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Na era do futebol moderno, é absolutamente imprescindível que qualquer clube tenha um projeto económico e desportivo solidificado que vá ao encontro dos objetivos propostos, mas, principalmente, que seja altamente eficaz a potenciar os valores desse mesmo clube. Já não é uma questão de projetar o futuro; é, sim, a necessidade de sobreviver numa selva onde a desigualdade de forças aumenta a cada dia. No entanto, todo e qualquer projeto está sujeito a falhas ou, de uma forma mais bárbara, ao falhanço.

O projeto do Benfica, nestes últimos anos, mudou o paradigma do futebol português. Com Jorge Jesus ao comando da equipa técnica, Luís Filipe Vieira conduziu um projeto com a clara intenção de recuperar a hegemonia do futebol nacional e, caso fosse possível, reaver o prestígio internacional. Com a conquista do bicampeonato, a nível nacional, o projeto esteve perto de atingir a perfeição. Três campeonatos em seis possíveis não é excelente, mas é demasiado bom se tivermos em conta o passado negros dos últimos vinte anos. Para além disso, o Benfica conquistou uma Taça de Portugal (chegou a outra final), cinco Taças da Liga (que podem ser seis) e uma Supertaça Cândido de Oliveira (que podem ser duas). Repito, não sendo perfeito, o Benfica demonstrou uma grande força a nível interno neste último projeto.

 Jesus e Vieira, as duas caras de um projeto de sucesso do Benfica Fonte: Facebook do Benfica
Jesus e Vieira, as duas caras de um projeto de sucesso do Benfica
Fonte: Facebook do Benfica

No escalão internacional, a história muda de figura, ainda que a glória tenha estado a poucos centímetros das nossas mãos. Foram duas finais da Liga Europa perdidas, que, ainda assim, permitiram ao Benfica beneficiar de algum reconhecimento do mundo do futebol. Em suma, foi um projeto de sucesso, obviamente.

Resta-nos saber se o trajeto deste projeto terá o seu fim já na próxima sexta-feira, depois da partida frente ao Marítimo, ou se, pelo contrário, o caminho deste plano está longe de se extinguir.

O que é certo é que, independentemente da continuidade deste projeto ou da implantação de um novo, a conquista do tricampeonato terá obrigatoriamente de se tornar a prioridade máxima.

A qualidade desportiva que o Benfica alcançou nestes últimos anos tem claramente o dedo de Jorge Jesus, mas os objetivos do clube não podem ser revistos em momento algum, fique ou não o treinador português ao comando da equipa.

Felizmente para nós, já não é uma questão de treinador, mas sim de mentalidade. E foi precisamente essa falta de mentalidade vencedora, a cultura de vitória semana após semana, que tanta falta fez ao Benfica durante anos a fio. Agora que a recuperámos, caros leitores, este é o único traço que o Benfica não pode trocar, vender ou emprestar. Enquanto tivermos essa identidade em nós, estaremos sempre mais perto do sucesso.

Foto de capa: Sport Lisboa e Benfica

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