coraçãoencarnado
Bem-vindos ao último Coração Encarnado. É com muita pena que vos escrevo estas palavras, mas a verdade é que deixarei de fazer parte deste tão promissor projecto, o Bola na Rede. Foi um prazer imenso ter-vos como leitores durante estes últimos meses. A verdade é que o texto de hoje será (apenas) uma soma de palavras de despedida com o Sport Lisboa e Benfica pelo meio.

Chegámos ao momento da verdade. A altura da época onde só os campeões não vacilam. Onde só aqueles que realmente querem lá chegam. Pois bem, faltam poucas finais para mostrarmos daquilo que somos feitos. Força, Querer e Ambição. Isso é o que nos descreve. Caracteriza. Motiva. O desaire do Rio Ave já ficou para trás, guardado na zona destinada às memórias. Dependemos de nós, e isso para mim é mais que suficiente. Jogos com o Nacional, Académica e Belenenses aproximam-se: não espero nada mais que nove pontos. Três vitórias e caminho traçado para a vitória frente ao rival directo. Eu já tenho o meu lugar reservado para esse jogo, nesse dia não há nada que me faça não apanhar esse voo com destino à glória. Até imagino no aeroporto de Madrid as indicações: “Voo com destino ao Estádio da Luz e a confirmação que este ano teremos bicampeão.”

Acredito mais que nunca que esse será o desfecho desta época difícil e repleta de incidentes. Temos de nos juntar. Como benfiquistas que somos. Apaixonados e loucos. Este é o momento para oferecermos os nossos ombros. Braços. Todo o corpo. Fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para levarmos aqueles rapazes ao Marquês. É assim que uma relação funciona. Dar e receber é o lema. Nunca seremos capazes de dar nem perto daquilo que o Sport Lisboa e Benfica nos deu.

Mas podemos sempre fingir. Tentar como nunca e fingir como sempre. Dar o corpo. Oferecer a voz de bandeja para que aquele estádio nunca se cale. Gritar com o benfiquista do lado se ele não se esfolar a cantar. Parar de bater palmas quando as mãos reclamarem com sangue. Só aí. Só o sangue encarnado que nos caracteriza nos pode parar. Mais nada. Nem derrota nem suspeita. Nada disso entra no nosso Universo. São oito pequenos passos que têm de ser dados. A águia vai-nos acompanhar. Nunca caminharemos sozinhos. Os céus querem tanto como nós. Que o tempo passe mais rápido que nunca. Mas só até ao Marquês. Depois, que pare durante essa noite mágica que eu já imagino.  Como vos disse, não há muitas palavras que possam descrever o misto de sentimentos que me habitam as cabeça. Não só pelo nosso amor, mas também pelo facto de ser a última vez que vos escrevo. Assim, deixo-me com um texto curto e directo, onde as emoções dominaram o teclado.

Despeço-me com um obrigado a todos os elementos do Bola na Rede que continuam a contribuir para o crescimento desta brilhante plataforma. Para vocês, os que fazem com que o Bola na Rede faça sentido, um obrigado ainda maior por me terem aturado. A mim e às minhas palavras. Que as tenham lido e absorvido, isso acaba por ser o único objectivo que tenho quando escrevo: que as palavras ganhem vida e tenham a capacidade de chegar a outras cabeças.

Fica o desejo que os meus textos tenham ajudado a acalorar ainda mais o vosso coração encarnado. Um abraço, até sempre!

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