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O último passo para o aproveitamento das joias encarnadas | SL Benfica

Tiago Serrano · 4 min

Joias encarnadas na vitória frente ao Sporting CP
Foto: Carlos Silva/ Bola na Rede

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Na tua opinião, o que é que falta para que haja um maior aproveitamento das joias encarnadas da formação?

 

Há uma semana, o Sport Lisboa e Benfica fez história e conquistou finalmente a sua primeira Youth League. Esta conquista voltaria a colocar a formação encarnada no mapa e voltaria a lançar a questão no ar de que se o SL Benfica estaria realmente a aproveitar toda a sua qualidade nas camadas jovens.

As camadas jovens do Sport Lisboa e Benfica começariam a ganhar notoriedade aquando da criação das equipas B e da Youth League, que foram passos dados no sentido de que os jogadores da formação tivessem mais visibilidade, projeção e competição que lhes permitisse crescer e ficarem mais preparados para patamares superiores.

E foi então aí que começaram a destacar-se os primeiros jovens que começaram a ser apontados à equipa principal, tais como João Cancelo, Bernardo Silva, Ivan Cavaleiro ou Hélder Costa. Todos eles tiveram minutos de jogo pela equipa principal, mas nenhum deles foi aposta a sério, visto que acabaram por ser vendidos antes que pudessem ter uma oportunidade a sério.

Seria com a chegada de Rui Vitória no comando técnico da equipa que começaria a haver uma maior rentabilização desportiva da “prata da casa”.

 

Renato Sanches foi uma das joias encarnadas potenciadas por Rui Vitória
Renato Sanches foi uma das joias encarnadas potenciadas por Rui Vitória
Fonte: Carlos Silva/ Bola na Rede

 

Nélson Semedo, Victor Lindelof, Renato Sanches e Gonçalo Guedes foram aposta regular na equipa principal neste período, tendo sido jogadores que tiveram a sua importância na conquista do Tri e do Tetracampeonato. No entanto, este sucesso também viria a ter o seu preço, resultando na venda destes jogadores e a aposta na formação viria a perder alguma continuidade.

Na “Reconquista” da época 2018/2019, Rúben Dias e João Félix foram peças chave no 37º título, Gedson Fernandes foi habitual titular na equipa na primeira metade da época com Rui Vitória ao leme, enquanto Ferro e Florentino foram promovidos por Bruno Lage, sendo aposta regular na segunda metade da época, enquanto Jota também começou a ganhar minutos.

Na temporada seguinte, foi altura de Nuno e Tomás Tavares começarem a ser aposta na equipa principal, sendo que na temporada passada, Diogo Gonçalves teve uma nova oportunidade e Gonçalo Ramos começou a ter alguns minutos na equipa principal, sendo que nesta época, tem sido Paulo Bernardo o jogador que começou a conquistar o seu espaço.

No entanto, fazendo um balanço geral destes últimos anos em que vimos vários jogadores da formação serem lançados na equipa principal, verifico que a rentabilização das sucessivas gerações de jogadores formados no SL Benfica não foi devidamente feita.

Uns, foram vendidos antes que tivessem uma oportunidade a sério de mostrar o seu valor (João Cancelo e Bernardo Silva). Outros, chegaram a ser aposta regular na equipa principal, mas acabaram por ser descartados após quebras de forma (Ferro, Florentino e Gedson).

E depois houve outros que foram lançados na equipa principal de forma prematura, mostrando uma clara falta de andamento para o seu nível (Nuno e Tomás Tavares).

O facto do aproveitamento ser pouco face ao talento produzido deve-se acima de tudo ao contexto, sendo que este pode ser causado por vários motivos. Entre os quais, o facto da equipa principal ter sido treinada por um treinador que olha pouco para a formação e que é incapaz de ter uma visão e uma linha de pensamento a longo prazo.

Outro motivo que leva a este desaproveitamento é que a política desportiva do SL Benfica não promove uma aposta na formação de forma gradual e sustentada, de modo a permitir que os jogadores tenham o tempo certo para se preparar e terem uma competitividade de forma contínua que promova o seu crescimento.

Isto deve-se a dois factos: primeiro, porque vários jogadores têm tido as suas carreiras mal geridas na sua fase de transição pós-equipa B, não tendo o estímulo competitivo necessário para crescerem e prepararem-se; segundo, a contratação de jogadores para para posições onde há jovens da formação à espreita de um lugar também dificulta esta aposta.

Para que a aposta na formação possa ocorrer de forma sustentada e progressiva, é preciso haver uma minuciosa gestão do plantel principal do SL Benfica, de modo a abrir espaço para os jovens que entendam estar preparados para a equipa principal. Mais do que isso, é necessário haver um total alinhamento entre a estrutura e o treinador e as suas ideias, de modo a que possam fazer uma avaliação mais criteriosa dos jogadores.

O Sport Lisboa e Benfica pode ter um aproveitamento muito melhor dos talentos que a formação produz, mas para isso é necessário criar um contexto que favoreça essa mesma aposta e que estes jogadores não sejam vendidos à primeira oportunidade como se fossem dadores de órgãos para os ricos.

Tiago Serrano

Redação Bola na Rede · ver artigos