sl benfica cabeçalho 1Vamos por isto nestes termos. Pensem no Benfica como um rapaz que outrora tinha uma relação super estável com a sua namorada. Iam a todos os sítios giros, andavam de mão dada, flirtavam em público, mas sempre com a devida decência. Depois veio um rapaz da zona rica da cidade que seduziu a dita rapariga com roupas caras e prazeres da vida que ela não poderia ter com o Benfica (isso e porque fazer mais de 100 milhões também dá jeito). O Benfica não teve outra hipótese se não vender a rapariga e voltar a fazer o mesmo com outras namoradas.

Isto parece muito aquela lengalenga do tipo que vende pessoas por cabras ou ouro. O que é facto, fora a metáfora, foi um pouco (muito) isso que aconteceu. As saídas de Ederson, Nélson Semedo e Lindelof deixaram uns quantos espaços por preencher no sector mais recuado dos encarnados. A profundidade do plantel não é má, mas para aguentar uma época inteira sem que no final estejam todos com dor de burro é preciso contratar.

Ora, quem vende Ederson por 40M, Lindelof por 35M e Nélson Semedo por outros 35M, tem dinheiro. Só assim do nada e em 3 jogadores estão 110M e isso é muita massa. Verdade, para que fique já dito, que o Benfica não deve nem pode gastar 110M em reforços. Não só não precisa como isso seria um ato de pouca prudência. Contudo, deve despender de uns quantos milhares para assegurar uma equipa mais competitiva.

Falando em equipa e em competição comecemos pela baliza. Ederson foi-se, era o titular e agora temos 3 hipóteses, Bruno Varela, Júlio César e Paulo Lopes. Já foi dito e noticiado que o Benfica anda à procura de um quarto guarda-redes. E aqui podem questionar, mas o Benfica precisa de quatro? Não, ter três parece ser mais do que suficiente. O nome que ganhou mais força foi o do finlandês Lukas Hrádecky. Com 27 anos tem feito um excelente trabalho numa prova tão competitiva e cheia de bons atacantes como a Bundesliga (basta lembrar que Lewandowski e Aubameyang andam por lá).

Caso ele seja contratado, o que deve e tem de acontecer, alguém tem de ir embora. Bruno Varela não deve ir, dada a sua tenra idade, potencial e formação. Júlio César ainda consegue tirar dividendos do estatuto de “Imperador”, sobrando assim a maior obra de caridade do Benfica nos últimos anos, Paulo Lopes. Se não joga e só lá está a gastar salários, fazer cair taças e jogar 15 minutos e ainda assim levar um golo, pode e deve ir embora.

Baliza resolvida vamos à lateral-direita. Aqui começam as dores de cabeça. Tal como na baliza, há três hipóteses. Aurélio Buta (melhor mix entre nome de merceeiro e gangster), Pedro Pereira e André Almeida. Com André Almeida já sabemos o que a casa gasta, o tipo é decente em todas as posições e ainda só não jogou a guarda-redes e ponta de lança; fora isso, ele é um poço de estabilidade e deve ser opção para o lado direito. Porém, deve existir mais uma alternativa.

Kalaica pode ser um trufo para Rui Vitória lançar esta época Fonte: Branimir Kalaica
Kalaica pode ser um trufo para Rui Vitória lançar esta época
Fonte: Instagram de Branimir Kalaica

Nem Buta nem Pedro Pereira têm o certificado de segurança em dia. São jovens e ainda não têm aquela estaleca. Emprestar um deles ou pô-los a rodar na B não era má ideia, o que levaria ou levará o Benfica a ter e investir num lateral-direito. Ora se investe é para ele jogar.

A alternativa mais de caras e que parecia ter o consenso dos benfiquistas era Bruno Gaspar. Fez a formação no Benfica e tem duas épocas de excelência ao serviço do Vitória de Guimarães, mas como a vida nem sempre nos dá o que queremos, a Fiorentina veio com oito milhões e levou-o para Itália.

A imprensa não tem avançado com outros nomes e talvez porque não há, até à data, nomes para pôr na mesa, mas depois de uma pesquisa e Memofante das exibições e jogos do ano passado, tenho duas soluções. A primeira é Patrick Vieira. Não, não é esse que jogava no Arsenal (está reformado), mas sim aquele que o ano passado fez uma época sólida pelo Marítimo. Bem sei que ele se mudou para Setúbal, mas não seria a primeira vez que um jogador mudava de clube, duas vezes no mesmo mercado. A outra é Pierre Sagna, rapaz que joga no Moreirense (o mítico campeão de inverno de 2016) e que o ano passado foi das revelações do campeonato tendo participado em 32 dos 36 jogos da competição. Qualquer um deles é uma boa opção, monetariamente acessível e que não deixariam o Benfica mal servido.

Finalmente a zona central da defesa. Há Jardel já recuperado, Luisão quiçá na última época, Lisandro ainda à procura de estabilidade (é pena já lá irem três anos disto), Kalaica que devia ser titular e Rúben Dias que está lá. Não me interpretem mal, mas o puto limita-se a existir. Até à data não deu provas de grande coisa. Kalaica, como já deu para perceber, tem trunfos e já deu provas que merece jogar restando saber ao lado de quem.

A questão aqui, a meu ver, nem parece a do quem devíamos contratar, mas sim mais a do com quem devíamos jogar. Temos cinco centrais à disposição o que é mais do que suficiente. Kalaica, pela juventude, qualidade e tempo no plantel deve ser titular. Contudo, Vitória insiste em apostar na experiência (Jardel & Luisão) e deixa de parte uma das suas características, apostar nos jovens. Honestamente, o mais plausível seria a dupla Kalaica & Jardel. Jardel por ser o sucessor de Luisão como patrão da defesa e porque parece estar a voltar aos bons velhos tempos e Kalaica porque é o Kalaica.

Estas parecem ser as soluções mais plausíveis para resolver os problemas defensivos do Benfica. Agora, resta saber se o Benfica pensa nisto com afinco ou se acha que chegar ao tetra foi suficiente.

Revisto por: Vítor Miguel Gonçalves
Foto de Capa: 
 Instagram de Lukáš Hrádecký

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João Valente é um apaixonado pela arte do futebol. Nascido e criado durante boa parte do tempo em Lisboa, começou a seguir este desporto com uns tenros quatro anos e, desde então, tem sido um namoro interminável. É benfiquista de gema – mas não um que só vê Benfica à frente! É alguém que sabe ser justo quer o Benfica ganhe ou perca e que está cá para salientar os porquês, na sua opinião, dos resultados. Como adepto de futebol que é não segue só a atualidade do futebol português; faz questão também de acompanhar a par e passo o que de mais importante acontece nos principais campeonatos. A conjugar com o seu interesse pelo futebol, e pela malha, desporto que descobriu porque o seu avô era campeão lá na rua, veio a escrita, forma que encontra de expor os seus pensamentos na esperança de um dia se tornar num grande jornalista de desporto, algo que dificilmente acontecerá mas, tudo bem, ele um dia há-de perceber isso.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.