lanternavermelha

Benfica, Benfica, Benfica. Por onde começar? Não é  fácil, dada a tua dimensão, a panóplia de desportos que ofereces e a quantidade de títulos que tens no teu palmarés (ninguém quer saber se tem mais do que este e menos do que aquele, tem e acabou – não me comecem já a chatear). Tens muitas coisas boas para abordar mas, infelizmente, más também.

Podia cair no facilitismo de falar de algo como o ‘momento actual do Benfica’, mas deixo isso para os intervenientes dos programas televisivos de desporto, profissionais do levantamento do copo, doutores de profissão e peixeiros amadores, cada um defendendo a sua cor, e cujo objectivo parece ser ver quem fala mais alto e consegue esbracejar com mais veemência. E deve mesmo ser esse o objectivo, porque muda-se de canal e a situação repete-se, mudando apenas os intervenientes. É assim que se fala de desporto em Portugal? Enfim. Mas voltando ao meu Benfica, e sem mais rodeios… A formação, pá?

Sim, a formação. A formação do Sporting é fortíssima e é-lhe reconhecida uma qualidade e competência a uma escala global; a do Porto, pronto, já está falada; e as restantes lá vão mostrando ao mundo um jogador num período temporal semelhante a algo como ‘de dez em dez anos’. Para mim, é triste. Portugal é um país que tem sofrido muito com a conjuntura actual mundial e isso tem repercussões em todos os mercados, incluindo no futebolístico. Não podemos, enquanto país, rivalizar com Espanha, Inglaterra, Alemanha e Itália, por exemplo. Não temos fundos para contratações que fazem mexer o mercado, e as transferências portuguesas que fazem, de facto, mexer o mercado são sempre vendas e nunca compras. Já sabemos isso, é um dado adquirido, estamos todos cientes da situação. Então vamos perceber qual é o problema e vamos atacá-lo. Vamos resolvê-lo.

Peço desculpa por trazer a minha formação para aqui, mas, de facto, o Marketing está em todo o lado. Já te ocorreu, Jesus (levas por tabela por seres o meu treinador, tendo eu obviamente a noção de que isto não passa por ti, ou pelo menos só por ti), fazer uma SWOT só para teres uma maior percepção da coisa? Desculpa tratar-te assim, por tu, mas no meu Benfica não há caganças.

Geração Benfica / Fonte: http://benficasempre.blogspot.pt/
Geração Benfica
Fonte: benficasempre.blogspot.pt
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Pois bem, SWOT, ou em Português, FOFA – adoro esta designação e tinha de utilizá-la um dia – é uma análise que nos permite perceber quais as nossas forças e fraquezas, analisar as ameaças existentes no mercado e também as oportunidades que podemos eventualmente explorar. Posto isto, diz-me, Jesus, se uma das nossas grandes  ameaças não é a crise geral que se vive no mundo e em particular no futebol (sim, o Porto também)? É! Diz-me também se uma enorme oportunidade não seria a aposta séria e competente na formação? Seria! Diz-me ainda se uma fraqueza nossa não é ter na pessoa do André Almeida apenas o vigésimo terceiro benfiquista a representar a selecção nacional A este século? Sim, é uma fraqueza. Sobre os pontos fortes não vou falar porque, de facto, são muitos, enquanto clube e estrutura que o Benfica é e tem.

Analisando isto de forma rudimentar e salientando apenas um ponto básico em cada quadrante, podemos perceber que, de facto, a aposta na formação seria uma enorme mais-valia.

Eu acho que é frustrante ser jogador do Benfica nas camadas jovens, hoje em dia. Um jogador, para chegar a sê-lo, tem de ter motivação para estar bem, confiança, atitude, irreverência… Como podemos exigir confiança aos nossos miúdos quando eles estão anos a lutar para chegar ao último ano de júniores e serem emprestados? Melhor, para fazerem a pré-época com o plantel principal e depois, quando é ‘a sério’, serem emprestados. É simplesmente frustrante. E basta olhar para jogadores formados no Benfica e ver por onde andam para concluir que são um bando de pardais à solta, os putos.

E depois é óbvio e legítimo que adeptos de clubes alheios digam que aqui (leia-se Benfica) não se fazem jogadores, que aqui só se contratam estrangeiros, que aqui não se fala português, que aqui não sabemos o que é ter jogadores na selecção. E nós argumentamos, quais papagaios, tentando arranjar desculpas para o indesculpável.

O Benfica é um grande clube – neste momento não é o melhor em Portugal, mas é o maior. O Benfica faz-me vibrar, faz-me gritar, sorrir e, por vezes, chorar. O Benfica pode até ser campeão este ano, pode até ganhar tudo, mas, a manter-se assim, continuará a ser campeão nos anos de intervalo dos filhos do dragão. Continuaremos a ser campeões com mérito, mas sem sustentação. Com presente, mas sem futuro. Não pode ser.

Fonte: http://4.bp.blogspot.com/-8q6bxXBGwho/UXQr3w0yKJI/AAAAAAAABlc/fwpO4QX2nrw/s1600/148835_476318202408283_495844392_n.jpg
As nossas crianças, o nosso futuro
Fonte: Site oficial do Sport Lisboa e Benfica

O meu Benfica é um clube com óptimas condições para os seus atletas, com excelentes adeptos e com excelentes condições para uma aposta séria e estruturada na formação, e é honestamente isso que espero que aconteça. O caminho para responder à crise é a formação. O caminho para termos mais portugueses no plantel (para jogar e não para dizer apenas que é português)  é a formação. O caminho para termos, no futuro, uma selecção com vários jogadores encarnados é a formação.

A minha questão é simples. Já tentámos muita coisa, muitas mudanças de técnicos, de jogadores, de políticas de contratações (este ano é na ‘Sérviolandia’)… Tudo bem. Eu estive sempre cá. Não está a resultar.

Vamos apostar na formação?  É que já estou farto de ver os jogadores formados no Benfica como um bando de pardais a solta, qual canção do Carlos do Carmo. São putos, sim. Mas são putos com valor.

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Apoia o Sport Lisboa e Benfica desde que nasceu. Adora o clube, tudo o que o envolve, mas não é cego e muito menos vê só vermelho! Para ele, o Cristiano Ronaldo é o jogador mais completo do mundo, a formação do Benfica devia render mais e Portugal caminha a Passos largos para o abismo.                                                                                                                                                 O Gonçalo não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.