paixaovermelha
Ao segundo jogo como titular, Pizzi convenceu a grande maioria dos adeptos (e talvez até Jorge Jesus) de que é o homem certo para substituir Enzo Pérez – isto, claro, dentro das soluções do plantel. Se por um lado não me espanta que tenha demorado vários meses a mostrar qualidade na posição 8, também não me surpreende a recente quebra de rendimento de Talisca. Defendi várias vezes, aqui neste espaço, que Talisca dificilmente alcançaria o nível desejado por Jorge Jesus para aquela que é indiscutivelmente uma posição fulcral no sistema tático do Benfica. Talisca tem obrigatoriamente de ser um homem próximo da área de finalização, de forma a que se retire toda a excelência e eximia capacidade de remate do brasileiro.

Já Pizzi tem tudo para ser, pelo menos, um bom 8. Está, efetivamente, longe dos melhores índices de Enzo Pérez. Ainda que seja impossível fugir às habituais comparações, parece-me injusto confrontar as prestações de ambos, uma vez que, para os mais esquecidos, Enzo demorou vários jogos até adquirir os processos ofensivos, defensivos e, principalmente, de equilíbrio tático a que a posição obriga.

O internacional português encontra-se exatamente a meio desse processo. No passado domingo, frente ao Setúbal, Pizzi demonstrou que a nível ofensivo jamais terá problemas em oferecer um alto rendimento, fruto de vários anos a jogar em posições atacantes. Apesar dos dois golos marcados por Lima, Pizzi foi eleito homem do jogo frente aos sadinos por vários jornais e sites desportivos. As razões são óbvias: com uma assistência e vários passes para ocasiões de golo, o português demonstrou uma capacidade técnica altíssima e uma visão de jogo exemplar. A nível de passe, Pizzi acertou 85% dos 65 passes realizados, o que demonstra bem a qualidade do internacional português neste capítulo. O mais notável, porém, foi a forma imperiosa como assumiu o jogo e a responsabilidade de empurrar a equipa para a frente. Assumiu o jogo e foi feliz.

Pizzi começa a mostrar serviço na Luz Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Pizzi começa a mostrar serviço na Luz
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

A nível defensivo, o rendimento foi menor ou, pelo menos, não tão exuberante. É certo que o adversário raramente causou problemas ao conjunto benfiquista, e, quando o fazia, utilizava as alas para progredir no terreno. Ainda assim, Pizzi terá forçosamente de impedir desequilíbrios na zona central e impedir transições adversárias. A assimilação destes processos requer tempo e, especialmente, minutos de jogo. Por muito que Jorge Jesus e Pizzi estejam em sintonia nos treinos, é no relvado, com um adversário pela frente, que o ex-jogador do Atlético Madrid irá criar as rotinas necessárias para se tornar um médio à altura das exigências do Benfica.

Perante isto, os adeptos do Benfica não devem esperar a garra e a intensidade de Enzo Pérez. Podem é ter a certeza de que há, indubitavelmente, um jogador com talento para ser um caso singular (mais um) criado por Jorge Jesus.

Comentários

Artigo anteriorNa Terra de Ninguém
Próximo artigoObra de Espírito Santo
Benfiquista até ao último osso, mudou-se do Norte para Lisboa para poder ver o seu Benfica e só depois estudar Jornalismo. O Pedro é, acima de tudo, apaixonado pelo desporto rei e não perde uma oportunidade de ver um bom jogo de futebol.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.