Terceiro Anel

Ambiente escaldante no Estádio Toumba, reduto do PAOK de Salónica, com os adeptos helénicos a não se calarem durante um minuto. Contudo, a equipa do Benfica, mais experiente nestas andanças das competições europeias, não se deixou intimidar, provando que tem de facto um conjunto mais forte do que o PAOK.

Jorge Jesus, à imagem daquilo que fez na época passada, aproveitou esta partida referente à Liga Europa para rodar jogadores. Em comparação com o jogo em Paços de Ferreira do passado domingo, houve sete mexidas no onze inicial, sendo que duas delas foram provocadas pelas lesões de Garay e Gaitán. Sendo assim, Artur, Jardel, Sílvio, André Gomes, Sulejmani e Djuricic foram titulares, ao passo que o indiscutível Enzo Pérez regressou ao onze inicial, após ter cumprido suspensão de um jogo, na capital do móvel. Posto isto, há que referir que a equipa do Benfica, ao longo de todo o jogo, foi quase sempre competente a defender, nunca permitindo grandes veleidades ao PAOK.

A primeira parte do desafio foi pobre, quase sem lances de perigo, com o PAOK a surgir, surpreendentemente, sem chama e com pouca capacidade para desequilibrar. E para isso em muito contribuiu a actuação do quarteto defensivo do Benfica, em especial de Luisão (está num momento de forma impressionante) e Sílvio, sempre muito eficaz a defender e activo no ataque. Lá na frente, o Benfica já não conseguia ser tão forte, em virtude da pouca chama de André Gomes, que errou inúmeros passes e que revelou sempre alguma lentidão de processos, e de alguma inépcia de Djuricic, que tarda em mostrar por que razão a sua contratação foi tão badalada. De referir que Sulejmani voltou a dizer presente, já que demonstrou sempre vontade, desequilibrando algumas vezes através de incursões pela ala esquerda.

Festa do golo, no inferno de Salónica Fonte: TVI 24
Festa do golo, no inferno de Salónica
Fonte: TVI 24

No segundo tempo, quando se podia esperar um PAOK lançado em busca da vitória, eis que a apatia se manteve sob o conjunto helénico. A equipa da casa até teve uma excelente oportunidade de golo, com um remate em arco de Lazar que passou junto ao poste esquerdo da baliza de Artur, mas essa situação foi quase um oásis no deserto de ideias que foi o jogo do PAOK. O Benfica, nunca chegando a brilhar, jogando ao ritmo que mais lhe interessava, chegou à vantagem por intermédio de Lima, aos 59 minutos, num lance que deveria ter sido anulado pela equipa de arbitragem, já que o avançado brasileiro se encontrava em posição de fora-de-jogo. A partir daí, a partida ainda se tornou mais fácil para o Benfica, que com a entrada de Fejsa ainda fechou mais as portas do meio-campo, gerindo assim confortavelmente a partida. Apenas aos 86 minutos o PAOK voltou a criar perigo, num cabeceamento de Salpingidis defendido apenas à segunda por Artur, numa última meia-hora em que o Benfica também foi de quando em vez colocando em sentido a equipa grega, com ataques venenosos.

Em suma, triunfo justo do Benfica num terreno muito complicado, mas perante um PAOK que é claramente inferior à equipa portuguesa. Jorge Jesus conseguiu assim vencer, fazer rotação no plantel, e ainda dar minutos a Eduardo Salvio, que acabou por ser o grande “reforço de inverno” do Benfica, após uma ausência prolongada por lesão.

 

A Figura
Sílvio – Boa exibição deste polivalente jogador encarnado, que mais uma vez voltou a mostrar a Jorge Jesus que é uma excelente opção. Muito competente a defender, quase não falhando um único corte, e afoito a atacar, criando desequilíbrios na ala esquerda, combinando bem com Sulejmani. Os ares da Grécia parecem fazer-lhe bem, visto que já em Novembro do ano passado, no terreno do Olympiakos, havia estado bastante bem.

O Fora-de-jogo
André Gomes – Sim, é verdade que o jovem jogador do Benfica, que muito tem andado nas bocas do mundo, não jogou na posição onde pode render mais, mas isso não explica totalmente a sua apatia, má eficácia no passe e, acima de tudo, uma exagerada lentidão que fez com que quase passasse ao lado desta partida.

Comentários