sl benfica cabeçalho 1A nação benfiquista vive em estado de alerta. Ninguém está satisfeito com as exibições e os resultados da equipa. Mas, para além da falta de atitude gritante dos jogadores nos últimos jogos, não é preciso perceber muito de futebol para ver que têm havido coisas no sistema táctico da nossa equipa que não têm funcionado.

Antes de mais, para chegar lá, é preciso perceber como a equipa encarnada joga. Na equipa do Sport Lisboa e Benfica, o sistema táctico de Rui Vitória sempre se caracterizou pela sua agressividade defensiva, com a equipa a fazer uma pressão alta com os avançados a pressionarem o defesa portador da bola e com a equipa a jogar com as linhas muito próximas, reduzindo assim ao máximo o espaço de jogo da equipa adversária.

Neste aspecto, acho que estamos bem servidos a nível de jogadores atacantes. Raúl Jiménez e Seferovic são dois avançados com um bom porte atlético, mas também possuem bastante modalidade, conseguindo desgastar uma defesa com o seu físico e não disputando um lance por perdido. Nesse aspecto, tanto o internacional mexicano como o internacional suíço são claramente superiores a Mitroglou. Temos também extremos agressivos na disputa de bola e que dão profundidade à equipa (Rafa e Salvio) ou que têm uma grande capacidade de desequilíbrio (Cervi e Zivkovic).

Quando a equipa parte para o ataque, também costuma jogar com um bloco junto e com a linha defensiva muito subida, fazendo combinações com os colegas de modo a confundir o adversário, tentando recuperar imediatamente a bola quando a perdem. Este sistema táctico já causou muitos estragos e na minha opinião, é aqui nesta fase do jogo que reside o problema.

Grimaldo tem um papel preponderante na equipa encarnada Fonte: Facebook Oficial de Alejandro Grimaldo
Grimaldo tem um papel preponderante na equipa encarnada
Fonte: Facebook Oficial de Alejandro Grimaldo

Passarei a explicar: para conseguir aplicar esta estratégia ofensiva, a equipa precisa de ter defesas bons de bola, precisa que pelo menos um dos centrais saiba sair a jogar e iniciar a construção e precisa que ambos os laterais saibam participar na manobra ofensiva da equipa. E quando falo em participar na manobra ofensiva da equipa, não me refiro apenas ao lateral ir à linha e cruzar. Refiro-me também a saber aparecer em zonas interiores e fazer combinações com os colegas.

Quando isso não acontece, existe um grande buraco entre a linha defensiva e a linha do meio-campo e com isso, os extremos não podem estar tão subidos e jogadores como Pizzi e Jonas têm de recuar no terreno para buscar jogo, desmontando assim o bloco da equipa.

Ora nesse aspecto, Jardel e Grimaldo são os únicos defesas que têm sido aposta e que cumprem esses requisitos. André Almeida e Eliseu são limitados no aspecto ofensivo, Lisandro López tem técnica, mas não a sabe aplicar. Com isto, resta saber se Douglas tem propensão ofensiva e se Rúben Dias ou Kalaica (centrais em quem deposito grandes expectativas) também sabem construir jogo.

Se os problemas defensivos não são de agora, devo dizer que esta foi mesmo a principal causa da quebra de produtividade da equipa. Nos primeiros quatro jogos oficiais, a equipa encarnada marcou 12 golos. Nos quatro jogos restantes, a equipa marcou cinco golos, dois dos quais de grande penalidade. Curiosamente, esta quebra começou no jogo em Vila do Conde, onde Jardel saiu lesionado.

Se devíamos ter agido melhor no mercado? Sim. E com isto não me refiro a gastar muito, mas sim a gastar bem, gastar dinheiro em jogadores que encaixam neste sistema táctico. Nunca vi campeonatos resolverem-se na sexta jornada, mas para dar a volta por cima a esta situação é preciso mais, muito mais. E esta equipa já mostrou que com atitude, é muito difícil de ser travada. Portanto, está na hora de todos arregaçarem as mangas e apertar os parafusos.

Foto de Capa: SL Benfica

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