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Regresso à normalidade (depois de Nápoles)

João Amaral Santos · 2 min

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sl benfica cabeçalho 2A dimensão futebolística do Benfica, a real, determinada pela experiência, pela história, construída em campo – e não a tão apregoada (e simplesmente fictícia) pelas redes sociais –, exige da equipa capacidade competitiva para discutir o resultado em qualquer estádio do mundo; para ambicionar conquistar cada momento, cada jogo e competição. Assim tem sido a regra, nestes últimos anos: o Benfica não se fica pela conversa fiada, pela arrogância que precede a partida. O Benfica joga, fá-lo de peito aberto e, normalmente, ganha. É tricampeão, venceu nove das últimas 12 provas nacionais, detém recordes de invencibilidade, e é o líder isolado do campeonato – este é o presente do Benfica.

O que se passou em Nápoles foi, na verdade, o inverso da nossa lógica. No entanto, algo que se explica facilmente à luz das incidências da própria modalidade, fértil em momentos como este, localizados nos extremos, capazes de fazer naufragar todo o colectivo e de o despromover de excelente a péssimo num piscar de olhos. A equipa perdeu momentaneamente o pé, algo que acontece (e que já aconteceu) aos melhores. Não me parece, por isso, haver motivos para dramatizar. O adversário é bom, foi melhor, e existem factores públicos atenuantes da nossa exibição, nomeadamente as ausências por lesão de jogadores fundamentais. Logo, a viagem ao San Paolo resume-se a uma excepção que deverá ser (e certamente será) contrariada num futuro próximo. Nem mais, nem menos.

A vitória do Nápoles foi muito festejada no nosso país – tal como foi o golo de Slimani (tal como já havia sido, por exemplo, o golo de Kelvin). É algo que não espanta. Se é difícil ensinar línguas a um só burro velho, imaginem, então, fazê-lo a tantos milhares. Estes festejos são tão naturais como são, a cada ano, certos desfechos da nossa época desportiva. Por isso, a resposta a esta derrota terá de ser dada com a habitual naturalidade, e o mais rapidamente possível: à hora e no local habituais. A prioridade, agora, é vencer os próximos jogos, permitindo-nos, por um lado, manter a liderança no campeonato e, por outro, reentrar na discussão do apuramento para a próxima fase da Champions; apenas numa segunda linha importa recuperar os níveis exibicionais.

Estes objectivos terão, muito provavelmente, de ser cumpridos com as limitações que representam as lesões de Jardel, Samaris, Rafa, Jonas e Raul Jiménez. Nesta fase, é ainda mais necessário, mesmo fundamental, o apoio de todos os benfiquistas. É necessário que haja uma dose extra de compreensão, até mesmo uma certa condescendência, que permita ultrapassar sem traumas, e até com determinados benefícios, as falhas do jogo de Nápoles.

Para começar, evitando a tentação de encontrar réus, de individualizar a totalidade de erros – como fez, no dia seguinte, a bipolar imprensa desportiva portuguesa. Depois, reconhecendo aqueles que são, neste momento, os méritos e os deméritos deste grupo. Só assim tem sido possível a Rui Vitória ultrapassar, semana após semana, os mais variados obstáculos, mantendo, pesem as dificuldades notórias, a predominância perante os outros. Os benfiquistas têm de ter consciência daquilo que, para já, esta equipa pode ser, e daquilo que ainda não pode. Todos temos de empurrar, e de preferência para o lado certo. A receita é sobejamente conhecida: humildade e trabalho.

João Amaral Santos

Redação Bola na Rede · ver artigos