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Marvila já não recebia o Benfica há mais de trinta anos. Esta terça foi, portanto, dia de festa no bairro lisboeta. A hora do jogo (15 horas) não convidava à presença de público mas mesmo assim foram muitos os adeptos que compareceram no velhinho Estádio Engenheiro Carlos Salema, que quase encheu, para ver um dos históricos dérbis alfacinhas. Foi tempo de voltar ao ambiente bairrista de outros tempos ou que só se encontra nas divisões inferiores.

Rui Vitória operou uma revolução no onze inicial para esta partida da Taça da Liga. A baliza foi entregue a Ederson, no lado direito da defesa alinhou Sílvio, o central Lindelof voltou a ser titular nesta competição, Guedes também voltou ao onze e Djuricic fez uma rara aparição a titular. Os primeiros sinais do encontro faziam prever o que ia ser o jogo na primeira parte: o Oriental a criar perigo e o Benfica sem criatividade e capacidade para chegar à área contrária.
Só passado o primeiro quarto de hora é que os encarnados criaram perigo, mesmo assim com Mitroglou a rematar fraco quando estava em boa posição. Na resposta, o Oriental quase marca por Fernando. Valeu Ederson, já no chão, a tirar a bola dos pés do avançado orientalista. Por esta altura, a bancada central empolgava-se, com os adeptos do Oriental (cerca de 300) a acreditarem que seria possível bater o bicampeão nacional.

Grande ambiente no Campo Engº Carlos Salema
Grande ambiente no Campo Eng.º Carlos Salema

Ainda no primeiro tempo, Rui Vitória trocou os extremos, Carcela e Gonçalo Guedes, mas sem resultados práticos. A equipa não conseguia fazer chegar a bola a Mitroglou. Foi culpa também do péssimo estado do relvado, que obrigou os dois conjuntos a prescindirem do jogo “de pé para pé” e a apostarem no jogo direto. A defesa do Benfica foi muitas vezes apanhada desprevenida por bolas nas suas costas em profundidade. O resultado foi uma partida em alguns períodos mal jogada e de muito contacto físico na disputa dos lances a meio-campo.
Na segunda parte o Oriental voltou a entrar em grande. Fazendo o jogo da sua vida e com uma entrega fantástica, poucos diriam que o penúltimo classificado da segunda liga pusesse em sentido o Benfica. Os encarnados continuavam uma sombra daquilo que se esperava e os homens de Marvila aproveitavam. Ederson foi o herói ao salvar o Benfica de um golo certo de Fernando, quando este ficou sozinho com a bola.

Com o passar do tempo o Oriental foi acusando o desgaste e perdendo o fulgor e o Benfica foi controlando mas sem efeitos práticos, já que havia pouca ligação entre os sectores e era notória a pouca rotina que os jogadores tinham entre si. A entrada de Renato Sanches fez melhorar o jogo do Benfica, mas foi Talisca a dar um motivo para festejar aos adeptos benfiquistas, ao marcar num pontapé à entrada da área numa altura em que o Oriental já jogava para garantir o nulo. No entanto, os homens de João Barbosa não baixaram os braços e voltaram a fazer tremer o Benfica. Foi um esforço que não deu frutos mas que valeu imensos aplausos das bancadas. Uma ovação mais do que justa para o conjunto de Marvila, que meteu o conjunto de Rui Vitória em sentido e que merecia claramente o empate (e mesmo a vitória não seria injusta). Nem parecia que em campo estava o penúltimo classificado da Segunda Liga e o bicampeão nacional.

A Figura:

Ederson – Quem diria que o guarda-redes do Benfica seria a figura do encontro frente ao Oriental? Salvou a equipa com duas grandes defesas e se o Benfica sai vitorioso muito se deve ao guardião brasileiro.

O Fora-de-Jogo:

Djuricic – O sérvio não tem rotinas de jogo e mesmo numa partida da taça da liga as suas fragilidades ficaram expostas. Na posição 8 tem de estar alguém criativo, com algum poderio físico e com visão de jogo, características que Djuricic ainda tem de desenvolver.

SALA DE IMPRENSA

O treinador do Benfica foi à conferência de imprensa lembrar que já esperava “uma tarefa difícil” diante do Oriental. Rui Vitória disse que por vezes “é preciso ser eficaz e pragmático nestes contextos” e que a equipa saiu satisfeita do jogo, onde alinharam alguns “jogadores que vieram de lesão”. Um deles foi Nélson Semedo, que “fez o primeiro jogo ao fim de três meses”. Quanto ao facto de Grimaldo não ter sido lançado, Rui Vitória referiu que o jogador “tem vindo a trabalhar e a integrar-se”. E, questionado sobre os jogadores menos utilizados, o treinador do Benfica disse que “é fundamental o trabalho de quem está fora para obrigar quem está dentro a jogar nos limites”.

Pergunta BnR – O Lindelof foi titular. Conta com o jogador ou há a possibilidade de ele sair para ganhar ritmo?

Rui Vitória – “Os jogadores que jogaram hoje merecem o nosso respeito e a nossa confiança. Não podemos estar a individualizar. A taça da Liga serve para colocar alguns jogadores a jogar e foi isso que fizemos”.

Já o treinador do Oriental referiu a importância do fator casa e garantiu que o jogo “foi uma festa”. “Demos uma demonstração de força frente ao campeão nacional”. “As equipas da segunda liga são competitivas”. Quando questionado sobre o facto de ter treinado Gonçalo Guedes e acompanhado a sua evolução enquanto jogador, João Barbosa afirmou: “O Gonçalo está a ter a oportunidade dele e espero que a aproveite”.

Pergunta BnR – Bruno Aguiar é um jogador com bastante experiência. Que importância tem para o plantel neste tipo de jogos?

João Barbosa– “Ele já passou por muitas coisas e consegue transmitir aos mais novos aquilo por que passou. Tem muita experiência”.

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