A CRÓNICA: ENCARNADOS PASSAM TESTE EM PORTIMÃO

O menino reencontrou-se com a boa forma, precisamente num jogo onde o SL Benfica mais precisava das suas características. No banco até ao intervalo, foi ele quem pegou a equipa pelo colarinho e perguntou «é para jogar ou não?» – um gesto que o próprio precisou muitas vezes nesta segunda metade da temporada, na baixa abrupta de forma que sentiu desde dezembro. Fim à vista, com muitas promessas de afirmação para 2021-22?

Morno começou o jogo em Portimão, com nenhuma das equipas a espreitar sequer os requerimentos de vitória, caindo o jogo numa toada que não interessava a ninguém – estivesse um dos conjuntos com coletes e todos acreditariam ser jogo de treino em pleno agosto.

Tudo muito ao repelão, tudo em esforço, o bom futebol não era ideia para ninguém e dava a impressão em certos jogadores – como Gabriel, que teve guia de marcha ao intervalo para entrar a figura do encontro – que havia coisas mais importantes a acontecer àquela hora. A Weigl confirmou-se que sim, entre rumores de arrufo com Jesus que daria saída injustificada da concentração e as notícias de urgência devido a complicações no parto do seu rebento.

Beto chegaria, então, aproveitando o embalo emocional para fazer estremecer com a apatia e marcar o seu 11º golo da época, à lei da bomba. Helton pouco podia fazer, aos centrais do SL Benfica pouco mais se poderia exigir dada a velocidade e força do ponta-de-lança algarvio.

Poucos esperariam a pronta resposta encarnada, dado que muito poucos tinham sido os apontamentos atacantes dignos de registo até ali. No deserto de ideias encarnado, apenas o oásis criativo das combinações entre Grimaldo, Pizzi e Rafa – e foi entre os dois primeiros que nasceu o empate, numa boa combinação já dentro da área.

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A chave da vitória gorda – inimaginável, repita-se e sublinhe-se – surgiria com a entrada do prodígio uruguaio que passava por fase de menor fulgor. O ataque encarnado estendeu-se, a velocidade aumentou significativamente e foi assim que apenas quatro minutos passados, com os defesas algarvios habituados a tanto pastelão, não deram conta do recado.

Darwin beneficiou dessa passividade, fez o que quis, teve direito aos tais pormenores inofensivos que já caracterizam o seu jogo, mas foi figura fulcral na subida de rendimento de todos os colegas. Seferovic, ameaçado no seu recente protagonismo, puxou pelo brio e bisou, assistido pelos dois laterais – Grimaldo e Diogo estão nas nuvens neste novo sistema.

Com o Portimonense SC a querer reduzir para não ofuscar a série recente de sucessos, vendeu espaços por pechincha a um Darwin que cavalgou sem oposição de todas as formas e feitios. Foi uma lufada de ar fresco para o seu equilíbrio emocional e as circunstâncias ideais para aumentar confiança, sendo por isso uma vitória benéfica a todos os níveis – mais cinco golos marcados, mais uma vitória na luta pelo terceiro lugar e a prova de que a qualidade existe neste plantel, muito superior ao do ano transato. Basta ver pelo quinto golo e o passe magistral de Pedrinho.

 

A FIGURA

Darwin Nuñez – Como a Fénix, renasce das cinzas e assina a responsabilidade da criação de uma vitória que, no final da primeira parte, parecia longínqua. A um SL Benfica sem argumentos faltava vontade e poderio físico, ingredientes prediletos do seu estilo e por aí se explica tão dilatada vantagem, que só se justifica pela sede de um Portimonense SC que nunca se acomodou na desvantagem – tração demasiado à frente que pôs todo o plano em causa.

O FORA DE JOGO
SL Benfica
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Gabriel – Perdoada a expulsão, pensou-se servir de abanão necessário à moleza de Seu Gabriel: errado. A cadeirinha manteve-se, os passes longos rumo à faixa contrária poucas vezes resultaram e tamanha má vontade obrigou Jorge Jesus a rasgar tudo o que tinha trazido para o encontro e a imaginar novas soluções táticas, sem um trinco definido. Nova possível ausência de Weigl abrirá problema grave de substituição.

 

 ANÁLISE TÁTICA – PORTIMONENSE SC

O 4-4-2 com Fabrício e Beto em cunha transfigurou-se muitas vezes num ataque a três com a proximidade de Aylton Boa Morte. A defender, muitas vezes um 6-2-2, com os extremos a fazerem de laterais para tentar anular as ameaças exteriores – havia um plano bem definido, que criou muitos problemas ao SL Benfica enquanto as equipas encaixaram, mas que ficou destruído com a explosão encarnada após o intervalo.

Paulo Sérgio até se tentou precaver, introduzindo Tagliapetra assim que viu Darwin a ir a jogo, mas o golo repentino, aos 49’, desfez as ideias de equilíbrio. O terceiro golo obrigou-o a meter em campo, de uma assentada, Luquinha, Poha e Seung-Woo. E, assim, o 1-5 final deixa de ter qualquer carácter surpreendente.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Samuel (4)

Moufi (7)

Maurício (4)

Possignolo (5)

Candé (6)

Dener (5)

Salmani (5)

Willyan (5)

Boa Morte (6)

Beto (7)

Fabrício (4)

SUBS UTILIZADOS

Tagliapetra (4)

Luquinha (5)

Poha (5)

Seung-Woo (5)

Henrique (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

O 3-4-3 que se vem cimentando propicia as qualidades do plantel, se bem que a introdução de Pizzi como um dos elementos da frente transforma muitas vezes o alinhamento num 3-5-2. E esse congestionamento da zona central não ajuda em jogos deste nível.

Se Grimaldo e Diogo Gonçalves têm todo o espaço para divagar, falta a acutilância para penetrar em blocos baixos – os rasgos são poucos, as triangulações tornam-se ocasionais e forçadas e Seferovic pouco produz tão desacompanhado – até porque Rafa deambula sem critério pela frente de ataque. Claro que a entrada de um elemento com mais presença na zona central, como Darwin, ajudou a todos, principalmente pelo recuo de Pizzi, que ficou de frente para o jogo e, com outra visão, alimentou muito melhor o último terço. A rever.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Helton Leite (5)

Diogo Gonçalves (7)

Veríssimo (6)

Otamendi (6)

Vertonghen (5)

Grimaldo (7)

Gabriel (3)

Taarabt (5)

Pizzi (5)

Rafa (6)

Seferovic (7)

SUBS UTILIZADOS

Darwin (8)

Gilberto (5)

Everton (6)

Pedrinho (6)

Chiquinho (-)

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