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“O toque de Lage”: O que se espera e o que se esperava da temporada

Pedro Afonso · 3 min

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A época do Benfica está marcada, claramente, por duas eras. A era de Rui Vitória e a era de Bruno Lage. Quer uma, quer outra, tem as suas características próprias, seja no futebol, na atitude, no discurso ou nas expectativas. É sobre este último que me quero debruçar.

Se é verdade que Rui Vitória deu várias alegrias aos adeptos encarnados na sua carreira como treinador das águias, é também verdade que não foi isso que se verificou ao longo da sua última temporada no posto. A equipa estava desorganizada taticamente, as substituições em jogo eram previsíveis e tardias, sendo que muitas vezes inúteis, os jogadores não demonstravam atitude suficiente para ultrapassar equipas claramente inferiores e o discurso aborrecido acompanharam Rui Vitória até janeiro, sempre debaixo de contestação devido às más exibições e aos maus resultados. Era o fim de uma era. Um declínio triste e claramente esticado por demasiado tempo.

A esperança no Benfica com Rui Vitória era a da luta pela Liga dos Campeões e, quem sabe, ter a sorte de vencer uma taça. Projetos europeus eram diminutos, já que o Galatasaray era equipa que bastasse para ultrapassar o Benfica de Rui Vitória. Não havia uma expetativa positiva. Aliás, até poderia ser positiva, mas a expetativa passava muito pelo dia em que o treinador seria retirado do comando técnico – e isso era visto como positivo -, e não por resultados nas competições.

A sete pontos do líder, a reconquista parecia impossível a jogar de tal forma, com clássico marcado para a meia final da taça da liga, receava-se um embaraço, duplo dérbi para o campeonato e para a Taça de Portugal, ponderava-se a queda para terceiro lugar e a despedida do Jamor. Tudo isto andava a colocar receio nos corações dos benfiquistas.

Porém, dia 9 de janeiro, Bruno Lage tomou conta. E tudo mudou.

O setubalense chegou com estatuto de “treinador de formação”, mas com vontade e foco em deitar esse rótulo abaixo. A equipa mudou completamente nas mãos de Lage e hoje, todas as expectativas são diferentes.

Desde que Lage assumiu que a equipa está mais unida
Fonte: SL Benfica

O Benfica está em primeiro lugar na Primeira Liga; passou o Galatasaray e, apesar da derrota em Zagreb, o 1-0 torna possível discutir a eliminatória no Estádio da Luz; goleou o Sporting por 2-4, em Alvalade, para o campeonato e venceu, dias depois, por 2-1 na primeira mão da meia final da Taça de Portugal. Verdade seja, que o adeus à Taça da Liga acabou por se verificar. Era cedo demais, muito precoce, mas logo aí se viu que aquele Benfica tinha algo de diferente. Um toque diferente, algo mais do que outrora. Foi o ‘toque de Lage’. Viu-se que, com tempo, esse ‘toque’ poderia levar-nos longe.

Verificou-se isso mesmo na deslocação ao Dragão. O Benfica foi ajustar as contas e roubar a liderança ao FC Porto, na sua própria casa, vencendo por 1-2, num grande clássico de futebol em que os encarnados foram superiores na casa portista.

Com o ‘toque de Lage’, mesmo após um jogo menos bem conseguido na Croácia – o homem tem direito a falhar -, a visão para o Benfica é mais alegre. Há esperança em vitórias, em títulos, algo que antes de Lage assumir o comando encarnado, parecia estar longe de se poder pedir.

Até podemos chegar ao fim sem levantar um troféu, mas este ‘toque de Lage’ veio devolver o Benfica aos benfiquistas e fazer do Benfica uma equipa unida e grande de novo. A expetativa de progresso não se perdeu, mesmo depois de 15 jogos.

Foto de Capa: SL Benfica

Pedro Afonso

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