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Com o ano de 2014 prestes a terminar, o Bola na Rede faz uma viagem pelos últimos 365 dias. Numa série de artigos, destacar-se-ão os protagonistas que marcaram um ano repleto de momentos que permanecerão na memória de todos os amantes de Desporto.

Retrospetiva de 2014:
O ano de 2014 foi simplesmente inesquecível para o Benfica e os seus adeptos. Com uma época histórica e, até ver, única no futebol português, o Benfica destacou-se como uma das melhores equipas da Europa (estatuto, aliás, reconhecido pela FIFA). É certo que o amargo de boca da final de Turim poderia ter trazido ainda mais elevação e sucesso a uma campanha inolvidável em 2013/14, mas a conquista do Triplete será, decerto, relembrada daqui por muitos e muitos anos.

Momento do ano: Conquista do “Triplete”
A 18 de Maio de 2014, o Benfica fez história no futebol português ao tornar-se o primeiro clube a conquistar, na mesma temporada, Campeonato Nacional, Taça de Portugal e Taça da Liga. A vitória na Taça de Portugal, frente ao Rio Ave, foi alcançada por Nico Gaitán, que, à passagem do minuto 20, fez o 1-0 (resultado final), confirmando, assim, uma verdadeira época de sonho para os adeptos encarnados.

Jogo do ano: Benfica 3-1 FC Porto (Taça de Portugal)
A 16 de Abril de 2014, o Benfica recebeu o FC Porto num jogo a contar para a segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal. Depois da derrota por 1-0, na primeira mão, no Estádio do Dragão, seria necessário um jogo de muita luta do Benfica para eliminar o FC Porto da Taça de Portugal. Após uma primeira parte de grande qualidade dos encarnados, com Sálvio a fazer o primeiro da partida ao minuto 16, Silvestre Varela igualou o marcador aos 50’, dando uma enorme vantagem ao FC, que, com mais um jogador em campo (expulsão de Siqueira), teria de sofrer dois golos para ser eliminado. Foi justamente isso que o Estádio da Luz viu acontecer com os golos de Enzo Pérez (59’) e de André Gomes (80’). Mas, muito para além do resultado, o que ficou verdadeiramente na retina deste Clássico foi a entrega, a intensidade e a vontade inabalável de vitória dos jogadores do Benfica. Um jogo lendário, fabuloso, inesquecível.

Golo do ano: André Gomes – Benfica 3-1 FC Porto (Taça de Portugal)
A descrição acima diz tudo sobre o jogo frente ao FC Porto. Porém, o golo de André Gomes, à passagem do minuto 89, para além da importância que teve, foi de uma classe sublime, bem ao jeito do internacional português. Depois de uma troca de passes entre Lima e Gaitán, na ala esquerda do ataque benfiquista, o internacional argentino encontrou o médio português na área portista, que, após uma recepção orientada com o peito, tirou Fernando do caminho com um gesto técnico fenomenal, rematando, por fim, para o fundo das redes de Fabiano. Absolutamente delicioso.

Um ano absolutamente memorável para o Benfica e os seus adeptos Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Um ano absolutamente memorável para o Benfica e os seus adeptos
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Jogador do ano: Enzo Peréz #35
Um dos melhores médios das últimas décadas da história do Benfica. É um jogador de classe mundial e demonstrou toda a sua qualidade ao longo deste ano, acabando, com mérito, por ser convocado para representar a Argentina no Campeonato do Mundo de 2014, no Brasil. Era o motor de jogo da equipa e, simultaneamente, o jogador que oferecia equilíbrio ao meio-campo encarnado. É agressivo, aguerrido e muito, muito trabalhador. Enzo Pérez era unanimemente reconhecido pelos adeptos e pela crítica como o mais importante jogador do Benfica.

Revelação do ano: Jan Oblak
A 15 de Dezembro de 2013, no Estádio do Algarve, Jan Oblak fazia a sua estreia oficial pelo Benfica, frente ao Olhanense, devido a uma lesão do guarda-redes brasileiro Artur. A partir deste momento, Oblak foi altamente decisivo no ano de glória do Benfica. Em 26 jogos, o guarda-redes nascido na Eslovénia sofreu apenas seis golos: três do Tottenham, dois do Nacional da Madeira e um do Gil Vicente. Um monstro de luvas brancas.

Desilusão do ano: Final da Liga Europa
Depois do annus horribilis em 2013, em que o Benfica perdeu Campeonato Nacional, Liga Europa e Taça de Portugal num espaço de dez dias, os encarnados tinham, em 2014, uma oportunidade história para vingar todos os troféus perdidos na temporada anterior. Se, em 2013, frente ao poderoso Chelsea, o Benfica vacilou apenas no último minuto de jogo, o Sevilha parecia um adversário muito mais acessível aos adeptos encarnados. A verdade é que a equipa comandada por Jorge Jesus dominou a partida mas foi incapaz de traduzir a superioridade em golos durante os 120 minutos do encontro (0-0). Na lotaria dos penalties, Beto foi o protagonista e herói sevilhano. Caía por terra, mais uma vez, a aspiração à glória europeia. Até quando, Bela Guttmann?

 Perspetivas para 2015
Depois de uma época marcada por conquistas e noites históricas, o Benfica termina o ano com um sentimento agridoce: é líder da Primeira Liga, com seis pontos de vantagem sobre o segundo classificado, mas foi eliminado da Taça de Portugal e das competições europeias. Obviamente, a partir deste momento a revalidação do título de Campeão Nacional e da Taça da Liga são obrigatórios. Jorge Jesus tem uma margem de manobra curtíssima e tudo dependerá da capacidade do técnico benfiquista para motivar os jogadores para as competições que restam. A venda de Enzo Pérez foi um rude golpe para as aspirações encarnadas, mas, ainda assim, sublinho o que disse acima: é absolutamente obrigatória a conquista dos dois troféus ainda em disputa.

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