Bem, depois de quatro dias em que se bebeu para esquecer, se reviu para acreditar, e se lamentou, insultou, e se pegou na exibição do Benfica para a comparar a lixo, ou qualquer coisa ainda mais repugnante que isso, cheguei a uma conclusão. Querem saber qual?

Nenhum benfiquista, por esse Mundo fora, por menos adepto que seja, por mais crítico, imparcial, tendencioso e até mesmo insuportável, merecia esta exibição.

Queria conseguir pegar neste jogo e espremer dele algo que me acalentasse a desilusão que sinto, para que doesse menos. Mas dói. Dói demasiado. Pensar que a minha equipa, sujeita a ser pentacampeã pela primeira vez na sua história, que partia em vantagem para um clássico decisivo, que poderia ficar com uma almofada de 4 pontos para ir a Alvalade descansada, acaba por jogar tão miseravelmente. Nada do que disse atrás se refletiu no jogo. Tivemos um André Almeida a fazer lembrar o tempo em que ninguém dava um tostão por ele, um Pizzi a falhar passes com a facilidade com que os acertava a época passada e um Jiménez que foi tudo menos ponta de lança, a quem faltou a garra de outros jogos e a justificar o porquê de ser suplente. Tivemos um Zivkovic perdido em campo, e um Cervi sem ideias. Valha-nos um Fejsa que foi o único a querer manter o titulo de campeão até ter 60 anos.

Fonte: FC Porto

Mas pior. Rui Vitória. Rui, um segredo. Nós também podemos ganhar ao Porto. Não levamos um castigo da FIFA se o fizermos. E tu, Rui, não quiseste ganhar. Mas também não quiseste não perder. E qualquer um dos dois era melhor que perder. Não fui claro? Então acompanha-me no meu raciocínio. Ora, um treinador que em primeiro lugar, decide tirar o jogador que mais desequilíbrios estava a conseguir, claramente adopta uma postura mais contida. Ou seja, não quer ganhar.

Mas um treinador, que decide, no final da partida, numa altura em que o FC Porto se agigantava, tirar um médio para pôr um ponta de lança, é um treinador que, vá-se lá perceber porquê, não quer evitar a derrota. Rui, ser campeão, sem nunca ganhar um jogo ao nosso maior rival é sem dúvida algo que não se poderia manter durante muito tempo. E que pena! Por nós até gostávamos de ti. Mesmo! Nós defendíamos o nosso treinador. Mas a partir do momento em que o nosso treinador não nos quer defender, por mais que haja amor, e por mais forte que ele seja, naturalmente chega o momento em que isto já não faz sentido.

Benfica, fizeste milhares de adeptos, mais ou menos fervorosos, passar por piadas, ouvir insultos, levar com as semelhanças entre o Kelvin e o Herrera, ver os próprios portistas a festejar na nossa casa. E mesmo assim, ainda ouço quem diga que ainda é possível. Ainda ouve quem depois do golo tentasse timidamente gritar “Eu amo o Benfica”. Não tens noção dos adeptos que tens. E nenhum merecia isto. Nem tu, no Domingo, nos mereceste a nós.

Foto de Capa: SL Benfica

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O Alexandro acredita piamente que se existe um Deus a melhor obra dele é, sem dúvida, o futebol. Saído de uma família benfiquista ferrenha, a escolha acabou por ser óbvia. Divide a paixão que têm pelos encarnados, com a paixão e o sonho de ver o Académico de Viseu de volta à primeira. A escrita é algo que sempre esteve presente no seu percurso, sendo que em todos os seus textos tenta incluir o humor que lhe é tão característico. Nascido e criado em Viseu, decidiu há 5 anos rumar a Lisboa para poder estar mais próximo da Luz, ou como os pais lhe chamam, estudar.                                                                                                                                                 O Francisco não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.