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Pode dizer-se que Jorge Jesus consegue extremar as opiniões dentro do universo encarnado. Ou se idolatra ou se odeia. Para os benfiquistas que veneram o seu treinador, a questão da renovação nem sequer é um assunto: Jorge Jesus deve continuar aconteça o que acontecer na reta final da temporada. Para os outros, é tempo de mudar o ciclo, de mostrar gratidão em relação ao técnico, mas sobretudo é tempo de trazer para a Luz alguém com ideias novas, que consiga consolidar o crescimento do Benfica a nível interno e o fortalecimento em termos europeus. Depois ainda há um terceiro grupo, onde eu me incluo juntamente, ao que parece, com o presidente Vieira, que pensa que a renovação deve avançar apenas se a equipa se sagrar campeã nacional.

Se olharmos para os títulos da era Jesus, o cenário não é positivo: dois campeonatos nacionais, uma Taça de Portugal, cinco Taças da Liga e uma Supertaça em cinco épocas completas é um palmarés que fica aquém das expetativas dos adeptos, principalmente da parte dos que não são a favor da continuação de Jorge Jesus. Estes criticam a forma como a equipa deixou escapar, já na reta final do campeonato, os títulos em 2012 e, principalmente, em 2013. Questionam as opções do treinador nos jogos em que a equipa se encontra em desvantagem e também em algumas partidas decisivas. Não perdoam as derrotas nas finais da Liga Europa nem a falta de aposta em jogadores vindos da formação. Reprovam a forma, por vezes arrogante, com que JJ se dirige aos jornalistas e também a sua postura no banco.

Jorge Jesus recuperou o apoio de uma parte dos adeptos depois do triplete da última época; Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Jorge Jesus recuperou o apoio de uma parte dos adeptos depois do triplete da última época;
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Para aqueles que prezam a estabilidade e cuja confiança no treinador saiu fortalecida com o triplete de 2013/2014, Luís Filipe Vieira deveria apresentar o mais rapidamente possível uma proposta de renovação a Jesus, antes que chegue ao técnico uma proposta irrecusável de um grande colosso europeu ou então um contrato milionário das Arábias (embora este último cenário seja menos provável, uma vez que, segundo algumas notícias, Jesus já declinou vários convites deste tipo, mostrando que, para ele, o dinheiro não é uma prioridade). Para além disso, deve-se valorizar a forma como Jesus conseguiu colocar o Benfica a lutar pelo título de campeão todos os anos (com exceção da época 2010/2011), tendo ganhado dois campeonatos, e o facto de a equipa ter recuperado o seu prestígio na Europa. Para esta parte dos adeptos, as derrotas com Chelsea e Sevilha não beliscam o processo de reafirmação do clube nos grandes palcos europeus. Por outro lado, preferem destacar a experiência do treinador ao comando da equipa nos momentos de grande pressão e a forma como JJ valoriza os jogadores, ajudando o clube a encaixar umas indispensáveis dezenas de milhões de euros em vendas e principalmente a sua capacidade em colmatar, quase sempre com apostas certeiras, as posições deixadas vagas no onze.

De acordo com um inquérito lançado no mês passado pelo jornal Record, 60% dos leitores defendem a renovação do contrato, e os restantes 40% não concordam com a continuidade de Jesus. Aparentemente, Vieira ainda não decidiu o que vai fazer e, se já o fez, o futuro do treinador tem estado bem guardado. Embora pareça escusado tentar prever a decisão do presidente (no final da época 2012/2013, parecia certa a saída de Jesus, mas Vieira acabou por acenar com um contrato de dois anos, que acabará a 30 de junho), o que parece inevitável é uma revisão em baixa do salário anual do técnico, que se afigura cada vez mais incomportável para a SAD.

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