Ronaldo Camará: nome de craque, mas os pés não ficam nada atrás. O luso-guineense é uma das maiores promessas da formação do SL Benfica.

Camará é um médio ofensivo da geração de 2003. Criatividade é a palavra que melhor define o jogo do internacional sub-17 português, e a bola nos seus pés nunca chora.

A facilidade e qualidade com que recebe a bola, de forma orientada, e a faz chegar aos seus colegas, de maneira a facilitar a receção, é impressionante. A visão de jogo que possui faz com que consiga encontrar opções de passe em zonas invisíveis para muitos, incluindo muita capacidade para colocar a bola no espaço entrelinhas.

Esta qualidade de passe deve-se, obviamente, à sua qualidade técnica, mas pesa também muito a capacidade que tem no momento de tomar a decisão. Não é por acaso que, com 17 anos, Ronaldo Camará já está na equipa B (onde compete contra atletas com o dobro da sua idade) – e, cada vez mais, vai cimentado o seu lugar.

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A maturidade e inteligência futebolística da qual dispõe numa tão tenra idade é assinalável. Ainda mais evidente fica quando vemos a forma como conjuga a qualidade e a velocidade na execução.

Ronaldo Camará é um jogador com uma técnica impressionante, não só no momento do passe, mas também no momento do drible. Tem uma qualidade absurda em espaço curto. Apesar da sua (ainda) fraca estrutura física, ultrapassa os adversários quase sem verter uma pinga de suor. A maneira como utiliza, de forma quase igual, os dois pés facilita muito a forma como progride e ultrapassa adversários no terreno.

O jovem de apenas 17 anos disse, recentemente, que precisava de ser mais agressivo e ter mais fome de golo. Isto é algo que foi ficando evidente nas suas últimas exibições. Vai procurando muito mais a baliza, ficando à vista a qualidade de remate que possui. No jogo frente ao Casa Pia A.C., no qual marcou um grandíssimo golo, ficou evidente a qualidade que tem para visar a baliza.

Para mim, o que diferencia os grandes jogadores não é a capacidade para fazer um golo a 30 metros da baliza ou ultrapassar toda a equipa adversária em drible, mas sim a facilidade e qualidade com que dominam as ações básicas do jogo: a receção, o passe e, sobretudo, a tomada de decisão. Se tudo isto estiver lá, a finalização, a capacidade de desequilíbrio individual ou as capacidades físicas podem ser sempre melhoradas.

A verdade é que Ronaldo tem tudo isto e ainda mais um pouco. O elevadíssimo índice de trabalho que demonstra dentro de campo e a humildade que mostra fora dele certamente irão ajudar o jogador a evoluir de maneira positiva. O jogador tem perfeita noção de que tem de evoluir em algumas áreas do jogo. Esta consciencialização é fundamental na sua jornada.

Aos 17 anos, Ronaldo Camará está a competir num nível impensável para alguém com a sua idade. Os duelos com jogadores mais experientes e o tempo de jogo regular serão fundamentais no desenvolvimento do ainda (não nos podemos esquecer) muito jovem prodígio encarnado.

Este não engana. Será um dos melhores jogadores portugueses num futuro próximo.

Artigo revisto por Mariana Plácido