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Na melhor da fase da época do Sport Lisboa e Benfica, tudo parece estar nos conformes. A equipa está estável, segura e confiante e isso deve-se aos resultados e exibições que tem alcançado. O facto de ainda lutar pelo título nas quatros competições que disputa é o melhor prenúncio de que, no geral, as coisas têm estado a correr bem para o Benfica. Eu naturalmente tenho-me sentido satisfeito com este bom comportamento da equipa e hoje, ao folhear um dos principais jornais desportivos portugueses, esse sentimento de satisfação atingiu um nível superior. Deixei de estar satisfeito para ficar extremamente contente com a actualidade do meu clube.

Normalmente não sou uma pessoa pessimista, mas tinha a plena convicção de que, após o dérbi contra o Sporting, Ezequiel Garay iria abandonar o estádio da Luz. Pensava que o poderio financeiro dos russos iria levar, mais uma vez, a melhor e nos iria desfalcar o sector defensivo. Ora tal não foi a minha satisfação quando li, em letras grandes e imperativas, que o central argentino iria permanecer no Benfica, pelo menos, até ao final da época. Confesso que me senti tão bem como quando vi o golaço do Enzo Pérez, no sábado. Pelo menos rejubilei como tal.

Para mim, Garay é sem dúvida o melhor central a actuar no campeonato português nos últimos anos e um dos melhores da história do Benfica. Neste momento, coloco o argentino ao lado dos melhores centrais do mundo, como Piqué, Hummels ou Kompany, estes no topo da hierarquia. Estou certo de que aquilo que estou a dizer não vai soar a hipérbole para muitos apreciadores de futebol, dada a excelência e classe deste elegante defesa.

Desde que chegou ao Benfica, em 2011, El negro – uma das alcunhas do argentino – tem passeado classe nos relvados nacionais e europeus e são raras, mas mesmo muito raras, as vezes em se pode apontar o dedo à eficiência, segurança e entrega de Ezequiel Garay. Não me recordo de um erro que o argentino tenha cometido que comprometesse a equipa ou que tivesse influência directa no resultado. De facto, um jogo menos conseguido deste central é uma exibição, ainda assim, positiva e competente. E isso está apenas ao alcance dos melhores.

Garay é daqueles jogadores que conhece perfeitamente os seus limites e as suas capacidades, aquilo que sabe e não sabe fazer e por isso é que raramente falha. Joga simples, fácil e eficaz. Não inventa, não facilita. É um jogador sério, trabalhador, que nunca parece estar em apuros. A tranquilidade com que resolve cada lance, quase sempre da forma mais correcta e oportuna, é umas das suas maiores virtudes. Psicologicamente forte, Garay faz-se também valer da sua incrível compleição física, que o torna portentoso nos lances aéreos e de choque. Como se não bastasse, Garay é um central com excelentes recursos técnicos, dono de uma invulgar qualidade de passe e recepção. Dito isto, parece que falamos de um central perfeito. De facto, pouco lhe falta para o ser. Talvez fazer mais golos por época, ainda que esse não seja um atributo necessário na avaliação de um bom defesa-central.

Não é preciso ser um grande sábio do futebol para se perceber que Garay é uma peça fundamental no puzzle de Jorge Jesus. Ou para se ter a noção de que, se Garay saísse, o Benfica não iria conseguir colmatar tal ausência e que tal seria um rude golpe para a solidez defensiva da equipa. Para além disso, o argentino é muitas vezes um dos primeiros jogadores a construir jogo desde trás e os seus passes longos, quase sempre precisos, são uma das formas que a equipa tem para chegar à frente. Posto isto, perder Garay numa altura decisiva e exigente da época era das piores coisas que podia acontecer ao Benfica.

A verdade é que, pelos vistos, tal não vai acontecer e os encarnados vão continuar a poder contar com um central de topo no seu sector recuado, para gáudio de milhões de benfiquistas. Desta vez, há que dar os parabéns à direcção do Benfica que conseguiu resistir às investidas de vários clubes interessados no jogador, com o Zenit de São Petersburgo à cabeça. Para bem do Benfica e também do próprio jogador, ainda bem que Garay vai permanecer em Lisboa. Uma ida para a Rússia não seria nada proveitosa para o central nesta fase da época, a escassos meses do início do mundial do Brasil. Para se manter como titular da selecção argentina, era importante que o argentino continuasse a competir num campeonato, não muito, mas sempre dotado de alguma visibilidade internacional, para além da participação nas competições europeias.

Enzo não entra na discussão de amanhã contra o Paços Fonte: TVI 24
Enzo não entra na discussão de amanhã contra o Paços
Fonte: TVI 24

Felizmente com Garay no onze, o Benfica defronta amanhã, na Mata Real, o Paços de Ferreira. Para este jogo, Enzo Pérez é a principal ausência nos planos de Jorge Jesus que, para o lugar do argentino, deverá lançar Rúben Amorim. De resto, todo o plantel está operacional para buscar uma importante vitória, numa sempre difícil deslocação. É certo que este Paços não é o mesmo que surpreendeu o mundo do futebol na época transacta, mas, sob o comando de Henrique Calisto, assume-se como uma equipa organizada e perigosa no contra-ataque.

Já o Benfica atravessa o melhor momento da época e agora, mais do que nunca, não pode vacilar na manutenção do primeiro lugar, pelo que é fulcral ganhar o jogo de amanhã. O 4-4-2 utilizado nestes últimos encontros tem resultado na perfeição e, nessa medida, não há qualquer razão para modificar o sistema táctico a apresentar amanhã. Assim sendo, Rúben Amorim deverá ser a única novidade no onze de Jorge Jesus, que deve ter consciência de que a equipa não pode escorregar nesta jornada. Na realidade, se o Benfica voltar a apresentar o futebol que demonstrou no jogo contra o Sporting, é muito provável que traga mais três pontos de Paços de Ferreira.

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