Foi a 18 de abril de 1990 que se deu a célebre “mão de Vata” e hoje falamos sobre o seu protagonista como um dos perdidos no tempo.

O jogador angolano deu o salto de Angola para Portugal em 1983, para representar o Águeda, seguindo-se o Varzim por quatro temporadas. Em 1988, o Benfica contratou o avançado para fazer parte do seu plantel.

Na época de estreia, Vata foi melhor marcador da Primeira Liga, apesar de ter marcado apenas 16 golos na principal divisão portuguesa. Ergueu o troféu de campeão português, pelo clube da Luz, e chegou à final da Taça de Portugal que foi ganha pelo CF Os Belenenses.

Apesar do bom ano de estreia, a grande marca que deixou no futebol dos encarnados, foi o episódio com que iniciámos este texto. Na época 1989/90, o Benfica enfrentava o Olympique Marseille na meia final da Taça dos Campeões Europeus. Na outra meia final, Milan e Bayern de Munique discutiam a outra vaga na final. Ambas as eliminatórias, curiosamente, terminaram com o mesmo resultado: 2-2. O Milan garantiu o bilhete para a final de Viena, e o Benfica acabou por conseguir fazer o mesmo. Na primeira mão, o Benfica perdeu, em Marselha, por 2-1. Apesar da derrota, tudo permanecia em aberto, devido à vantagem mínima e ao golo marcado fora.

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Na segunda mão, na Luz, a partida entrava nos últimos 10 minutos empatado sem golos, significando que o Marselha ia discutir a final frente aos italianos. Aos 81, houve canto para o Benfica. Bola parada batida por Valdo, desvio de Magnusson a fazer a bola cair no coração da área onde estava Vata a desviar para o interior da baliza francesa e a apurar os encarnados para mais uma final europeia. Houve contestação junto do árbitro, mas de nada serviu. O Benfica acabou mesmo por passar, embora viesse a perder por 1-0 na final.

 

O destaque da carreira de Vata foi nesta meia final frente ao Marselha
Fonte: A Minha Chama

O curioso deste lance é que, vendo as repetições, o que parece é que os franceses tinham razões para contestar o golo validado. A bola embateu na mão do jogador do Benfica e entrou na baliza. Este lance ficou conhecido como a ‘Mão de Vata’, embora o mesmo, após 25 anos, afirme com segurança de que não jogou a bola com a mão.

Depois disso, Vata fez uma temporada discreta no Benfica, com apenas 3 golos, saindo para o Estrela da Amadora na temporada seguinte. Seguiu-se o Torreense e o Floriana, da Malta, ambos por uma época. Finalmente representou a equipa indonésia, Gelora Dewata até terminar a carreira.

Não era um jogador extraordinário, mas sim um avançado competente. Foi melhor marcador da Primeira Liga Portuguesa e campeão pelo Benfica, por isso ficará para sempre nos livros de história. Porém, será o caricato lance que fará sempre lembrar o dono da mão de Vata.

Foto de Capa: SL Benfica