Everton Soares, mais conhecido como Cebolinha, acaba de ser anunciado como reforço do SL Benfica (juntamente com Vertonghen e Waldschmidt). O extremo brasileiro abandona o Grémio a troco de 20 milhões de euros mais 20% de uma futura mais valia. Ou seja, se o jogador for vendido por 40 milhões de euros, o clube de Porto Alegre receberá 20% dos 20 milhões de lucro.

Everton é um dos mais entusiasmantes jogadores a chegar a Portugal nos últimos anos. Pondo em perspetiva: o extremo brasileiro de 24 anos é, neste momento, muito melhor jogador do que aquilo que era Di Maria quando chegou ao clube encarnado.

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Cebolinha era um dos melhores, senão mesmo o melhor, jogadores do Brasileirão. Em 2017, foi decisivo na conquista da Taça Libertadores e subsequente Recopa Sul Americana. Esteve na equipa do ano do campeonato brasileiro de 2018. Em 2019, fez 57 jogos ao serviço do Grémio PA, de Renato Gaúcho, e apontou uns impressionantes 20 golos.

Depois das boas exibições ao serviço do tricolor, Everton foi convocado para a Copa América de 2019 (competição onde iria demonstrar todo o seu valor). Disputando a competição em casa, Everton foi o melhor marcador e muito contribuiu para a conquista do título por parte da seleção brasileira.

Everton chega para ser titular de caras na equipa encarnada. Pode fazer ambas as alas, mas é à esquerda que mais brilha, fazendo-se valer do seu excelente pé direito. Everton é muito forte a executar diagonais para o meio e procurar o remate, como indicam os seus 2.1 remates por jogo.

Apesar de procurar muito o remate e aparecer bem em zonas de finalização, Everton consegue encontrar colegas em zonas privilegiadas e fazer chegar-lhes o esférico de forma adequada. Realiza cerca de um passe chave por jogo e fez sete assistências em 2019.

O desequilíbrio individual é a grande característica do jogador. Com a bola no pé é um autêntico mágico. É um jogador capaz de levantar uma bancada. É um jogador com muita capacidade em espaço curto, quase ao estilo do samba brasileiro, mas também consegue partir para cima do adversário em velocidade (onde o seu baixo centro de gravidade muito contribui).  Realiza 3.5 dribles por jogo, o que equivale a cerca de 60% dos dribles tentados por partida.

Esta capacidade de desequilíbrio é algo que não existia no plantel encarnado, sobretudo nas alas (Taarabt talvez fosse o único capaz de desequilibrar no drible). Com a chegada do extremo brasileiro e do seu conterrâneo Pedrinho, o SL Benfica fica muito bem servido neste capítulo.

Relativamente a Rafa ou a Cervi, habituais titulares à esquerda, Everton é bastante diferente. O português é um jogador que procura muito mais o espaço e o argentino dá um contributo defensivo que nunca vimos Cebolinha dar. O novo reforço de Jorge Jesus é um jogador que prefere muito mais receber a bola no pé e muitas vezes contemporizar os lances, por vezes até demais.

A nível defensivo Everton é uma debilidade, mas já vimos muitos jogadores evoluírem bastante na transição defensiva com Jorge Jesus.

Everton é, para mim, o grande reforço desta temporada no SL Benfica, mesmo que a chegada de Cavani se confirme.

As características do jogador e a sua atitude em campo vão certamente cativar os adeptos e os colegas. O samba chega à Luz!

Artigo revisto por Joana Mendes