O silêncio que vale por mil palavras | Benfica

- Advertisement -

O empate entre o Sport Lisboa e Benfica e o Sporting Clube de Braga na passada segunda-feira foi muito mais do que dois pontos perdidos. Foi o espelho de uma época desastrosa, um retrato cru de um clube perdido entre a falta de liderança, a ausência de rumo e um silêncio ensurdecedor vindo de quem devia dar a cara nos momentos difíceis.

As bancadas falaram. E falaram alto. Os cânticos de pedido de demissão dirigidos a Rui Costa não foram apenas fruto da frustração de um resultado. Foram o culminar de meses de desgaste, de decisões incompreensíveis, de promessas vazias e de uma incapacidade gritante da direção em assumir responsabilidades. Mas perante o descontentamento crescente, a resposta foi o vazio. O silêncio. Um silêncio estratégico, quase calculado, onde o clube parece servir de escudo para proteger quem o dirige das críticas legítimas dos sócios.

José Mourinho João Tralhão Pedro Machado Roberto Merella Ricardo Rocha Benfica
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Da indefinição em torno da renovação de José Mourinho até à sucessão de erros que marcaram esta temporada, há um denominador comum: a incapacidade de liderança. Rui Costa, figura da história do Benfica enquanto jogador, parece hoje incapaz de assumir o peso institucional do cargo que ocupa. E é precisamente aí que nasce a maior desilusão. Porque ser um símbolo dentro das quatro linhas nunca garantiu competência fora delas.

A legitimidade democrática conquistada em outubro de 2025 parece hoje mais frágil do que nunca e nem passou um ano… Rui Costa tornou se o presidente mais votado da história do Benfica, um verdadeiro recorde digno do Guinness, mas a dimensão da vitória eleitoral apenas tornou maior a exigência. E até agora essa exigência não encontrou resposta à altura.

A verdade custa, mas precisa de ser dita: muitos sócios votaram com o coração. Viram no antigo maestro uma extensão emocional do Benfica que aprenderam a amar. Contudo, ser presidente de um clube moderno exige muito mais do que memória afetiva, golos decisivos ou amor à camisola. Exige visão, competência, coragem política e capacidade de liderança. Sobretudo nos dias de hoje.

José Mourinho Rui Costa Benfica
Fonte: SL Benfica

A minha posição relativamente a esta direção sempre foi frontal. Nunca considerei que tivesse condições para continuar e honestamente nem sequer para ter sido eleita. Mas também seria intelectualmente desonesto ignorar a realidade democrática do clube. A maioria dos benfiquistas escolheu este caminho. E mesmo quem discorda profundamente tem o dever de respeitar a vontade expressa nas urnas.

As redes sociais fervilham, os nomes alternativos multiplicam se e João Diogo Manteigas ressurge para muitos como uma esperança de mudança, alguém capaz de devolver ambição, exigência e estrutura ao clube. Porém, entre o desespero e a ansiedade, importa não cair na tentação de destruir tudo à nossa volta. O Benfica é maior do que qualquer presidente, qualquer treinador ou qualquer ciclo desportivo.

Por mais difícil que seja aceitar o estado atual do clube, há uma realidade incontornável: a esmagadora maioria do universo benfiquista votou em peso nesta direção. E isso obriga nos, gostemos ou não, a aceitar o resultado e a esperar, quase em forma de oração, que exista finalmente uma mudança de atitude. Muitos defendem que a demissão seria a solução mais digna e necessária. Talvez seja. Mas também há momentos em que liderar significa reconhecer o fracasso e devolver a palavra aos sócios.

Florentino Pérez, Rui Costa
Fonte: Real Madrid

Quem sabe se Rui Costa poderá seguir o exemplo de Florentino Pérez e convocar eleições antecipadas, percebendo que o desgaste atingiu um ponto de não retorno. Seria um gesto de coragem institucional. Um último ato de lucidez.

Até lá permanece o vazio. E no Benfica de hoje, o silêncio fala por mil palavras.

Subscreve!

Artigos Populares

Brighton faz o pleno dos prémios do mês de setembro da Premier League

O Brighton arrecadou as três distinções individuais do mês da Premier League. Fabian Hurzeler, Pascal Gross e Lewis Dunk foram os premiados.

Lionel Messi deixa mensagem para o Eldense: «Força Deportivo»

Lionel Messi, agora proprietário do Eldense, acompanhou, à distância, a vitória da sua nova equipa, por 4-1, frente ao Real Oviedo.

Ruben Amorim testou novo sistema e AC Milan empata em jogo particular

Ruben Amorim abandonou o seu sistema habitual e não foi além de um empate frente ao Padova, num jogo-treino. O AC Milan experimentou um 4-2-3-1.

Daniel Banjaqui garante concentração nos Sub-21: «Temos de estar focados»

Daniel Banjaqui falou aos jornalistas antes do treino, tendo em vista o jogo final da qualificação para o Europeu Sub-21, frente à Chéquia.

PUB

Mais Artigos Populares

Fotis Ioannidis mostra-se exigente com a Grécia e elogia adversário: «É o melhor defesa atualmente»

Fotis Ioannidis foi protagonista no empate entre a Grécia e os Países Baixos. Avançado fez o rescaldo do encontro.

Pedro Porro não fecha a porta ao Barcelona: eis o que faria o lateral tentar rumar à Catalunha

Pedro Porro encontra-se ao serviço do Tottenham, mas poderá mudar-se num futuro próximo para o Barcelona.

Fábio Vieira assume «situação chata» com Cristiano Ronaldo, mas avisa: «O mais importante é que Portugal volte a ganhar os próximos jogos»

Fábio Vieira comentou a mais recente polémica na seleção de Portugal. Médio do Hamburgo analisou situação que envolve Cristiano Ronaldo.