O Benfica começa, atempadamente, a construir o seu plantel. Já chegaram Vlachodimos, para a baliza, Conti e Ebuehi para a defesa, Castillo e Ferreyra para o ataque. Algumas das posições onde se notavam maiores carências estão a ser reforçadas ainda que alguns dos nomes não ofereçam garantias claras. O Benfica, que contou com 32 jogadores emprestados, pode olhar para dentro para solucionar algum destes problemas?

Na baliza, uma das posições que gerou um dos principais focos de instabilidade na época passada, os encarnados cederam Igor Rodrigues e André Ferreira. O primeiro nunca jogou no Benfica. Foi contratado em Agosto de 2017 ao Sporting da Covilhã e por aí se manteve. Apesar de jovem – 23 anos – e de já contar com duas temporadas no segundo escalão, não parece reunir condições suficientes para chegar, para já, ao plantel principal. A sua idade é um bónus e, se evoluir positivamente, pode ser uma aposta a ter conta no futuro. Por agora, é só mais um assalariado. Em relação a André Ferreira, o jovem guarda-redes conta com duas temporadas a titular na segunda liga, primeiro no Benfica B e depois do Leixões. Tal como Igor Rodrigues, não é previsível que permaneça no plantel, pelo que um novo empréstimo ou até uma venda com opção de recompra seja a alternativa mais aconselhável.

No sector defensivo, o Benfica emprestou César, Patrick Vieira, Carlos Ponck, Aurélio Buta, Reinildo e Yuri Ribeiro. Destes seis, Yuri é o único com lugar garantido e a opção é compreensível. O defesa esquerdo que atuou no Rio Ave foi o único que provou qualidade suficiente para estar no plantel. Os restantes, e ainda que Vieira e Ponck tenham realizado épocas de bom nível ao serviço de Vitória de Setúbal e Aves, respetivamente, não têm e possivelmente nunca terão capacidade para serem mais-valias.

No meio-campo – considerando médios e extremos – concentram-se André Horta, Dálcio, Pedro Nuno, João Teixeira, Elhouni, Cristante, Agra, Benítez, Jonh Murillo, Dawidowicz, Diego Lopes, Taarabt, Mato Milos, Pêpê, Carrillo, Aires Sousa, Banjaqui e Fali Candé. São 17 (sem contar com André Horta, já vendido) e, naturalmente, poucos terão sequer hipótese de se mostrar a Rui Vitória na pré-temporada.

Cada caso é diferente e apenas Pêpê – o único, talvez, com possibilidades reais de disputar por um lugar no plantel – e Carrillo – veremos se o peruano tem interesse em regressar – deverão apresentar-se nos trabalhos de preparação. Bryan Cristante, depois da melhor época da carreira, seria um jogador a ter em conta mas o Atalanta deverá acionar a cláusula de compra e depois vendê-lo. Um erro estratégico do Benfica, que não aproveitou desportivamente o agora internacional italiano.

Yuri Ribeiro é o único dos emprestados com lugar garantido no plantel 18/19                                      Fonte: SL Benfica
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Na frente, e garantidas as aquisições de Castillo e Ferreyra, há Talisca, Sarkic, João Oliveira, Saponjic, Arango e Luka Jovic. Aqui é talvez o sector onde há mais qualidade e olhando para alguns destes nomes não haveria, porventura, necessidade de ir ao mercado investir quantidades absurdas de dinheiro.

Talisca ficou marcado pelas declarações que fez após o malfadado jogo da Champions, em que alegou salários em atraso pelo Benfica. Seria o suficiente para não mais vestir o manto mas os jogadores de futebol são, por vezes, mal aconselhados e as palavras que lhes sai da boca não são as deles. Há casos no futebol português onde uma boa conversa, franca e honesta, é suficiente para se dar a volta e com Talisca a questão podia resolver-se assim. No entanto, o brasileiro é um jogador com mercado e aceita-se a venda, mediante a chegada de uns bons milhões.

Posteriormente, há o caso de Arango que pode ser uma opção a ter em conta. Do que vi no Aves, é um jogador tecnicamente acima da média e com fulgor físico. Merece, pelo menos, alguns dias na pré-temporada para o treinador ver o que vale.

Por fim, o caso mais estranho: Luka Jovic. O jovem sérvio completou uma época excelente ao serviço do Eintracht Frankfurt, numa das melhores ligas do mundo, situação que o levou, inclusivamente, ao Mundial na Rússia. Tem 20 anos e, se continuar a evoluir, será, garantidamente, um dos avançados mais cobiçados na Europa daqui a uns anos. Desperdiçá-lo, mesmo que contemple uma venda aceitável, será um dos maiores erros da estrutura do Benfica nas últimas décadas.

Dos 32 atletas emprestados, talvez permaneça Pêpê, Andre Carrillo e Arango. É uma média manifestamente baixa e que devia servir para os responsáveis do Benfica repensarem a estratégia de empréstimos que vigora no clube. Veremos o que nos reserva o futuro.

Foto de Capa: SL Benfica

 

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Mal sabia andar e já ia ao estádio ver os jogos do Gil Vicente, clube da terra natal. A paixão pelo relvado, pelos golos e pelas fintas, agarrou-se como uma doença e não mais saiu. Depois aprendeu a ler e a escrever e como não tirava más notas nas composições, aventurou-se na criação de blogues de bola. Mais tarde, na inconsciência dos seus dezoito, frequentou Ciências da Comunicação. Mantém vivo o sonho de ser jornalista desportivo, de derrubar chavões e fazer parte de uma nova era que pensa o futebol como um jogo para os criativos e inteligentes.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.