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A primeira volta que o Benfica realizou este ano, quando os arautos da desgraça prognosticavam uma época fraca, só pode ser classificada como muito boa, quase perfeita. Se jogos houve em que os jogadores não demonstraram “nota artística” e jogaram com o pragmatismo que um campeão também deve ter, noutras partidas a capacidade técnica dos melhores artistas do plantel veio ao de cima e proporcionou momentos de verdadeiro “futebol-espetáculo”, momentos esses a que os adeptos tanto se orgulham de assistir. Em Agosto, muitos benfiquistas, divididos entre a apreensão por a equipa ter perdido muitos jogadores importantes e o ânimo de partirem para uma nova temporada com as faixas de campeão, não acreditavam que o Benfica pudesse competir internamente com, por exemplo, o plantel do FC Porto, que tinha contratado bastantes reforços e partia, diziam muitos comentadores, em posição privilegiada para recuperar o título.

Depois de dez anos sem conseguir vencer na primeira jornada, o Benfica arrancou com uma vitória diante do Paços de Ferreira, o que poderia ser um presságio para o futuro. Seguiu-se uma difícil vitória no Bessa, num jogo onde Eliseu se lesionou com alguma gravidade, e deixou Jesus sem soluções para o lado esquerdo, uma vez que Sílvio também estava a recuperar de uma lesão. Depois do empate no dérbi, em que Artur ofereceu um ponto ao Sporting, seguiram-se vitórias sobre V.Setúbal, Moreirense, Estoril e Arouca, jogos onde Talisca despertou o seu instinto goleador e deixou a fasquia bem elevada para o resto da temporada.

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Jonas já leva 12 golos marcados em 15 jogos Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Jonas já leva 12 golos marcados em 15 jogos
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Uma derrota em Braga, na jornada 8, diminuiu os pontos de avanço na frente de quatro para um. Contudo, a equipa não tremeu e a partir daí só soube ganhar. A série vitoriosa vitoriosa começou com vitórias tangenciais com Rio Ave e Nacional e prolongou-se até à exibição de luxo na Madeira (4-0 ao Marítimo). A melhoria exibicional foi em parte justificada com a saída prematura das competições europeias, em finais de Novembro, o que deixou a equipa fisicamente mais preparada para os jogos da liga. Na 11ª ronda, o Benfica saiu de Coimbra com 3 pontos e começou aí a construir uma série de partidas sem sofrer golos, que, até agora, ainda não foi quebrada. Provado ficou que, quando Jorge Jesus prefere o sucesso do seu grupo de trabalho à teimosia, as coisas têm tendência a correr melhor, como se viu pela troca na baliza e pela inclusão de Jonas na frente de ataque, cuja qualidade é, como qualquer um vê, muito superior à de Derley.

Ainda se festejava a vitória no Dragão e já o Braga fazia história na Luz, onde nunca tinha ganho. Venceu 2-1 e afastou o Benfica da Taça de Portugal. Já só restava lutar pelo bicampeonato e por mais uma Taça da Liga. Um triunfo arrancado a ferros no último jogo do ano civil para a liga, diante do Gil Vicente, deu o mote para um mês de Janeiro onde, até ver, não se registaram pontos perdidos. Destaque-se ainda nesta primeira volta a capacidade do nosso treinador de potenciar jogadores, encontrar soluções, motivar a equipa. A raça de Maxi, o talento de Gaitán, a velocidade de Salvio, o trabalho de Lima, a liderança de Luisão, a classe de Talisca, o instinto goleador de Jonas foram peças-chave para a excelência com que ultrapassámos estas primeiras 17 batalhas.

Com 15 vitórias, um empate e uma derrota, esta é a melhor primeira volta desde há 30 anos, quando um estrondoso Benfica comandado por Eriksson tinha registado apenas um empate neste período. Não há nenhum clube por essa Europa fora que tenha uma percentagem de pontos conquistados tão grande como este Benfica de Jesus 2014/2015: 90,2 % dos pontos possíveis foram somados (46 em 51). Não nos deixemos deslumbrar quando dispomos de algum avanço, não não deixemos amedrontar se essa vantagem vier a ser reduzida. Trilhemos, por isso, o nosso caminho, sem sobressaltos, como na época passada, até ao Marquês. Vençamos cada batalha, colocando em campo a “Raça, Querer e Ambição” que nos caracteriza, para que no fim possamos dizer que ganhámos a guerra.