado pelo clube. A minha primeira reação, obviamente, passou por gargalhadas e risos, até porque nem fomos aqueles que mais gastaram. Mas depois meditei sobre o assunto e rapidamente descobri que existia algum fundo de verdade. E porquê? Porque o Benfica tem verdadeiramente a obrigação de ganhar tudo. Não porque tem orçamentos elevados e planteis de luxo, mas porque é o Benfica. E este Benfica, um Benfica apaixonante, forte, vibrante, corajoso e lutador, tem obrigação de ganhar. É este o futuro que queremos.

O triplete, a tríplice ou qualquer que seja o nome que lhe queiram dar, tem inevitavelmente (não está sublinhado mas devia) de ser a base do nosso futuro. O tempo de festejar terminou na segunda-feira, quando o presidente, a equipa técnica e os jogadores foram justamente homenageados na Câmara Municipal de Lisboa. Agora é o momento de focar as atenções no mercado. É tempo de substituir cirurgicamente os jogadores que abandonarem a Luz e de adaptar os reforços à mentalidade do clube.

O Benfica fez história ao juntar a Taça de Portugal ao Campeonato Nacional e à Taça da Liga Fonte: ZeroZero
O Benfica fez história ao juntar a Taça de Portugal ao Campeonato Nacional e à Taça da Liga
Fonte: ZeroZero

A teoria de que o Benfica com Jorge Jesus é o clube mais forte em Portugal tem de passar do papel para a prática: relembro que nos últimos três anos o Benfica ganhou apenas um campeonato. Só um. Em 2010/11, depois do primeiro ano vitorioso de Jorge Jesus à frente do plantel, o Benfica dormiu na sombra da vitória, enquanto o FC Porto trabalhou duro para voltar ainda mais forte. A temporada perfeita de André Vilas-Boas foi um choque e um banho de humildade para a direção benfiquista. Bebemos demasiado da glória daquela temporada de futebol fantástico e pagámos um preço elevadíssimo. É um facto que não estávamos habituados a ganhar. E, no futebol, saber ganhar é tão ou mais importante do que saber perder.

Agora que voltámos ao topo é imperativo não vacilar. Uma grande equipa e um grande clube constroem-se pelo sucesso a longo prazo, e não momentâneo. A nossa história é o melhor argumento que posso encontrar.

Portanto, três dias depois da conquista da Taça de Portugal, não tenho dúvidas de que o objetivo principal para a próxima época é o de revalidar todos os troféus ganhos esta temporada. Esse é o próximo passo. Essa é a nossa obrigação. Eu já não penso noutra coisa. E vocês?

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