5 nomes que merecem integrar o mural da Rotunda Cosme Damião

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Fonte: SL Benfica

Otto Glória – O pai do profissionalismo no futebol português. Foi ele que inovou em todos os sectores da gestão do futebol benfiquista e preparou o clube para os sucessos da década seguinte. Sem ele, a glória europeia nunca teria sido realidade.

A forma como liderava as suas equipas a toque de chicote, impondo disciplina nunca antes vista, contrastava com a figura paternal que personificava nas alturas mais dificeis, coadjuvada com o aspecto bonacheirão que o seu bigode à escovinha alimentava.

Seu Otto adaptou-se ao nosso país como ninguém, notando-se a influência dos avós: emigrantes em Vera Cruz, impuseram no neto o gosto pelo Vasco e pelo… Benfica. Otto já era benfiquista antes de cá chegar e a Glória que trazia no nome acompanhou-o à custa de muito trabalho e inovação.

A preparação física foi imediatamente filtro de compromisso, ainda antes do ultimato feito a todos os jogadores – o clube a tempo inteiro ou a porta da saída. Rogério Pipi e Arsénio foram vítimas dos métodos estranhos a início, mas que a todos convenceram com a dobradinha no final do ano de estreia.

É de sua autoria o projecto do Lar de Jogador ou Casa de Concentração – onde viviam solteiros e jogadores vindos das colónias – os quais não podiam estar na rua depois das… 23h, ou o ordenado era cortado em metade. Nas zonas de convívio eram proibidas «palavras de baixo calão, vozerios ou algazarras que perturbem o silêncio, a ordem ou os princípios da boa educação». Os casados, livres de restrições de morada, eram visitados frequentemente por ele ou pelo adjunto, autênticos polícias a assegurar que as regras de nutrição e sono eram cumpridas.

Chegou em 1954 e desde logo causou consternação pelo salário que lhe deu Joaquim Bogalho. Eram 12 contos, o dobro de Szabo no Sporting e Riera no Belenenses, enquanto Fernando Vaz auferia sete nas Antas. Ganhou, em 244 jogos de águia na jaqueta, quatro campeonatos nacionais e três Taças de Portugal, além de chegar a uma final europeia.

Em 1962, quando liderava o Sporting, introduziu no léxico do futebol português famoso ditado – não posso fazer omeletes sem ovos -, quando confrontado com a ausência de resultados. Os sportinguistas, exasperados ficaram com o «desplante» de um treinador que consideravam ser uma… melancia – verde por fora e vermelho por dentro. Despediu-se dias depois, com a honra intacta.

Ao comando da Selecção, foi ele quem levou os Magriços ao bronze em ’66 e quem em ’82 foi resgatado para fazer o mesmo (ou melhor) no Europeu, mas sucumbiu antes de lá chegar com a derrota por 0-5 em Moscovo, frente à URSS.

Pedro Cantoneiro
Pedro Cantoneirohttp://www.bolanarede.pt
Adepto da discussão futebolística pós-refeição e da cultura de esplanada, de opinião que o futebol é a arte suprema.

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