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Foi com alguma tristeza que recebemos, na semana passada, a notícia do ponto final na carreira de Rúben Amorim. O (agora) ex-médio, de 32 anos, rescindiu com o Benfica, depois de uma saída conturbada para o Qatar, a título de empréstimo ao Al Wakrah, onde fez 14 jogos. Começou a sua formação no Benfica, mas foi ao serviço do Belenenses que iniciou o seu percurso profissional. Ao fim de 10 anos, regressou ao clube da Luz, mas não teve o sucesso desejado. Nunca foi titular indiscutível e foi ainda emprestado ao SC Braga, durante uma época e meia.

Rúben Amorim foi um jogador que se destacou pela sua polivalência. Tanto que foi chamado à Seleção Nacional nos Mundiais de 2010 e de 2014. No Benfica, jogou mais de 150 vezes, e somou vários títulos ao seu currículo: três campeonatos, uma Taça de Portugal, cinco Taças da Liga e uma Supertaça.

Rúben Amorim merecia mais Fonte: SL Benfica
Rúben Amorim merecia mais
Fonte: SL Benfica

No entanto, a quebra de rendimento vinha a arrastar-se desde 2014/15 e o internacional português não calçava há quase 12 meses. As lesões foram uma das grandes pedras no seu sapato, e a sua condição física deteriorou-se. A juntar a isso, o facto de jogar num campeonato do Médio Oriente certamente não terá contribuído para uma melhor recuperação do físico e do ritmo.

O ex-atleta das ‘águias’ era um bom jogador. Nunca se especializou numa posição e, por isso, era muito útil para tapar buracos. Talvez daí advenha o facto de jogadores desse tipo, polivalentes, raramente serem titulares indiscutíveis, pois perdem espaço no meio-campo, jogando praticamente na posição de dez. Jogadores polivalentes dão muito jeito a qualquer equipa, mas não são primeira opção face a qualquer especialista na posição (veja-se o caso de André Almeida).

Uma pena, este desvinculo ingrato de um jogador que tanto sentia a camisola do Benfica. Poderia ter tido uma carreira de maior êxito. Já para não falar do ambiente que dava ao balneário (lembremo-nos, por exemplo, de quando agarrava no microfone da Benfica TV, assumia o papel de jornalista e entrevistava os colegas, numa grande animação). Nota negativa para o Benfica. Falhou no tratamento a um jogador que sempre foi correto e teve um comportamento exímio de respeito pelo clube. Para além de ter sido ‘despachado’ por Jorge Jesus, Rúben Amorim não merecia sair desta forma. Merecia mais. E melhor. Em comunicado, os ‘encarnados’ enalteceram “o profissionalismo, a atitude competitiva, todas as evidentes qualidades técnicas e humanas pelas quais pautou o seu percurso no profissional de futebol”. Consta ainda que Luís Filipe Vieira lhe ofereceu um lugar na estrutura do futebol da formação do Benfica, num futuro próximo.

Ao Rúben, desejo as maiores felicidades e toda a sorte para o que ainda há de vir.

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