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Na antevisão deste jogo, dizia Jorge Jesus, em relação ao arranque da segunda volta, que o Benfica fazia sempre uma melhor segunda metade de campeonato do que a primeira. Para além de o histórico das suas 5 épocas como treinador desmentir essa ideia, o resultado de hoje é um mau prenúncio para o que resta (e ainda é muito) jogar.

Se ainda havia dúvidas de que os encarnados não sabem lidar com a pressão, este jogo dissipou-as por completo. O que estava em causa era aumentar uma vantagem sobre o FC Porto de 6 para 9 pontos, o que não sendo decisivo, seria um avanço importante. Os jogadores carregaram durante um jogo o peso dessa mesma pressão, que ia pesando cada vez mais à medida que o jogo caminhava para o fim.

O Benfica entrou bem no jogo, a fazer circular a bola pelos flancos, a querer chegar ao golo. Os desequilíbrios na defesa pacense surgiam sobretudo do lado direito do ataque encarnado, quando Maxi combinava com Salvio. Aos sete minutos, Jonas tem uma flagrante oportunidade para marcar mas atira ao lado. O Paços de Ferreira baixava as linhas e o Benfica ia intensificando o domínio do jogo, circulando a bola cada vez mais perto da grande área adversária. Aos 17 minutos, Bruno Paixão viu e castigou um corte com o braço dentro da área de Ricardo, que parou o cruzamento de Salvio. No frente a frente com Defendi, Lima atirou à trave, desperdiçando assim a grande penalidade. Logo a seguir, nova bola no ferro da baliza do Paços, desta vez após um cruzamento de Salvio (muito ativo na primeira parte), que ainda sofreu um desvio na defesa.

O Benfica criava oportunidades, mas não marcava. A partir de metade da primeira parte, os encarnados baixaram o ritmo e o Paços equilibrou o jogo. À passagem da meia hora, foi Júlio César a impedir o golo de Cícero. Daí para a frente, não mais se viu a dinâmica dos primeiros 20 minutos e o intervalo acabou por chegar sem que nenhum outro lance mereça destaque. Faltava rapidez no passe e a equipa tornou-se demasiado estática (viram-se pouco as habituais desmarcações), o que facilitou a tarefa defensiva dos pacenses, que, com as linhas juntas, formaram um bloco compacto que impediu incursões na sua área.

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Derley entrou na reta final do jogo, reforçando o ataque encarnado Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Derley entrou na reta final do jogo, reforçando o ataque encarnado
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica 

Nada melhorou depois do intervalo. Pelo contrário. Os laterais do Paços fechavam bem as alas, mesmo quando Maxi e Eliseu subiam ao ataque, pelo que os cruzamentos escassearam. Atacar pelo corredor central também se revelou tarefa complicada. Talisca não é Enzo, nem nunca será, por mais que Jesus queira. E o problema é que nem sequer “desenrasca”. Hoje passou completamente ao lado do jogo, à semelhança de quase toda a equipa. Por isso, Jesus, pondo o problema de forma simples, fica com três opções: ou assume que nem Talisca nem Pizzi têm capacidade (não quer dizer que não virão a ter) para colmatar a saída de Enzo e pede ao presidente a contratação de um box-to-box até ao final deste mês (opção lógica); ou muda o sistema tático, de modo a não colocar as responsabilidades do transporte do jogo ofensivo nesse jogador; ou ignora o problema, mantém a aposta e poderá arriscar mais dissabores.

Mas voltando ao jogo, o Benfica apenas voltou a rematar aos 60 minutos, através de Jonas. Depois de Lima ter voltado a acertar na barra da baliza do Paços, Jorge Jesus resolveu inovar. Retirou de campo Ola John, que até estava a fazer uma partida razoável, para colocar Pizzi no meio e passar Talisca para a esquerda, posição à qual o brasileiro não está habituado. Jesus sacrificou a capacidade de desequilíbrio no um para um do holandês, que poderia ser importante na fase final do jogo, por uma troca que nada trouxe de positivo. O futebol do Benfica tornou-se tão lento e previsível, que os jogadores da casa não só tinham facilidade em neutralizar as jogadas de ataque encarnado, como começaram a explorar o contra ataque. Já sem Samaris em campo, que tinha saído para entrar Derley, Eliseu rasteirou Hurtado e o árbitro apontou para a marca do penálti, que em cima dos 90 minutos, Sérgio Oliveira não desperdiçou. Estava confirmada a primeira derrota do Benfica frente aos pacenses na era Jesus, num jogo onde o Benfica se mostrou muito abaixo do nível exibido nos últimos jogos.

A Figura:
Júlio César – Torna-se difícil destacar um jogador que tenha feito uma boa exibição, num jogo de tão fraca qualidade, principalmente na segunda parte. Assim, assinala-se a segurança do guardião brasileiro que se encontrava há mais de 700 minutos sem sofrer golos e só viu esse registo interrompido devido a uma grande penalidade.

O Fora-de-jogo:
Benfica – Depois de uma série de vitórias convincentes e da subida da “nota artística” da equipa, pouca gente imaginaria uma derrota em Paços de Ferreira, sobretudo quando havia a expetativa de um alargamento da vantagem na liderança.

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É frequente dar por ele a contar as horas até começar o próximo jogo do glorioso Benfica, que não perde por nada. Lá fora, apoia Arsenal, Milan e Bayern só porque os seus jogadores vestem a magnífica cor vermelha.                                                                                                                                                 O Tiago não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.